quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Lula, o câncer e os outros

Elisabeth Maria de Souza Camilo

Ouvi e li através da mídia: a segunda sessão de quimioterapia de Lula foi um sucesso. Fiquei pasma. Conheço tanta gente com câncer e alguns morrem sem nunca terem a chance de um tratamento digno. O problema começa na detecção da doença: após muitos meses de espera, consegue-se uma consulta com um clínico que, desconfiado do problema, encaminha a pessoa para o oncologista. Bem, outra via crucis se inicia, meses passam e pode ocorrer que ela morra antes de ser tratada no apenas no inicio do tratamento.
Mas o câncer de Lula teve um outro tratamento: assim que diagnosticado, o ex-presidente do Brasil foi internado, apenas alguns dias e já estava em tratamento e, logo após duas semanas, nova sessão.
Bem, alguém pode dizer que Lula pode pagar o tratamento mas mesmo quem paga tem dificuldade em conseguir o tratamento,
A revista Veja ofereceu uma capa para o assunto e apenas uma editora de TV questionou, muito rapidamente, sobre se o resto dos brasileiros não mereciam ser tratados com o mesmo respeito com o qual Lula e Dilma foram tratados. Li uma crônica no Yahoo Notícias con o mesmo questionamento mas nada mais.
Bem, admito que o Lula e a Dilma. por serem ex-presidente e presidenta do Brasil,provavelmente, conseguiriam melhor tratamento pela autoridade que representam no país. Não desejo também que eles morram de câncer. Só questiono a razão por que a mídia não mostrou a dificuldade de o povo brasileiro ter acesso a um direito fundamental, a saúde, e, se um tratamento diferenciado para Dilma, Lula, Tancredo e Itamar não foram uma prova cabal daquilo que George Orwell tão sabiamente imprimiu em sua obta " a revolução dos bichos": todos os animais são iguais mas alguns animais são mais iguais do que os outros. Será que um direito constitucional não deveria abranger a todos?

Tags: Lula, câncer, direito constitucional à saùde

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Caro amigo Jornalismo

Maria Aparecida Pinto

Encontram-se todos sentados em uma mesa de bar, o Direito, o Bom Senso, a História e o Jornalismo. Pode-se afirmar que se trata de um happy hour depois das jornadas.
- Por favor, uma porção de fritas e cerveja.

- E você, Jornalismo, o que deseja?

- Não. Não posso mais. Estou tentando mudar velhos estereótipos.

- Vai ser difícil - afirma o Bom Senso com um sorriso malicioso.

- Eu que o diga – completa a História. Quando passo todos se curvam e clamam: Estória, estória!

- Há o direito de expressão.

-Sabemos.

O garçom se aproxima e pergunta se a televisão pode ser ligada. Todos respondem positivamente.

“Acompanhe como foi a...”

Biiiiiiiii...

- Acompanhe o quê? Esse caminhão não colaborou, hein? - indaga o Bom Senso.

- É verdade. Mas podemos acompanhar e inferir o do que se trata – ameniza a História.

Segue, então, uma narração que descreve, por horas a fio, a entrada de participantes, a saída de participantes, as locuções repletas de adjetivação, as jogadas sensacionais compostas por lances e dribles, além dos variados passes. A sequência de fatos é relatada minuto a minuto com muita dinamicidade.

- Gente que emocionante! E eu nem me toquei que hoje é quarta.

- Ai História. O que se pode fazer? - lamuria o Bom Senso.

- Fugir como fez o nosso caro amigo Jornalismo – arremata o Direito.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Cinco por cento de informação

Maria Aparecida Pinto
“O universo em expansão: um tipo de energia afasta as galáxias. Mas, o que sabemos é apenas cinco por cento do que ocorre no universo.”
Enquanto alguns olham para o ceu e nos dizem o que se passa, outros podem ligar a TV e olhar em linha reta para outros astros ou outras estrelas. Podem contemplar outros ceus inesperados e impassíveis que cobrem as noticias de um aqui e de um lá.
Um lá que possui lixeiras que cantam, agradecem e aplaudem. Um lá londrino, em que se vigora a narrativa jornalística distinta em forma e em entonação. Um tipo de energia afasta as galáxias, mas as notícias continuam a remendar o mundo e a constituir um ceu (de cinco por cento).

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Peça, hoje mesmo, seu dinheiro de volta

Maria Aparecida Pinto

Gabriel espera pacientemente o ônibus. “Que dia claro e parado”, ele pensa com seus botões e alfinetes. No ponto, há pessoas conhecidas, apressadas, divagadoras, ranzinzas, solidárias e por aí se tece um rol sem fim.

Mas, um sujeito faz-se notar na multidão. Brada, dá pinotes e quase tem o que se pode chamar de “crise de nervos”. Gabriel não é médico, mas isto não quer dizer que não possa conjecturar em patologia alheia.

“Estão a rir se de mim. Não podem ter a audácia. Eles sabem quem sou eu? Sabem que é por mim que aquilo ainda se move? Estão de brincadeira! Mas, eles pegaram o peixe errado. A se pegaram...”

Todos riem freneticamente. Não só das construções gramaticais e semânticas desenvolvidas pelo cidadão, mas do sentido genérico da situação. Teatro ao ar livre sempre comove.

Gabriel, ao contrário, está comovido com dramalhão próprio e não se presta a sorrir diante da indignação do sujeito. “Ônibus maligno. Como pode fazer hora com a minha cara?”

Surge, enfim o veículo de transporte coletivo em toda a sua glória. E todos esquecem a cena do ponto. O jovem, então, longe do turbilhão das ruas... Dentro do turbilhão do coletivo, lê seu jornal.

Inesperadamente, a cena ganha vida outra vez:

“Estão a rir se de mim. Não podem ter a audácia. Eles sabem quem sou eu? Sabem que é por mim que aquilo ainda se move? Estão de brincadeira! Mas, eles pegaram o peixe errado. A se pegaram...”

Nosso protagonista dá um show e ultrapassa o diálogo consciencioso de botões e alfinetes para a exaustão de uma torrente de indignação e auto senso de justiça.

Mas o que teria despertado nosso cordeiro?

“Como pude ser enganado por uma manchete de jornal. Li a matéria toda e a informação presente na manchete só consta na manchete. Inadmissível. Não humano.”

Diante de tal afronta, um senhor de bengala e chapéu do qual não se vê a face, mas se escuta em bom e altos som sua voz marcante e melódica, aproveita-se da situação e grita:

_ Peça, hoje mesmo, seu dinheiro de volta!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A locomotiva que é o jornalismo

Um telejornal e seus vagões

Maria Aparecida Pinto

Glória senta-se na sala e esquece que o tempo é tempo. Deixa-se levar pelas viagens audiovisuais da programação que antecipa o telejornal. Mas como boa máquina locomotiva apita-se a sirene e todos os passageiros entram, no início, fazendo grande algazarra para, depois, tomarem tenência em seus assentos previamente estabelecidos.
Glória levanta-se e olha a sua volta: não há nenhum lugar vazio. Todos embarcaram. Todos são destino.

E o trem parte. No início, há aquele bloco de adeus. Aquele vagão que se avista na curva. Aquele lenço branco de partida acenado de forma repetitiva e singular. Parte-se lentamente. Pode-se partir em blocos. A locomotiva passa por caminhos sinuosos e por poucas linhas retas. Florestas densas são atravessadas e pode-se, até, cortar mares. Tudo sem sair dos trilhos.

Então, se fala de assunto variado, no primeiro vagão: dos quilômetros percorridos em busca de assistência médica pública, dos acidentes nas estradas cariocas e paulistas, dos motoristas embriagados, dos motoristas que não dormem, de outras locomotivas em países próximos, de desastres naturais e de desabrigados, das mortes e de ferimentos graves como consequências. O tempo voa e o primeiro vagão passa. Não há mais a lentidão ou a expectativa inicial.

Agora, a locomotiva corre. E Glória observa, com dificuldade, o outro vagão (outro bloco). Neste, há senhores bem vestidos falando em línguas distintas. Parecem desconhecer a existência de outros vagões e até mesmo a existência da locomotiva.
Sentados em suas poltronas de luxo vão percorrendo distâncias pairando no ar. Nobres cavalheiros de tempos de outrora.

E a locomotiva corre. Novos passageiros sobem. Com relação aos que se retiram não se pode ver-lhes os rostos. Assim como não se pode conversar com o maquinista. É preciso manter o trem nos trilhos e sempre a correr. Não se pode confiar nas locomotivas que se atrasam, nos trem que não chegam, nas notícias dadas por qualquer fonte.
Pontualidade das locomotivas. Correr atrás do trem. Não esperar os apitos de aviso. A locomotiva que é o jornalismo.

Glória cansou de brincar com as metáforas, com o jogo de palavras e de cenas. Descer da locomotiva não é tão fácil. “Todos a bordo” é um imperativo da informação. Indica-se onde embarcar, mas o desembarque depende do passageiro e do seu tipo de passagem.
A passagem de Glória é do tipo vip: com um toque ela desce do trem. Esquece-se da locomotiva, dos outros passageiros e caminha para o terreiro:
- Olha, não é que a previsão do tempo acertou!

domingo, 18 de setembro de 2011

Lógica

Maria Aparecida Pinto

Juninho “chega em casa” todo alegre e grita:

_ Vovô, vovô! Sou o novo presidente de turma!

_ Que bom meu filho! Como foi isso?

