Maria Aparecida Pinto
_ Oi, pai. Seu Calisto saiu no jornal.
_ Ai, meu Deus! Meu pai morreu. Vamos Pedro, vamos, mas para aonde? Eu não sei o que fazer meu Deus do céu, ontem mesmo pai estava aqui no churrasco e agora se encontra desfalecido.
_ Ai... O que faço? Agora o que faço?
_ José, mas que alvoroço é esse?
_ Pai morreu.
_ Morreu como? Onde? Por quê? Com quais desdobramentos? Quais são as fontes?
_ Não sei Carola, mas está no jornal.
_ No jornal?
_ Olhe há uma linha do tempo, um infográfico, um caderno especial...
_ Meu Deus ele realmente deve estar morto. Quando será o sepultamento?
_ Não diz.
_ Como assim não diz?
_ Mas é sabido que é grande a comoção popular. Mas é sabido que o cortejo fúnebre será transmitido pela TV local. Mas é sabido que se receberam 100 coroas de flores e que se forma fila enorme de condolências em frente à residência do presidente da associação de moradores de bairro que há a cinco anos presta grandes serviços à comunidade.
_ Pai, pai, quantas pessoas estão na porta de casa!
_ Eu não posso crer.
_ Bom dia a todos, o que está acontecendo? É muito barulho, aí fora.
_ Pai!
_ Vô!
_ Senhor Mauricio, mas como? O senhor não estava morto?
_ Morto? Eu? Como?
_ Olhe o jornal.
_ Ahh... Renunciei ontem, já tarde da noite.
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