Maria Aparecida Pinto
E multicolorida aparece inflando-se de ar e de vento. O vento se esvai e fica somente o ar. Aquele mesmo ar que apontou figuras e espiou portas é o mesmo ar que faz ruflar a imensa tenda.
O cenário é de domingo e tarde de sol, mas pode ser de céu nublado com possibilidades de chuvas e risco de trovoadas. Na verdade, quem garante não se encontra no recinto. E o mundo acaba tornando-se o mundo das notícias. O mundo das opiniões e ameaças de notícias. O mundo das quedas e conquistas já anunciadas sempre como um gancho. Como um alfinete, à moda antiga.
Mas se trata de uma nova versão. Em que os ventos uivantes continuam a exercer o seu papel... O de encher tendas... O de reconhecer multidões convulsas... O de dividir aliados e não aliados e avaliar...
O mais impressionante é o barulho do inflar-se. Aquele sopro de exaustor de máquina. E quando se olha em volta, não é que todos são crianças esperando as boas novas?
- Ei moço, tem pipoca?
Leia, mude, faça suas sugestões, crie uma nova crônica sobre o tema, interaja. Somos Elisabeth Camilo,Maria Aparecida Pinto e Marcela Servano, alunas do curso de jornalismo da UFOP
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Girar o globo
Maria Aparecida Pinto
Onde se encontra o ditador?
Quem fala ao vivo, agora, é...
O que se oferece em recompensa...
Quantos mortos...
E o Brasil...
É verdade. Estamos no Brasil, diz Paulinho. Paulinho que gira o globo com tanta velocidade não podendo distinguir os nomes dos países e continentes.
É verdade, Paulinho. Estamos no Brasil. E no Brasil sobre o que se diz?
Diz-se sobre faxinas imaginárias (imaginárias na cabeça de quem, afinal?). Diz-se de filhos pródigos recém-chegados. Diz-se de filhos não tão pródigos que precisam partir... Partir para onde? Indaga-se Paulinho.
E em um giro rápido, sente-se outro tremor. E as pessoas viajam em mão única. Mas, podem falar e chamar a atenção em várias. Em qual... Qual... Qualquer uma.
O importante é que Paulinho sabe que estamos no Brasil (mesmo girando o globo terrestre todo) e que vemos tudo daqui, mas podemos nos aproximar da realidade alheia.
Paulinho gira o globo...
E troca-se de canal...
Onde se encontra o ditador?
Quem fala ao vivo, agora, é...
O que se oferece em recompensa...
Quantos mortos...
E o Brasil...
É verdade. Estamos no Brasil, diz Paulinho. Paulinho que gira o globo com tanta velocidade não podendo distinguir os nomes dos países e continentes.
É verdade, Paulinho. Estamos no Brasil. E no Brasil sobre o que se diz?
Diz-se sobre faxinas imaginárias (imaginárias na cabeça de quem, afinal?). Diz-se de filhos pródigos recém-chegados. Diz-se de filhos não tão pródigos que precisam partir... Partir para onde? Indaga-se Paulinho.
E em um giro rápido, sente-se outro tremor. E as pessoas viajam em mão única. Mas, podem falar e chamar a atenção em várias. Em qual... Qual... Qualquer uma.
O importante é que Paulinho sabe que estamos no Brasil (mesmo girando o globo terrestre todo) e que vemos tudo daqui, mas podemos nos aproximar da realidade alheia.
Paulinho gira o globo...
E troca-se de canal...
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Bom dia
Maria Aparecida Pinto
O jovem, que espera estar com o futuro nas mãos e renega seu passado, entra na sala e se depara com a claridade provocada pela quantidade de janelas abertas. Senta-se. Ao longe,se escuta, de forma estafante, o som de um noticiário que narra as últimas catástrofes como um timoneiro antigo e experiente. Como fala com vontade e desenvoltura. Pode falar de tudo e de todos a todo e em qualquer momento.
A pequena porta fria abre-se:
- O doutor vai atendê-lo em dez minutos.
Dez minutos. Quanto tempo! A vida corre lá fora em manchetes de jornais e eu resisto a dez minutos de espera.
Não chegara cedo, estava na hora como sempre.
A luz é ofuscada pela doçura de uma senhora. Poderia carregar os filhos de seus netos e relembrar (ou melhor, inventar coisas sobre) a infância.
Senta-se perto do jovem. Olha-o com boa vontade ou apenas com um sorriso de tartaruga e afirma com convicção:
- Bom Dia!
- Bom Dia.
Caminhando nas ruas o jovem se questionava o que a senhora quis dizer com aquela saudação. BOM DIA! Não era na verdade uma saudação. Era um comprimento, um gesto de educação, de polidez.
Como havia sido imaturo e frio com tal criatura inofensiva e boa. O som do noticiário ao fundo havia lhe confundido as ideias? O que há por trás disto, daquilo... Meu Deus! No fim das contas, não é nada e não se sabe mais de nada. Não se confia mais em nada. Fulano disse isto para dizer aquilo e... Aí se constrói toda uma trama de teorias e de conjecturas... Próprias... Jornalísticas.
Bom Dia!? Sorri, maliciosamente, a senhora, depois que o jovem sai da sala de espera. Repete com brandura, Bom Dia! E o mundo está sendo destruído lá fora. Abre a bolsa e afaga seu radinho de pilha.