_ Terminada a votação...Foi uma surpresa. Venci vovô. Não é ótimo?

_ Claro Júnior, parabéns. E como seus coleguinhas reagiram?

_ Eles parabenizaram-me. Também disseram que sou o primeiro presidente de turma oriundo do Bairro Z. Que sou um orgulho para...

_ O que mais o meu netinho querido teve que escutar?

_ Como assim, vô?

_ Sabe qual é problema, meu filho? Às vezes não se considera a astúcia alheia e a ingenuidade é o que se sobressai. É verdade que, ocasionalmente, as pessoas são realmente ingênuas e inocentes. Mas, isto é fato raro.

_ O problema maior acontece quando se afirma que em tal lugar as pessoas já nascem sorrindo ou cantando porque há um pressuposto de que há outro lugar em que se nasce lamuriando e envolto em dor. Lógica igual a esta pode ser aplicada quando se afirma que há países saudáveis. Primeiros e segundos países, assim como mundos? Pobres dos que não são tão saudáveis...

_ Vovô, já tive aula de geografia e de filosofia, hoje. Este blá blá que não entendo muito bem, mas dizem que é pessimismo puro...

_ O quê?

_ Ontem saiu no jornal da escola que o pessimismo contemporâneo está modificando o cotidiano do homem médio. Ufa! Quase não consigo falar sem parar. Haja fôlego!

_ O quê?

_ Cuidado, vô. O senhor quase caiu para trás.

_ Um especialista deu uma entrevista à galera do jornal.

_ Parabéns Júnior, pela sua vitória.

_ Muito obrigado, vovô.

sábado, 10 de setembro de 2011

Bolor

Maria Aparecida Pinto

Mal o mês começara e uma abelha já havia pousado na janela e feito a criança chorar. Zumbindo incessantemente. Aquele som, monossilábico e gutural não poderia ser. Mas se tratava de um fluxo premente de angústia e de fuga da tranquilidade pueril. Acabara-se o tempo das flores em abundância.Em bom brasileiro o tempo das vacas magras aproximava-se ligeiramente.

Não pudera correr para o mercado para abastecer o velho cômodo. Aquela porta sempre trancada que não possuía uma localização exata: uma vez ao lado da escada e em outras debaixo dela. Pode-se dizer, poeticamente, em confluência de quadros ou pode-se afirmar que se trata de uma bela fotografia digna para servir como descanso de tela.

Descobriu-se ao longe, uma folha de jornal dispersa. Datava-se de tempos remotos. “Tempos de outrora...”- diria o olhar que se dirigia ao bebê. Olhar distante afugentado da contemplação pela sirene estridente e caricatural.
Não há mais nada a ser feito, por um lado. Mas, por outro, alguém sempre tem que fazer alguma coisa. Sentar-se e olhar aquele jornal. Amarelo e embolorado, quebradiço. Com grande sobressalto levantou-se da cadeira e descruzou os braços anteriormente impassíveis. Uma ruga de espanto?

Correu até a dispensa. O quarto fotográfico. Não seria melhor fotogênico? Abriu a porta aos solavancos e iniciou um processo de procura. Não havia muito que procurar, tudo estava vazio. Nas gavetas, nos potes, nas embalagens específicas... Não se poderia encontrar mais do que vestígios do tempo.

Ao se aproximar da porta, tropeçou em algo. Era um pão duro como uma rocha. Dando voltas na pedra diante da luz natural descobriu um mofo. O jornal era realmente de hoje.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tenda

Maria Aparecida Pinto

E multicolorida aparece inflando-se de ar e de vento. O vento se esvai e fica somente o ar. Aquele mesmo ar que apontou figuras e espiou portas é o mesmo ar que faz ruflar a imensa tenda.

O cenário é de domingo e tarde de sol, mas pode ser de céu nublado com possibilidades de chuvas e risco de trovoadas. Na verdade, quem garante não se encontra no recinto. E o mundo acaba tornando-se o mundo das notícias. O mundo das opiniões e ameaças de notícias. O mundo das quedas e conquistas já anunciadas sempre como um gancho. Como um alfinete, à moda antiga.

Mas se trata de uma nova versão. Em que os ventos uivantes continuam a exercer o seu papel... O de encher tendas... O de reconhecer multidões convulsas... O de dividir aliados e não aliados e avaliar...

O mais impressionante é o barulho do inflar-se. Aquele sopro de exaustor de máquina. E quando se olha em volta, não é que todos são crianças esperando as boas novas?

- Ei moço, tem pipoca?

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Girar o globo

Maria Aparecida Pinto

Onde se encontra o ditador?
Quem fala ao vivo, agora, é...
O que se oferece em recompensa...
Quantos mortos...
E o Brasil...

É verdade. Estamos no Brasil, diz Paulinho. Paulinho que gira o globo com tanta velocidade não podendo distinguir os nomes dos países e continentes.

É verdade, Paulinho. Estamos no Brasil. E no Brasil sobre o que se diz?

Diz-se sobre faxinas imaginárias (imaginárias na cabeça de quem, afinal?). Diz-se de filhos pródigos recém-chegados. Diz-se de filhos não tão pródigos que precisam partir... Partir para onde? Indaga-se Paulinho.

E em um giro rápido, sente-se outro tremor. E as pessoas viajam em mão única. Mas, podem falar e chamar a atenção em várias. Em qual... Qual... Qualquer uma.

O importante é que Paulinho sabe que estamos no Brasil (mesmo girando o globo terrestre todo) e que vemos tudo daqui, mas podemos nos aproximar da realidade alheia.

Paulinho gira o globo...

E troca-se de canal...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Bom dia

Maria Aparecida Pinto

O jovem, que espera estar com o futuro nas mãos e renega seu passado, entra na sala e se depara com a claridade provocada pela quantidade de janelas abertas. Senta-se. Ao longe,se escuta, de forma estafante, o som de um noticiário que narra as últimas catástrofes como um timoneiro antigo e experiente. Como fala com vontade e desenvoltura. Pode falar de tudo e de todos a todo e em qualquer momento.

A pequena porta fria abre-se:

- O doutor vai atendê-lo em dez minutos.

Dez minutos. Quanto tempo! A vida corre lá fora em manchetes de jornais e eu resisto a dez minutos de espera.

Não chegara cedo, estava na hora como sempre.

A luz é ofuscada pela doçura de uma senhora. Poderia carregar os filhos de seus netos e relembrar (ou melhor, inventar coisas sobre) a infância.

Senta-se perto do jovem. Olha-o com boa vontade ou apenas com um sorriso de tartaruga e afirma com convicção:

- Bom Dia!

- Bom Dia.

Caminhando nas ruas o jovem se questionava o que a senhora quis dizer com aquela saudação. BOM DIA! Não era na verdade uma saudação. Era um comprimento, um gesto de educação, de polidez.

Como havia sido imaturo e frio com tal criatura inofensiva e boa. O som do noticiário ao fundo havia lhe confundido as ideias? O que há por trás disto, daquilo... Meu Deus! No fim das contas, não é nada e não se sabe mais de nada. Não se confia mais em nada. Fulano disse isto para dizer aquilo e... Aí se constrói toda uma trama de teorias e de conjecturas... Próprias... Jornalísticas.

Bom Dia!? Sorri, maliciosamente, a senhora, depois que o jovem sai da sala de espera. Repete com brandura, Bom Dia! E o mundo está sendo destruído lá fora. Abre a bolsa e afaga seu radinho de pilha.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sinônimos

Maria Aparecida Pinto

Quando se fala em cultura, no que você pensa imediatamente? Talvez não seja na secção pipoca da TV aberta, ou nas tirinhas que enfeitam os muros e passarelas. Talvez, mas, só talvez, pense nas grades dos museus de arte contemporânea, nos seguranças dos de arte clássica, nas encadernações de capa dura tão caras aos colecionadores sofisticados...

E, então, você para e olha para aquela massa cinza e disforme que se amontoano seu sótão, com letra de excrementos de mosquito, como guardar aquilo? Como colecionar aquilo? E o pior e mais relevante, como lembrar daquilo? Das linhaças de cinza.

Linhaças de cinza. Boa metáfora, não concorda?

Adoro as editorias nobres porque elas por si só já carregam o título, já ostentam os louros que não lhes são de direito. Além do mais, tudo o que produzem já é arte, uma vez que tratam de arte...

Parece um raciocínio pequeno, ou no mínimo ingênuo e equivocado, mas é real. Mesmo quando se fala de ficção. Não se pode dizer que está tudo azul no caderno literato, mas espere pode ser que haja ainda uma ponta de esperança porque a luz no fim do túnel é, ora pois, é vermelha.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Requentar e Servir?

Maria Aparecida Pinto

Há indicativos que nos dizem que o jornalismo é muito mais do que um pequeno Guinness. Mas, outros indicativos fortes nos conduzem a doce ilusão da indústria do entretenimento: massa de pão e pão de circo.

A maior edificação do mundo (será construída por uma família. Adivinhem... Adivinhem por qual. É... vocês realmente não poderiam adivinhar, mas a família havia se desligado dele antes dos atentados...); o “calote” mais esperado da história mundial, tão esperado “que não se deu por vias de fato”; pode-se dizer o maior número de “demissões” de políticos brasileiros de forma sucessiva... Estas são apenas algumas das várias notícias com as quais se tem contato por aí.

O maior e o menor do mundo, da nação, da cidade. O maior e o menor são dados curiosos, relativos e prestes a serem superados. O livro de recordes nunca saiu de moda. Nunca perde, portanto, a sua atualidade, mas nada pode ser mais tradicional (no jornalismo) do que o fait diver.

O maior e o menor. O que importam? A conjectura que constroem, que (e) molduram (ou não). Necessitam de argumentos e de implicações mais bem humorados e sorridentes durante o almoço e mais sérios e, como se diz mesmo? Compromissados e circunspectos no jornal diário da noite. A própria linguagem nos conduz com seu humilde, mas sensato requentar e servir.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

músicas baianas, depreciação de mulheres e lei

Ouvi no Fantástico que uma deputada baiana vai apresentar uma lei que proíbe que bandas que depreciem as mulheres em suas composições de se apresentarem em eventos pagos com dinheiro público.

Sinceramente, faz já algum tempo que ne preocupo com letras que tratam as mulheres como objetos sexuais ou coisas piores mas sempre fui questionada. Dando-se voz aos compositores e vocalistas, ouvi aquilo que sempre ouvi de muitas pessoas ao meu redor: se as próprias mulherea "curtem", "aderem" à moda, porque eles deixariam de compor o que o povo gosta? Além de cantarem, elas treinam coreografias que insinuam o sexo (livre) e nestas parecem teatralizar o jogo da sedução nos palcos ou em quaisquer outros lugares onde as bandas se apresentem.
Há pouco tempo, em uma festa junina, não ouvi música junina mas esses tipos de composições e os duplos sentidos deixavam as pessoas mais velhas confusas e horrorizadas. Até mesmo as crianças coreografavam o que era cantado "sem vergonha e sem juízo" o que comprova a tese de que absorvermos o produto mas sequer analisamos o que absorvemos.
Mulheres tratadas como cadelas, potrancas, prostitutas, vadias se tornam musas. Deixaram elas de serem humanas? Mas as mulheres vibram e dançam sem parar como se aquilo em nada as ofendesse.
Lutou-se tanto tempo para que elas, pelo menos, chegassem perto do nível alcançado pelos homens e tudo volta às origens e elas aceitam sem questionar. O sexo, antigamente considerado algo solene entre um homem e uma mulher, profanizou-se entre as canções e desde "vai descendo na boquinha da garrafa" até as atuais composições em que a própria relação sexual é comandada pelo homem que dissemina palavrões e propõe seus métodos, se consolidou na coreografia e nas letras. Alguém pode argumentar que tudo é apenas brincadeira, "brincadeiragem" conforme um antropólogo na mesma notícia usou e definiu : "brincadeiragem é a forma baiana de unir brincadeira com libertagen" .
Qualquer dia vamos aceitar que nos puxem os cabelos e nos levem para qualquer lugar e depois nos abandonem dizendo que somos sub-espécies e cúmplices do retrocesso em que vivemos. Ainda bem que o programa questionou internautas se eles eram a favor ou contra as letras que difamam as mulheres e os que eram contra venceram. Ainda bem que uma mulher interrrogada disse que os músicos e compositores tinham mãe ( o que infere também esposas, irmãs, primas).
Postado por Elisabeth Maria de Souza Camilo

sábado, 23 de julho de 2011

Estes brasileiros

Maria Aparecida Pinto

Cláudio não precisa nem abrir o jornal para se espantar: há a manchete.

A manchete que chama as lágrimas nacionais para um pranto conjunto e comovente. A manchete que enobrece, que aproxima o mal sofrido pelo outro do mal que nos aflige todos os dias. A manchete é importantíssima. Ela é o farol. E ela também vende jornal. Sim, é ela que nos convida à leitura, que nos afaga com curiosidade e nos relembra dos grandes ou pequenos momentos noticiáveis.

Sai pelas ruas a gritar com suas letras já não tão garrafais. Claro! Existem outros recursos: modernos e dinâmicos, mais atraentes e envolventes. Mas, é bom que seja escrito: nada supera uma boa manchete.

O mesmo se diz do jogo das palavras. Como já dito: as palavras revelam muito sobre...Sobre tudo, afinal. Neste sentido, a falta de palavras ou a omissão de algumas figurinhas carimbadas com as quais nos acostumamos aflige o coração e pode gerar más interpretações.

Quando uma pessoa erra ela fica sem pátria, sem uma nação que ceda um ombro amigo? Mas, há que se notar que somente se noticiam os feitos heroicos dos nacionalizados, ou seja, daqueles que possuem um país que bata palmas perante o seu acerto. Pois, estes quando deslizam perdem a mãe pátria que somente reconhece seus filhos na vitória ou na possibilidade da mesma.

Assim, passados alguns dias de suspense e medo aterrador, Cláudio sente seu coração aliviado, não perdemos mais um brasileiro!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Como as palavras dizem sobre o jornalismo

Maria Aparecida Pinto

E vovô abre a revista e percorre as páginas com seus olhos de bom mineiro ressabiado. O que está acontecendo mesmo com a Europa? Senhor Alceu não sabe bem ao certo. Não é um expert em finanças ou em economia. Não entende, por isto, a crise do euro.

Mas, vamos ser sinceros. Há uma perspectiva de que os leitores de jornais e revistas, mais de jornais do que de revistas, não entendem muito bem as coisas. Por isto, dizem que há a necessidade de se mastigar para a “massa”. Como nos vemos como nação emancipada, não podemos usar a metáfora polêmica de Homer Simpson, para o conhecido homem médio. E nem seria sensato ou ético, não é mesmo? Por causa do hoje tão em voga politicamente correto. Somente alguns semideuses impassíveis das leis humanas fomentam a mídia, ou constroem-na retirando ou ignorando “polidamente” este pilar do arquétipo social.

O que é mesmo um homem médio? Vovô não sabe ao certo. Senhor Alceu não possui pós-doutorado em antropologia, sociologia ou mesmo em qualquer outra humanas. Também não possui graduações em exatas. Pobre vovô. Pobre “massa” desamparada pelas coberturas que ao mesmo tempo desdenham e superestimam a sua inteligência e o seu poder crítico. Pobre vovô. Nos seus tempos áureos era mais fácil, não é mesmo vovô?!

E agora vovô? O que lhe dizem tantas palavras de agência. Não se trata mais de uma escrita telegráfica, não é?! Mas, não se pode dizer com absoluta certeza que não pertença a esta ordem.

Palavras tais como default. Tais como rating. Expressões como “default seletivo”. Adam de mãos dadas com vocábulos mais conhecidos, mas ainda enigmáticos como situação, deteriora, alarma, vizinhos, assim como os termos cúpula, emergencial, moratória, contágio, agência, urgência, diplomata, autoridades, uma fonte, euro, nó seria um nó de marinheiro, górdio, é este mesmo o termo?). Além deste ditado, há ainda posição, frisou, vencimentos, rolar, progresso, hipóteses, questionado e mercados financeiros. Ainda bem que de mãos dadas elas formam uma ciranda. Seria esta de pedra?

É... Como as palavras dizem sobre o jornalismo, não é mesmo pai do meu pai? Então como nos alerta uma canção: CUIDADO!


Crônica inspirada na matéria “Situação grega se deteriora rapidamente e alarma vizinhos europeus” publicada, em 12 de julho de 2011, por Redação do jornal Correio do Brasil, com agências internacionais - de Bruxelas. Acesso em http://correiodobrasil.com.br/situacao-grega-se-deteriora-rapidamente-e-alarma-vizinhos-europeus/267690/.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O mito da morte

Maria Aparecida Pinto

_ Oi, pai. Seu Calisto saiu no jornal.

_ Ai, meu Deus! Meu pai morreu. Vamos Pedro, vamos, mas para aonde? Eu não sei o que fazer meu Deus do céu, ontem mesmo pai estava aqui no churrasco e agora se encontra desfalecido.

_ Ai... O que faço? Agora o que faço?

_ José, mas que alvoroço é esse?

_ Pai morreu.

_ Morreu como? Onde? Por quê? Com quais desdobramentos? Quais são as fontes?

_ Não sei Carola, mas está no jornal.

_ No jornal?

_ Olhe há uma linha do tempo, um infográfico, um caderno especial...

_ Meu Deus ele realmente deve estar morto. Quando será o sepultamento?

_ Não diz.

_ Como assim não diz?

_ Mas é sabido que é grande a comoção popular. Mas é sabido que o cortejo fúnebre será transmitido pela TV local. Mas é sabido que se receberam 100 coroas de flores e que se forma fila enorme de condolências em frente à residência do presidente da associação de moradores de bairro que há a cinco anos presta grandes serviços à comunidade.

_ Pai, pai, quantas pessoas estão na porta de casa!

_ Eu não posso crer.

_ Bom dia a todos, o que está acontecendo? É muito barulho, aí fora.

_ Pai!

_ Vô!

_ Senhor Mauricio, mas como? O senhor não estava morto?

_ Morto? Eu? Como?

_ Olhe o jornal.

_ Ahh... Renunciei ontem, já tarde da noite.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O grande mapa mundi de notícias

Maria Aparecida Pinto

Abro o jornal e suas folhas encobrem-me de informações sobre várias localidades. Falam-me das tecnologias do Japão, dos conflitos árabes, das revoltas gregas, da bolsa de valores de Londres, dos invasores de sistemas de informática internacionais...

Não posso fazer uma viagem de 80 ou 90 dias pelo globo terrestre, mas posso sentar-me e ler o jornal matinal, assistir ao telejornal vespertino ou mesmo navegar nos portais de notícias pela madrugada. Uma volta ao mundo em, vamos colocar, 50 minutos. Uma parada em cada estação de informação com direito a guia, acompanhante (opcional), um pouco da criatividade publicitária:

“Informativo das onze. Esta é a hora da notícia. Um oferecimento das lojas Orvalho as melhores formas de pagamento e...”

A informação é um passaporte. Por meio dela podemos conhecer outras realidades que não as da rua de nossa casa, ou aquelas cerceadas pelas paredes do quarto de dormir.
Por isto quando o jornal informa que oito pessoas morreram na guerra contra o tráfico na cidade maravilhosa há um embarque.

Do mesmo modo, quando se informa a vitória de um time de futebol brasileiro em uma competição de relevância há um embarque.

O que os jornais informam sobre o Japão? O que os periódicos fornecem como dados sobre os EUA? E sobre a Itália?

Talvez não seja preciso perguntar sobre o que informam os jornais acerca dos países árabes.

O problema não é o que se informa, mas como se informa. Porque é através da forma que chegamos ao nosso destino de viagem. No mundo da informação, em que o noticiário refrata mais do que reflete a realidade, mundos imaginários e ideológicos podem ser facilmente visitados e conhecidos como se fossem reais.

O globo terrestre rodopia, o jornal amassa-se e o noticiário das seis desliga-se a tomada, mas pode-se muito bem correr o mundo, sem saber de que mundo se trata. E quando se retoma as perguntas anteriormente enfatizadas pode-se parafrasear o já questionado em: O que os astros revelam a você?

A partir do momento em que nos informamos podemos, agora sim, conhecer maravilhosos mundos imaginários e oníricos (não tão diferentes da realidade firmada como tal), pois sabemos que tudo está bem (foi noticiado).

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Alguns minutos de fama

O garotinho aparece no noticiário, sendo preso porque mantinha em casa alguma droga ilícita. O repórter não suporta sua curiosidade e questiona, até mesmo para sacudir o emocional e a curiosidade do telespectador, ele quer saber por que o adolescente trafica A resposta do menino é imediata, ele quer ficar rico...
Bem, ele sabe que traficantes são ricos, que moram em mansões, que possuem SPAs em casa, que podem tudo que querem. Ele sabe porque a mídia mostrou com detalhes, quando invadiu a favela paulista e a carioca ou mesmo quando decide mostrar em documentário a dicotomia entre as vidas dos que usam a droga e dos que vendem a mesma. Então, o menino, que é pobre, tem razão, traficante é rico e ele também quer sair da vida da pobreza.
Vemos todos os dias, de alguma forma, a exaltação dos maus em detrimento dos que são bons. O cara bêbado que atropelou e matou e que aparece na TV, rindo da polícia, afirmando categoricamente que a impunidade libera quem tem dinheiro para pagar a fiança. Aquele indivíduo de carteira de motorista caçada, que bebeu, bebeu, bebeu e que novamente bebeu e novamente provocou um acidente, no foco da câmera, saindo livre da bagunça em que se envolveu...
Nao há o que dizer para os nossos meninos e para os desesperados sem dinheiro e sem emprego... Eles já elegeram seus heróis e seus heróis são aqueles que ganharam alguns minutos de fama aparecendo na telinha ou registrados nas primeiras páginas dos jornais. Foi com algum susto que ouvi há algum tempo, no Fantástico, numa enquete sobre " quem você gostaria de ser" um menino responder que gostaria de ser o Fernandinho Beira Mar porque ele passeia de avião...
Sei que o papel da mídia é informar mas não precisa ficar quinze minutos falando do bandido porque isso incita quem não é a ser.
Está passando da hora de a gente dar um jeito nisso, ou seja, mostrar o vilâo sem torná-lo figura famosa...

Olhar para o céu

Maria Aparecida Pinto

A abóbada celeste, desde tempos remotos, contemplada não só por “leigos”, mas por intelectuais, cientistas e poetas encontra-se frequentemente nas páginas dos jornais, na home dos portais de notícias, nas produções dos jornais televisivos.
Você me diz que não pode ser possível. Você me diz que “está por dentro de tudo que rola nas mídias” e, principalmente, do que é noticiado pelas instituições responsáveis.
Mas, aí você se lembra e afirma satisfeito: Não... É verdade, o céu esteve mesmo em pauta, na verdade, não foi o céu propriamente dito, foi a lua, ou mais especificamente o eclipse.
Isto é verdade. Afirmo com certo vagar. Mas, também pode não ser.
O céu está sempre em pauta, ora. Ele é a abóbada. Ele é o manto. Na verdade, “na linguagem jornalística”, ele é o contexto. Informar não é fornecer números soltos, citações de especialistas, de cidadãos comuns e de órgãos do governo editadas e costuradas em um texto que trata de situações episódicas e pontuais.
Informar é construir uma realidade social e uma realidade social não se constrói pela simples justaposição de fatos episódicos. Fatos estes que cumprem um círculo de continuidade de cinco em cinco anos, de quinze em quinze anos, ou como no bom jornalismo, de minuto a minuto. Fatos que lançam sombras mais do que luz.
Você olha para o céu e me diz satisfeito: Então, nunca foi o céu, não é?
Percebo que a crônica estava “encerrada”.

Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas realizadas sobre o eclipse lunar que aconteceu em 15 de junho de 2011.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

sinceridade e jornalismo

Em tempos em que discussão de ética e de outras normas de conduta permeiam os estudos do jornalismo, acabo de ler no jornal "Hoje em Dia" de 12 de junho de 2011 uma notícia que me faz refletir sobre o verdadeiro papel do jornalista. A matéria " Jornalista encara a tarefa de ser sinceto" (Mosaico Saer pg 12) coloca em dúvida se as fontes oficiais e os fatos noticiados são ou não confiáveis, já que um repórter alemão escreveu um livro ( relato de experiência) mostrando como foi difícil ser sincero durante 40 dias. O jornal defende a obra como divertida e inusitada mas podemos inferir da mesma que alguns jornalistas mentem para os usuários da informação.
O autor sugere que " a mentira é inerente ao homem" e, de alguma forma, diz que a sinceridade tem que imperar no mundo do jornalismo, mas fica aqui o meu questionamento: devemos ou não repensar a questão da ética dentro do que chamamos de "quarto poder".

Era uma vez, no país do futebol

Era uma vez um país do futebol. Futebol era tudo para aquele povo feliz. Em dia de jogo, o país parava e todos vibravam porque futebol era arte, era entretenimento e era amor à nação e à camisa. Um dia chegou a bruxa má e amaldiçoou aquele país com a praga mais terrível que ela podia: disseminou o pó da corrupção em vento própício para que ele chegasse em todos os âmbitos.
Aprendeu-se a lavar dinheiro com a compra e avenda de craques, que viraram literalmente "cracks" porque aceitaram as propinas e sabendo do pó que se escondia sob o tapete verde dos gramados, ficaram calados e, assim, admitiram o feitiço.
Não falo de um Adriano, imperador, que saiu da Europa com o honroso título de pior jogador da temporada e nem de Ronaldo e sua triste história com os travestis. Não, não falo de Edmundo, com prisão preventiva por causa de crime do passado e nem mesmo pronho uma discussão sob o enriquecimento da família Perrela. Vou falar de maldição mais séria, de vodus trágicos, de trabalho de magia negra da pesada, envolvendo um dos times mais amados do Brasil, um lá de São Paulo, que tem como chefe Andres Sanchez.
É de estarrecer qualquer brsileiro saber o que esta pessoa faz e fez para se transformar no homem daquele time. Suas palavras não foram infelizes, foram capazes de condenar toda a história do time paulista porque coloca em cheque, inclusive, contratações e resultados de campeonatos anteriores, o que pode também anexar compras de juízes e manipulação de resultados.
Quem se envolve com gângsters pode tudo mas passa também a fazer parte do clube. Ele é amigo do Ricardo Teixeira e da Globo, que segundo ele mesmo, são gângster e ele pode tudo por causa dessas amizades.
Quando eu era uma criança, ensinaram-me algo muito importante que até hoje levo muito a sério. Disseram-me que há três coisas que não podem ser recuperadas: a pedra atirada, a palavrada dita e o tempo perdido. Andres atirou a pedra, falou a palavra e mostrou para o povo brasileiro ( e também estrangeiro) que o mantém-se no Brasil são as ideologias do Brasil Colonial onde vence quem manda e quem tem poder.
Globo, por favor, repense sobre quem você chama de amigo e CBF, comece a procurar um advogado que não seja da máfia.
No país que amava futebol, agora o que se ouve são histórias de corrupção em Comitês Olímpicos, de propostas indecentes para construção de estádio para um time em crise com dinheiro público ( neste momento em que saúde, educação e segurança pedem socorro no Brasil, vamos Liberar hum bilhão para um time de futebol, usando palavras que mudem o viés da coisa para que os menos analíticos achem que tudo está certo) tudo porque a velha brincadeira infantil também retornou ao cenário:
- Faremos tudo que o mestre mandar - faremos tudo
- e se não fizermos, ganharemos um bolo ( castigo com palmatória - metaforizada em assistência precária em todos os serviços prestados pelo Governo).
Sei que um dos motivos que levou a Record a colocar no ar a reportagem sobre o Estádio do Coríntians e o poder absoluto de Andres Sanchez tinha outro fundamento ( Globo) mas que valeu a pena mostrar para o povo brasileiro que ele é o cego para coisas básicas, ah, isso valeu!
Elisabeth Maria de Souza Camilo

segunda-feira, 13 de junho de 2011

“Alguma coisa está fora da (nova) ordem mundial”

Maria Aparecida Pinto

Uma das coisas que Ícaro aprendera na velha escola de jornalismo fora a respeito da ordem das coisas. “Agora está tudo mudado, a ordem pejorou-se nariz de cera!” Vá direto diz a placa de trânsito, mas também é o que diz o Manual de Redação.

Então Ícaro, como fazemos?

Sejamos objetivos, sejamos concisos, nada de supérfluo, gente! E a dona construção textual que vá chorar suas mazelas em outra soleira. Mas lembrem-se, não sejam telegráficos, antipáticos, apáticos e principalmente parciais. Quais as bocas objetivas e não telegráficas que sussurram?

Cai em prantos agora a senhorita subjetividade. Corre histérica e some... Como mágica! Como se nunca existira. Quais são estes olhos que veem o sumiço da subjetividade? Quais mãos informam sobre este repente?

É Ícaro... Agora, tudo mudado está. Mas, não fique triste ainda há narizes de cera, talvez maiores do que os de outrora. Mesmo Veríssimo, não pode brincar com a exterioridade da cavidade nasal. Algumas produções jornalísticas são noventa por cento de estória. Guardem o suspense (ao invés de outra qualquer coisa), mantenham o suspense como Hitchcock, até o final, pois isto também mantém a expectativa de alguma informação para a última linha diagramada.

É que na verdade, trata-se de uma questão menos médica e mais comercial. Menos médica e mais diplomática. Trata-se de falar de ditaduras e de ditaduras, no barril, oh desculpe-me quis dizer Brasil, não se fala. Ou fala-se apenas no final quando muitos já saíram do recinto ou derreteram o nariz de cera com notícia e tudo.

Crônica inspirada na matéria “Chávez passa por cirurgia de emergência em Cuba” publicada na edição de 11 de junho de 2011 do jornal Correio do Brasil por redação com BBC. Acessível em http://correiodobrasil.com.br/chavez-passa-por-cirurgia-de-emergencia-em-cuba/253114/

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mortes na floresta

Maria Aparecida Pinto

Os noticiários alertam para mais um corpo que cai. Mandaram uma força tarefa. Muitos outros corpos já caíram. A floresta está cheia de corpos. Caídos ou prestes a cair.

- Se uma árvore cair e não houver ninguém para escutar, ela faz barulho?

- Como isto se relaciona com o jornalismo?

- Não sei, só estava pensando.

Mais um corpo cai. São todos corpos. Sem nome, sem idade, sem família. Informar é dar números. Informar é dizer quantos corpos caem. Porque os corpos que caem são retratados pelos que se mantém, são identificados como corpos caídos pelos que se mantém, são lidos pelos corpos que se mantém.

Mais um corpo que cai. Na verdade os corpos não caem sozinhos, por si só, na maior parte das vezes. Quando corpos caem sozinhos não há alerta para mais um corpo que cai.

- Interesse humano...

- Como isto se relaciona com o jornalismo?

- Não sei, só estava pensando.

- Como se relaciona com o jornalismo!

Crônica inspirada na matéria “Força-tarefa vai atuar contra mortes no campo” veiculada no dia 03 de junho de 2011 no jornal Correio do Brasil acessível em http://correiodobrasil.com.br/forca-tarefa-vai-atuar-contra-mortes-no-campo/249315/

terça-feira, 31 de maio de 2011

padrinhos e madrinhas

Não quero um discurso de cunho moral, quero um discurso que fale de identidade...
Identidade de um povo, de uma nação, de um gigante...
Em Carnavais, Malandros e Heróis, ele está lá com seu traço identitário.
Em O QUE FAZ BRASIL BRAZIL também, com sua folgada risada, sua forma cheia de fé, crédulo, acreditando que tudo um dia vai dar certo...
Nativismo? Não sei... Só sei que brasileiros são um povo lindo, gostam de praia, de calor, de um bom jogo de baralho, de amor... e de votar em troca de qualquer coisa, mesmo que seja apenas para dizer que foi às urnas.
Palocci foi ao banheiro e não deu descarga mas o próximo que entrou ali achou que tudo estava bem. O mau menino que sujou a casa voltou a ela sem castigo e agora o brasileiro está de novo dividido... Quem está errado: o denunciador ou o denunciado... A gente acha que o denunciado já fez muita coisa errada mas também a gente acha que há muito sensacionalismo em cima de um tema já tão debatido - corrupção, Palocci...
Ele entrou no banheiro e não deu descarga... Ensine para o menino as boas normas, a honestidade...
Votamos de novo nele e nem sabemos porque o fizemos...
E diga-se batendo-se no peito - mea culpa...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Gavetas

Maria Aparecida Pinto

Muitas pessoas opõem Jornalismo a História. Outros ainda, distanciam o Jornalismo da Literatura, ignorando totalmente o que se convencionou chamar de NewJornoulism. Parece debate de teórico empático, não é?!

Talvez seja. Mas, a verdade é que o Jornalismo não se distancia nem da História e nem da Literatura.

Lê-se na manchete de primeira página “Berlusconi comete nova gafe e envergonha italianos”.

Conta uma novidade!

A gaveta faz parte do folclore literário. Dizia certo escritor que se você quisesse saber se um texto em prosa ou em verso era bom, ou seja, se era realmente Literatura, bastava deixa-lo guardado em uma gaveta, por cinco ou seis anos. Deixar que o tempo imprimisse suas pisadas.

Depois deste período de espera, se você lese a produção e achasse que ela valia a pena realmente esta era e é literatura. Trata-se de um conceito clássico.

O Jornalismo faz o mesmo: “nova gafe” pressupõe uma trilogia.

E Berlusconi?

Uma foto abaixo da manchete. O político com as mãos voltadas para cima. A expressão fácil clichê “de como assim?” ou “necessito explicações”.

A partir de enfoques conferidos às situações passadas, que povoam o imaginário popular como fábulas e contos (o Jornalismo possui certo viés de cartilha), torna-se possível falar de uma nova gafe que provavelmente não será a última, apenas a mais recente. O Jornalismo diz:
- Esperemos...

É singular esta relação entre o jornal, o livro e o relógio porque, na verdade, todos estes marcam o tempo, são marcos do antes e do depois.

O Jornalismo é assim: alimente-se de história e tenta fazer literatura.


Crônica inspirada na matéria “Nova gafe de Berlusconi deixa italianos envergonhados” publicada em 27 de maio de 2011 às 12h55min por redação, do Jornal Correio do Brasil. Acesso em 27 de maio de 2011 em:
http://correiodobrasil.com.br/italianos-se-envergonham-com-gafedeberlusconi/246104/.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Desabafo de uma classe

Maria Aparecida Pinto

Paulo saiu da redação. A pauta realmente era boa.

O que é uma pauta boa? O que é uma pauta? Um dos primeiros conceitos aprendidos na Universidade, assim como, os conceitos de cidadania, ética e valor social. “A pauta é a receita para o fazer jornalístico”. Mesmo porque, o objetivo é ir além dela. Ou mesmo, até questioná-la.

Questioná-la?

Não é possível. Dizem muitos. Mas, isto é o jornalismo. O jornalismo questiona. Mas, informa. Informar é construir uma possiblidade de questionamento.

Paulo pensou, então, vou sondar, vou averiguar. Sair às ruas. Correr as alamedas.
O telefone toca: “Paulo, manda o seu material pelo e-mail, da rua mesmo, se houver algum imprevisto. Isto ganha mais tempo”.

Ok.

É aquela escola. É um prédio alto. As pombas voam. Não há umbrais.

Converso com as professoras, com os professores e informo-me na diretoria.
Atravesso a cidade. Entro em contato com mais três instituições de ensino. Entrevisto um economista, um sociólogo, e um representante dos órgãos competentes (não necessariamente nesta ordem). Agenor havia agendado as entrevistas.

O telefone não toca: PAULO, COMO ANDA AÍ?

TUDO BEM!

Chego à redação. O que escrevo não é mera pauta. Vai além de um vídeo que retrata o desabafo de um educador. O texto escrito contextualiza, traz informações importantes sobre a constituição da educação no Brasil, ou seja, a sua “institucionalização” no país. Por quê? Porque a pauta instiga. Fornece um start, mas a realidade é constituída desde Dom Pedro, desde a infância, desde a literatura da professorinha (este professorinha não se refere a um aspecto pejorativo, mas ao termo colonial carinhoso).

O texto está pronto. O debate está marcado. A arena de palavrinhas.

Cumpro a pauta. Toda fala é um discurso. Toda fala é um ato persuasivo.

“Paulo, a pauta caiu”- diz a chefe, depois de ler a reportagem.

“Por quê?”

“Você não cumpriu a pauta e ela caiu.”

“Não cumpri a pauta?”

“Você cita o vídeo e somente neste ponto cumpre a pauta”

“O vídeo é o ‘início’... há todo um contexto, um desenvolvimento, um questionamento, uma informação e uma formação”.

“Paulo, a pauta caiu”.

A pauta nunca caiu. Ela nunca existiu. Não “receita” para o fazer jornalístico. Robozinhos engravatados e embonecados que cantam as notícias? O jornalismo é diálogo. O diálogo pauta, assim como a educação. Talvez, mas apenas talvez, seria necessário saber o que está em pauta.




Crônica inspirada na edição de 23 de maio de 2011 do Jornal da Cultura. No que se refere à questão da educação no Brasil.

Os livros ou os livro?

A história do livro admitido como didático no Rio de Janeiro para a disciplina de Português devia ser mais veiculada para o público em vez de ficar restrita aos meios acadêmicos propriamente ditos. O tema é importante e ataca diretamente a questão da cidadania porque se refere à nossa língua... Se nos preocupamos tanto em aprender outro idioma, por que não aprender corretamente o nosso? A imprensa se limita a relatar a polêmica entre os dois lados diretamente interessados no assunto, a saber, os puristas do português e os que veem no internetês e em outras variantes linguísticas uma alternativa para se fugir do sagrado dever de se aprender o idioma.
Entre todas as discussões, principalmente as veiculadas em blogs e portais da Internet, percebe-se claramente o embate entre os linguistas e os professores de português. Certo é que há uma vertente linguística que aceita que , se a mensagem foi veiculada e compreendida, a missão da língua se fez. Mas nenhum linguista admite que o aprendizado da língua formal deve ser negligenciado.
Para escrever esse comentário, li a obra intitulada " Doa-se lindos filhotes de Poodle", cuja temática é exatamente o preconceito linguístico. Errar o uso do pronome se apassivador ou perder-se em algum caso de regência ou concordância é normal. Anormal é admitir que dizer " os livro" é uma forma correta de se escrever a expressão; digo escrever por na linguagem falada isso pode ocorrer. Os próprios jornalistas cometem esses erros de vez em quando e estou cansada de ler legendas com erros graves. Se o jornalista comete o erro, vejo como problema a falta de atenção do mesmo mas se o erro aparece na legenda, o réu é o revisor. Nos impressos é normal encontrar erros de português, sejam ortográficos sejam sintáticos. Mas o que me incitou a postar essa crônica é a negligência como o fato tem sido tratado pela mídia em si. Ela devia, inclusive promover debates para se evitar a má informação de que qualquer forma que se escrever uma palavra é válida. Enquanto falamos, podemos cometer lapsos, afinal não há perfeitos falantes de portuguès devido à sua própria estrutura. Escrever é outra história e amanhã, na redação do vestibular ou na entrevista para o emprego, o cidadão mal informado culpará a própria imprensa de não tê-lo avisado sobre o assunto.

Discussões midiáticas via MSN

Marcela Servano

- Oi, Carol, tudo bem?
- Não, Marcela, está tudo péssimo
-Por què?
- Marcela, você que faz jornalismo não sabe da tragédia
- Que tragédia?
-Como, você não sabe
- Tinha um mar de jornalistas lá, cobrindo todo o fato. Era gente de tudo quanto é lugar, da Globo, Folha, Uol, um batalhão de fotógrafos
- Carol, não faço a mínima ideia do que você está falando...
- Estou falando que o Neymar vai ser papai!!!
- Ah, então era essa a tragédia
- Olha só: a mídia fazendo coberturas importantíssimas novamente.
- O Neymar, Marcela, para sua informação, é importante sim!
Ele foi eleito pela Revista Época o homem do ano em 2010.
Você, que faz jornalismo, deveria saber disso!
- Eu sei que ele foi eleito o homem do ano. E sei que ele também foi responsável pela saída do técnico do Santos porque o mesmo o reprendeu por indisciplina.
Ele, inclusive, se tornou um dos trending mais comentados do Twitter devido a isto.
- Devo concordar contigo ,que isso aconteceu mesmo, mas, em uma entrevista ao Globo Esporte, ele pediu desculpa,e até chorou. E o Thiago Leifert fala sempre que ele é um bom menino.
- Carol, mais eu nunca falei que o Neymar é uma má pessoa.
- Ah, Marcela, mais você também nem pode fazer isto!
-Por que eu não posso?
- Porque eu li no Yahoo que o Neymar,,Thiago Leifert e Luciano Huck fazem parte do movimento do bom mocinhos. São pessoas de quem não se pode falar mal, pois se tornaram os queridinhos da mídia.
- Carol, então essas pessoas são bons moços?
- Para a mídia eles são bonzinhos ,sim!
- Nossa, que legal. É ótimo ver como a mídia pauta as pessoas e escolhe modelos de certo e errado!
- Não seja irônica!
- Eu, irônica Só questiono o fato de seu queridinho Neymar ter engravidado uma menor de 17 anos e a mídia tratar o caso como um "Parabéns para o Papai" . Não questiono o homem do ano porque ele não tomou os devidos cuidados.
- Para você ver, Marcelinha, como o Neymar é querido.
- Você sabia que mesmo o Neymar, sendo pai, será o garoto propaganda da campanha contra a Aids no Brasil, vai pedir para a galera usar camisinha, saiu no jornal.
- É parece que todo mundo, Carolzinha gosta do Neymar mesmo!
- Marcela, ele está acima do bem e do mal.
- Mas, Carol, você sabe por que gostam tanto dele?
Ele é o fantoche da vez. O brinquedinho a ser usado e depois jogado fora pelo meios de comunicação. O Neymar não passa de um produto para eles.
- È mentira isto que você está falando. Ele é querido.
- É claro que ele é querido, é um produto de venda. Para a mídia o verbo "vender" tornou-se importantíssimo. E é justamente esse verbo que atrapalha o bom jornalismo.
- Ah, Marcela, então se está dizendo que falar mal do Neymar é fazer bom jornalismo?
- Nem de longe estou falando isto. Mas questionar o bom moço sobre algumas atitudes que ele tem é fundamental para o exercício da profissão.
- A imprensa não questiona o garoto.
-Sabe Marcela, você ficou muito chata depois que começou a fazer jornalismo.
Eu fui, tchau, beijos.
- Eu acredito na mídia e no que eles dizem.
- Você, Carol, ainda é nova e vai perceber como as coisas funcionam; nem tudo o que você vê é a verdade.
- Há setores da imprensa que funcionam como um Show, armam o espetáculo em que a gente é a plateia. Só que algumas pessoas veem tudo passivamente. Outros preferem analisar o show, papel este que cabe ao jornalista.
- E por isso, querida irmã, que não podemos ser pautados, entre bem e mal.
- Questionar a mídia também faz parte do nosso show.
- Pense nisso, Carol, beijos , te amo!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cultura dinâmica e convergente

Maria Aparecida Pinto

Vovô, vovô já sei o que quero de presente de aniversário!

Pode dizer, Miguel.

Então, quero uma Smart TV.

Por que tenho que comprar uma TV em uma cadeia de estabelecimentos comerciais especifica?

Não vô, o senhor não entendeu. Esta TV conecta-se à internet, assim posso acessar as redes sociais e até ler uns jornais virtuais ou notícias em tempo real presentes em portais para depois contar tudo para o senhor.

Miguel...

É vovô, é triste vê-lo sentado aí com enormes trambolhos de papel, ou mesmo zapeando freneticamente pelos canais.

Miguel...

Sim vô.

Qual é a relação entre Smart TV e Bom Jornalismo?

Há vô, não sei bem ao certo, mas hoje as redes sociais são constantemente temas para os jornais. Sabe o namorado da minha irmã, Gustavo. Ele está no terceiro ano de jornalismo. E diz que as redes sociais podem ... como é mesmo a palavra? Pautar o jornalismo. O termo certo é pautar!

É verdade?

Sim. Segundo o Tavo, a comunicação e a informação estão mais acessíveis e com isto facilitam a vida social.

E o que são redes sociais?

A vô, como posso explicar... Sabe quando o senhor “joga conversa fora” com seus amigos ou então vai à reunião da Associação de Bairro para informar-se sobre o que esta acontecendo? É como se o senhor fizesse isto pela internet, sem sair de casa.

Ou seja, falar dos outros com outros sem sair de casa ou informar-se sobre os outros por meio de outros sem sair de casa?

É vovô, o senhor entendeu...

O jornal faz isto meu neto. A TV e o rádio também.

Mas, na internet há mais espaço, mais velocidade. É mais “convergente”.

“Convergente”?

Sim , sabe integrar diversos recursos como som , imagem e texto por exemplo.

Miguel, o que estes jornalistas da Smart TV fazem é depender de fontes, apurar os dados, preparar e construir as notícias, não é?

É, mas de forma mais dinâmica.

Vou pensar Miguel...

Toda esta conversa... Vou ver ... Este jornal tem uma versão on-line, como dizem. Deixe-me ver... Cultura! É uma boa!

“CANTOR OFENDE MULHERES E MÚSICOS EM REDE SOCIAL”.

É ... Estão fazendo isto de forma mais dinâmica.


Crônica inspirada na matéria “Ed Motta ofende mulheres e músicos e cria polêmica no Facebook” Por Marcus Preto de 13/05/2011.Acessível em:http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/915375-ed-motta-ofende-mulheres-e-musicos-e-cria-polemica-no-facebook.shtml

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Há notícia

Maria Aparecida Pinto

Qual é a tênue diferença entre o jornalismo humanizado e o jornalismo sensacionalista?
Ambos desejam comover, não é mesmo?
Ambos desejam provocar afloração de sentimentos.
A diferença não e tão tênue.
Talvez não se possa compará-los.
Comove ver a luta de um menino contra a leucemia.
Comove ver seu desejo de vida, seu esforço e incansável sorriso.

A criança é a boa vítima?
É sim.
Mas, desta vez, os monstros salvam-na (de alguma forma).
Isto pode ser um começo da desconstrução da polaridade herói/vilão, tão prezada pelos vigilantes?
Vigilantes, vingadores, defensores da justiça, cães de guarda...temas que se confundem ...
...termos que se confundem ...
práticas que se confundem.
Os monstros possuem duas faces.
Os heróis possuem duas faces.
Humanização e sensacionalismo são duas faces? Duas faces de quê?
O tocante.
O jornalismo informa. Mas sobretudo forma.
Forma cidadãos. É um dos seus deveres.
O jornalismo pode ter ou não música tema.
Mas, possui vários superpoderes.
Com os poderes vem a responsabilidade.
Não se pode salvar todos.
Alguns teóricos falam que o jornalismo é o termômetro da sociedade.
Então qual é a tênue diferença entre o jornalismo humanizado e o jornalismo sensacionalista?

O humanizado precisa de um “gancho”: algum aspecto que o justifique como notícia no momento presente.
O humanizado precisa de uma linguagem poética , literária (o New Journalism).
O humanizado não se condiciona por números.
O humanizado não pode estandartizar a situação.

E o sensacionalista ?
O sensacionalista é uma trama.
O sensacionalista é um drama.
O sensacionalista é uma redundância.
O sensacionalista projeta a voz para assustar, chocar, gerar consternação.

A diferença não é tão tênue, mesmo em um mundo globalizado em que limites de tempo e espaço encontram -se es espaço encontram se diluídos por talheres tecnológicos.
Em que a América respira aliviada , pausadamente e feliz.
O passado é importante mas, o futuro depende de nós.
Lutando contra monstros que construímos e que nos ajudam a sobreviver.
Sem heróis, sem vilões, sem monstros ,sem mocinhos o que há?
Com certeza não há notícia.

Crônica inspirada no jornal Bom Dia Brasil edição de 09 de maio de 2011 exibido pela TV Globo.

mídia criticando mídia - o caso do Globo Rural

Bem cedo,Globo Rural de segunda-feira, sete horas da manhã do dia 09 de maio. O editorial me chamou a atenção.
O jornalista falou em tom pausado, ofereceu um clima solene para suas palavras e eu pude escutar: não interessa ao Brasil a beatificação de um novo santo nem um casamento real nem mesmo se um terrorista foi morto ou não. Temos, entre tantos problemas, dois que nos chamam a atenção e que a mídia quase não fala sobre eles, a saber, a delimitação da área verde para proteção de nossas nascentes e rios e a própria discussão sobre o novo código florestal.
A partir daí, me prendi ao programa porque vi crítica de mídia feita por um jornalista que trabalha na Globo declarando que pouco se fala na Globo e em outras empresas sobre o tema.
Minha mente viajou e percebi que é preciso beatificar nossos recursos fluviais e nossas florestas e matas, que devemos combater o terrorismo da violência contra as mulheres, contra as crianças, contra os jovens, contra os animais, contra as plantas e contra as águas. Devemos casar a TV e a imprensa em geral com temas que nos dizem respeito e são tão importantes quanto a morte de um terrorista e que somos nós quem direciona a mídia e não a mídia que manda em nós. Essa ideia surgiu do fato de logo em seguida ele ler cartas dos leitores preocupados em como combater um pulgão sem danificar o ambiente e como cuidar de animais de corte sem impor a eles o sofrimento e o stress. Levantei-me mais feliz porque descobri que ainda há algum resíduo de bom jornalismo no Brasil

quarta-feira, 4 de maio de 2011

As epidemias e o mar

Maria Aparecida Pinto

Pelas ruas do Oriente Médio não há posicionamento sobre a morte do terrorista. Uns comemoram. Outros choram. Aqueles se sentem apáticos.
Pelas ruas da Europa não se comemora. Apenas os líderes europeus manifestam se com cautela em seus recintos por medo de retalias.
Pelas ruas da América comemora se há dois ou três dias. Pelas ruas norte-americanas comemora se a morte do terrorista.

O terrorista “não era nada” afirma o noticiário: era um líder sem seguidores. Um endereço sem rua. Mera figura simbólica... Mas, o sociólogo corrige a tempo: figura simbólica e prática, não dois lados da moeda: mas faces que compõem o todo.

O terrorista não era nada: ele desejava restituir a Idade Média, “em que as pestes assolavam os feudos e não havia cultura”. Feudos, localidades que se limitavam por tênues limites concretos e imaginários.

Os concretos, as muralhas. O local para pilhagem de corpos insepultos (não se pode falar em corpos insepultos) era atrás das muralhas, atrás dos limites das cidades ou no mar.
Pelas ruas do Brasil não se comemora. É preciso buscar a comoção nacional.
As ruas sempre disseram muitas coisas sobre vilões e sobre mocinhos.

Os EUA, os famosos Estados Unidos da América vestem sua capa vermelha e azul colocam seus aparatos retóricos, argumentativos (fortemente armados e teleguiados) e sua máscara.
Os EUA caminham pelas RUAS relatando as comemorações.
A morte do terrorista não se resume às comemorações ou não comemorações. O jornalismo não deve pautar se por comemorações e não comemorações. Comemorações, este foi o termo da noite.
Comemorações, comoções: tudo isto não informa. E enquanto se comemora baixa-se a guarda.

Certos super-heróis andam pedindo novas nacionalidades... É o que também se comemora por aí.
Certos cães de guarda andam guardando mais a casa do que o dono da casa. Andam também unindo Oriente Médio em bloco único: um bloco de religião, petróleo e perigo constante.


Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas:
Jornal da Globo exibido no dia 02 de maio de 2011,
Edição de 03 de maio dos jornais Estado de Minas e Hoje Em Dia.

terça-feira, 3 de maio de 2011

sobre um tema em extinção

Vamos comprar a geladeira em promoção mas logo deparamos com um cartaz onde se pode ler que aquela loja não recebe cheque em hipótese alguma. A curiosidade sempre me persegue e antes de ir ao banco sacar a grana para comprar a geladeira visitei pelo menos mais dez lojas e o aviso era o mesmo: cheque não entra aqui.
Abandonei meu talão no fundo de um velho baú e decidi usar cartão de débito e, em caso de precisar pagar uma dívida no crédito, peço logo os boletos de banco.
Já faz algum tempo que as folhas de cheque passaram a ser discriminadas no país, principalmente as das pessoas físicas. Entretanto, na semana do casamento real, a mídia liberou a informação e poucos prestaram atenção ao que ela dizia: novas regras para o uso do cheque foram negociadas entre o Banco Central e os bancos, de forma que agora, as folhas tão discriminadas terão prazo de validade e seus donos terão que fazer novos cadastros nas agências em que possuem contas. Os caloteiros não podem mais sustar cheques e um sistema, parecido com o SPC, será criado para proteger quem recebe as notas de crédito.
Parei para pensar porque fiquei intrigada com a notícia. Se cheque praticamente está em extinção para os plebeus financeiros, por que tanto trabalho para reformular um sistema e por que tanto gasto para criar novas leis para seu uso?
As notícias foram rápidas na TV e nos impressos ganharam as primeiras páginas de alguns jornais mas não vi economistas comentando o assunto para explicar para todos nós a razão de tanto esforço burocrático para um documento em extinção. Sinceramente, o que li e ouvi foi o quanto a família real gastou devido ao casamento do príncipe e quanto pretendia receber com a venda de copos, pratos, bandeiras, anéis, toalhas de mesas além de todas as outras bugingangas vendidas para ver se a estrutura financeira britânica se recupera da crise em que está imersa. Enquanto isso, no Brasil, quando os brasileiros se deliciavam com a pompa real, alguém tentava ressuscitar o chequinho tão magrinho, acuado no fundo do baú, negligenciado, esquecido, excluído economicamente de nossos shoppings, lojas, bares, mercearias e outros lugares onde outrora podia ser usado até pré-datado...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O casamento é real, mas a festa é da mídia

As câmeras estão voltadas para a Abadia de Westminster pois um casamento mexe com o imaginário dos paparazzi de plantão.

Estima-se que dois bilhões de pessoas em todo mundo viram a união do Príncipe William ,herdeiro do trono da Grã- Bretanha, e de Catherine Elizabeth Middleton, que aconteceu na última sexta-feira, dia 29 de abril, em Londres.

Como não poderia ser diferente de qualquer evento que envolve celebridades, “Show e Circo “ midiático foi armado. A imprensa tentava adivinhar qual seria o modelo do vestido da noiva, como seriam os docinhos do casamento e outras banalidades, fatos que ela , a imprensa, tratou como algo essencial para a sociedade em geral.

Um dia antes da cerimonia, o jornal “The Sun” ,que se orgulha por ter sido o primeiro a divulgar uma fotografia da futura princesa, lançou uma aposta, a saber, quem seria o primeiro convidado a chorar no casamento real. E os jornalistas ofereceram opções como a mãe da noiva, Elton John, que sempre chora em cerimônias na Abadia ou Tony Blair ou Gordon Brown que não foram convidados para o evento.

O casamento foi um espetáculo com direito a transmissão ao vivo pela internet e pela TV, participações especiais de consultores de moda e etiqueta, presença maciça de populares que não tinham nada a ver com o assunto. E os jornalistas não deixavam de exaltar as figuras de William e Kate.

Diante de tanto sensacionalismo e exibicionismo, será que a união dos noivos sobreviverá a uma mídia que sempre clamará por notícias sobre os dois como se fez para os pais do noivo? Para a mídia, Kate não se casou apenas com o Príncipe William, mas com todo e qualquer mecanismo midiático também. Os jornalistas, os repórteres, os caçadores de notícias serão os súditos das realeza que seguram câmeras fotográficas e microfones nas mãos em espera de algo espetacular.

Está na hora de pensarmos sobre o papel do jornalismo como algo sério e capaz de fazer com que criemos uma consciência crítica sobre os fatos que ocorrem ao nosso redor. Pão e circo cabem exatamente dentro do contexto do casamento real: somos alimentados por imagens, fantasias, sonhos, contos de fada e, ao mesmo tempo, nos entretemos diante da TV e da Internet, não nos cansando de ver o anel que a Kate recebeu do noivo e correndo até o camelô mais próximo para adquirir um ou indo à loja do shopping para não perdermos a chance de termos no nosso guarda-roupa um vestido qualquer que a noiva usou durante a repercussão do noivado.

Debord já falava da sociedade do espetáculo em que tudo vira razão para festa mas sabemos que isso é um mito. Enquanto o mundo se robotizava diante do evento ( incluindo os britânicos que invadiram Londres só para ver a noiva passar seguida pelo séquito real), gente morria nas guerras no Oriente Médio, políticos brasileiros dirigiam com carteira vencida, promotora pagava caro para um psicólogo ensinar a ela como simular os sintomas de um transtorno bipolar e a gasolina subia terrivelmente nas bombas dos postos de combustível. Ainda não sabemos se a mídia beijou os lábios das cinderelas , das belas adormecidas, para que elas se despertem para a vida real, no sentido verdadeiro da palavra. O jornalismo precisa ser o príncipe e não o bruxo que joga areia em nossos olhos e só permite que sonhemos com carruagens e noivas encantadas enquanto em torno de nós apenas os vilões se sobressaem.

Marcela Servano

terça-feira, 26 de abril de 2011

Onde está a arte?

Maria Aparecida Pinto
A Semana Santa é um acontecimento jornalístico, isto quer dizer que “vira notícia”. A arte dos tapetes de serragem - uma tradição centenária – atrai turistas de diversas cidades para as históricas cidades mineiras.
“A arte dos tapetes” diz a manchete. Onde está a arte? A matéria não trata da tradição de serragem, mas das apreciações dos turistas em seus depoimentos. As citações tão caras na literatura. A famosa intertextualidade.
No jornalismo, a técnica é conhecida como o “povo fala”. Artimanha antiga. Depoimentos são aspectos históricos no jornalismo, sejam falas de “experts” ou falas ilustrativas de “gente comum”. Onde está arte elucidada na manchete? Onde se encontra o jornalismo?
A arte atraiu 25 mil pessoas nesta Semana Santa à cidade de Ouro Preto. Mas, trata-se de uma arte pressuposta. Já existente e clara na mente de todos, assim como o fato de Realengo que a matéria retoma enfaticamente: tradição e atualidade? Assim como os cordéis? A tradição é a atualidade para o jornalismo. Faz se necessário questionar o que se elucida e não se constrói.
Contrariando o impresso, jornais televisivos abordam satisfatoriamente a Semana Santa ao compararem as implicações do evento para as diversas religiões. O estado é laico e o jornalismo deve aproximar se da isenção.
Assim como o jornalismo deve afastar se do paparazzi de certos casamentos reais.Claro que o jornalismo trata de fato do que é real.Mas o que é real para uma pode ser não real para o outro, assim como a arte trabalhada na matéria pode não ser arte para um outro leitor. É importante lembrar: o jornalismo é uma das principais ferramentas de construção da realidade. A realidade que todos vivenciam.
O cronista olhou para o texto recentemente concluído.
Onde está a arte?
A arte encontra se na estrutura.
Crônica inspirada na matéria:
“Arte nas ladeiras de Ouro Preto” de Pedro Rotterdan veiculada no caderno Minas do jornal Hoje em Dia de 25 de abril de 2011.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Além dos ovos de Páscoa

Maria Aparecida Pinto

_O jornalismo também é um exercício da história. No contexto, em que nos encontramos “intertextualizar” é preciso - dizia o professor de história de Pedro.

O menino chegou em casa pronto para aproveitar dois dias de feriado.Já não era tão menino, já podia ler os jornais.Não queria saber dos tipos de chocolate que “bombariam” na Páscoa (estas reportagens especiais de Páscoa, de Ano Novo, de Natal, de Volta às Aulas que ocupam metade dos jornais televisivos, impressos...).
Pedro desejava “intertextualizar” como dissera seu mestre. A figura do mestre. A aprendizagem é libertadora.

Abriu o jornal: “TRÊS INCONFIDENTES AINDA SERÃO SEPULTADOS EM OURO PRETO, MINAS GERAIS”. Isto é história e jornalismo. A matéria falava de toda a trajetória de Tiradentes, das relações econômicas, sociais e culturais que o tornaram “ícone de liberdade”. A figura barbuda de túnica branca que sacrifica se por um interesse maior. O grupo de Tiradentes cada um com sua punição social respectiva.

A curiosidade assombrou Pedro: derrama, traição, inconfidência e liberdade. Mas havia questionamentos sobre o mito da Inconfidência Mineira, da “Liberdade ainda que tardia”.
O jornal não se permitia questionar a história. “Em Ouro Preto, também reina o silêncio”. O não dito diz muito. Corpos insepultos dizem mais ainda.

As regras de conduta dos jornalistas e os fatores que tornam o cotidiano notícia são alheios ao Pedro, mas ele sabe que o número mais vendido de ovos de Páscoa, a quantidade de bacalhau que as pessoas compram na feira e as receitas culinárias concedidas pelos passantes à reportagem podem ser uma forma de silêncio.



A crônica foi inspirada pela reportagem "Um enterro com dois séculos de atraso" de Gustavo Werneck veiculada no jornal Estado de Minas de 3 de abril de 2011.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Uma derrota que jamais esqueceremos: comentários de uma crônica de Juca Kfouri

Pense sobre quantos talentos perdemos todos os dias e que poderiam, sem usarmos um falso jargão, salvarem a Terra.

Meninos que acabam de nascer e são abandonados em caixas de sapato, em banheiros de lojas e de shoppings, ou às margens de um rio ou de uma estrada...

Meninos que nascem mas já estão mortos porque seus cérebros foram exterminados pela droga ainda no líquido aminoático. Meninas que deixaram de ser deputadas, senadoras, médicas, professoras, porque precisaram de se prostituírem para matarem a fome de sua família...

Meninos e meninas violentados em todos os aspectos, todos os dias, em todos os lugares de nosso país continental, mas que nunca viram notícias porque são anônimos ou não foram vítimas de alguém que chocou a mídia.,

O caso de Realengo virou dado estatístico porque todos os meios de comunicação insistiam em dizer que isso não era coisa de nosso país mas sim dos Estados Unidos. Quem disse isso para eles? Há tantas crianças presas em barracos esperando os pais chegarem do emprego com míseros salários e que sonham em ser um “ Fernandinho Beiramar” só para passearem de avião e terem seus dias de heróis estampados nas primeiras páginas de um jornal. Crianças são chacinadas a cada minuto em que um adulto oferece para elas um cigarro ou uma dose de bebida alcoólica. Mas foi preciso que uma criança maltratada pela vida tivesse que em um dia de fúria ( coisa que ela só conheceu depois de adulta) entrar em uma escola carioca e matar à revelia para que as palavras “massacre” e “ tragédia” ganham páginas, holofotes, horas e debates sobre como proteger os nossos pequenos contra a violência, tão presentes na vida deles...



Fonte que nos inspirou:

http://blogdojuca.uol.com.br/2011/04/a-pior-de-nossas-derrotas/


sábado, 2 de abril de 2011

O que aprender com a morte de Josè Alencar

Sem dúvida, José Alencar foi um exemplo de como ser resiliente às intempéries que a vida nos traz. Mas ele também nos alertou para um problema mais sério do que a corupção em nossos governos ou da dificuldade de encontrarmos bons políticos hoje. Ele veio nos alertar sobre o problema da saúde no Brasil. Ouvi esse comentário em um telejornal da Rede Globo e foi a única vez que percebi que enquanto todos exaltavam a figura do político morto, a jornalista falava da facilidade que ele teve para sobreviver longo tempo com o câncer porque tinha dinheiro para se tratar. Não tive chance de assistir outros noticiários mas esse me comoveu. Enquanto ela entrevistava um oncologista sobre se a vida de Alencar foi ampliada devido à oportunidade que ele teve de pagar o tratamento no Brasil e nos exterior, o perito sempre respondia seus questionamentos iniciando a argumentação com o advérbio de modo " infelizmente". Infelizmente é fato que o brasileiro pobre levar de seis meses a um ano para conseguir um exame de mamografia pelos SUS. Infelizmente um brasileiro que ganha um salário mínimo não pode pagar pela injeção que restringiria a expansão infecciosa que custa dez salários. Infelizmente uma internação em UTI de hospital padronizado é um sonho impossível para o pobre que sequer tem o apoio de um clínico geral em Unidades de Pronto Atendimento.
E de infelizmente em infelizmente, o oncologista esclareceu para a população brasileira que ela não teria o mesmo privilégio de Alencar em ter a vida prolongada embora a resiliência tenha ajudado muito na luta pela sobrevivência. Aliás, o próprio José Alencar, ainda como vice-presidente da Lula, afirmou em entrevista em 2010 ao William Bonner que ele só podia ser tratado porque tinha condições financeiras para isso, deixando recado para o governo de que o povo que vota precisa ter os direitos à saúde preservados.