O jovem, que espera estar com o futuro nas mãos e renega seu passado, entra na sala e se depara com a claridade provocada pela quantidade de janelas abertas. Senta-se. Ao longe,se escuta, de forma estafante, o som de um noticiário que narra as últimas catástrofes como um timoneiro antigo e experiente. Como fala com vontade e desenvoltura. Pode falar de tudo e de todos a todo e em qualquer momento.
A pequena porta fria abre-se:
- O doutor vai atendê-lo em dez minutos.
Dez minutos. Quanto tempo! A vida corre lá fora em manchetes de jornais e eu resisto a dez minutos de espera.
Não chegara cedo, estava na hora como sempre.
A luz é ofuscada pela doçura de uma senhora. Poderia carregar os filhos de seus netos e relembrar (ou melhor, inventar coisas sobre) a infância.
Senta-se perto do jovem. Olha-o com boa vontade ou apenas com um sorriso de tartaruga e afirma com convicção:
- Bom Dia!
- Bom Dia.
Caminhando nas ruas o jovem se questionava o que a senhora quis dizer com aquela saudação. BOM DIA! Não era na verdade uma saudação. Era um comprimento, um gesto de educação, de polidez.
Como havia sido imaturo e frio com tal criatura inofensiva e boa. O som do noticiário ao fundo havia lhe confundido as ideias? O que há por trás disto, daquilo... Meu Deus! No fim das contas, não é nada e não se sabe mais de nada. Não se confia mais em nada. Fulano disse isto para dizer aquilo e... Aí se constrói toda uma trama de teorias e de conjecturas... Próprias... Jornalísticas.
Bom Dia!? Sorri, maliciosamente, a senhora, depois que o jovem sai da sala de espera. Repete com brandura, Bom Dia! E o mundo está sendo destruído lá fora. Abre a bolsa e afaga seu radinho de pilha.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Sinônimos
Maria Aparecida Pinto
Quando se fala em cultura, no que você pensa imediatamente? Talvez não seja na secção pipoca da TV aberta, ou nas tirinhas que enfeitam os muros e passarelas. Talvez, mas, só talvez, pense nas grades dos museus de arte contemporânea, nos seguranças dos de arte clássica, nas encadernações de capa dura tão caras aos colecionadores sofisticados...
E, então, você para e olha para aquela massa cinza e disforme que se amontoano seu sótão, com letra de excrementos de mosquito, como guardar aquilo? Como colecionar aquilo? E o pior e mais relevante, como lembrar daquilo? Das linhaças de cinza.
Linhaças de cinza. Boa metáfora, não concorda?
Adoro as editorias nobres porque elas por si só já carregam o título, já ostentam os louros que não lhes são de direito. Além do mais, tudo o que produzem já é arte, uma vez que tratam de arte...
Parece um raciocínio pequeno, ou no mínimo ingênuo e equivocado, mas é real. Mesmo quando se fala de ficção. Não se pode dizer que está tudo azul no caderno literato, mas espere pode ser que haja ainda uma ponta de esperança porque a luz no fim do túnel é, ora pois, é vermelha.
Quando se fala em cultura, no que você pensa imediatamente? Talvez não seja na secção pipoca da TV aberta, ou nas tirinhas que enfeitam os muros e passarelas. Talvez, mas, só talvez, pense nas grades dos museus de arte contemporânea, nos seguranças dos de arte clássica, nas encadernações de capa dura tão caras aos colecionadores sofisticados...
E, então, você para e olha para aquela massa cinza e disforme que se amontoano seu sótão, com letra de excrementos de mosquito, como guardar aquilo? Como colecionar aquilo? E o pior e mais relevante, como lembrar daquilo? Das linhaças de cinza.
Linhaças de cinza. Boa metáfora, não concorda?
Adoro as editorias nobres porque elas por si só já carregam o título, já ostentam os louros que não lhes são de direito. Além do mais, tudo o que produzem já é arte, uma vez que tratam de arte...
Parece um raciocínio pequeno, ou no mínimo ingênuo e equivocado, mas é real. Mesmo quando se fala de ficção. Não se pode dizer que está tudo azul no caderno literato, mas espere pode ser que haja ainda uma ponta de esperança porque a luz no fim do túnel é, ora pois, é vermelha.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Requentar e Servir?
Maria Aparecida Pinto
Há indicativos que nos dizem que o jornalismo é muito mais do que um pequeno Guinness. Mas, outros indicativos fortes nos conduzem a doce ilusão da indústria do entretenimento: massa de pão e pão de circo.
A maior edificação do mundo (será construída por uma família. Adivinhem... Adivinhem por qual. É... vocês realmente não poderiam adivinhar, mas a família havia se desligado dele antes dos atentados...); o “calote” mais esperado da história mundial, tão esperado “que não se deu por vias de fato”; pode-se dizer o maior número de “demissões” de políticos brasileiros de forma sucessiva... Estas são apenas algumas das várias notícias com as quais se tem contato por aí.
O maior e o menor do mundo, da nação, da cidade. O maior e o menor são dados curiosos, relativos e prestes a serem superados. O livro de recordes nunca saiu de moda. Nunca perde, portanto, a sua atualidade, mas nada pode ser mais tradicional (no jornalismo) do que o fait diver.
O maior e o menor. O que importam? A conjectura que constroem, que (e) molduram (ou não). Necessitam de argumentos e de implicações mais bem humorados e sorridentes durante o almoço e mais sérios e, como se diz mesmo? Compromissados e circunspectos no jornal diário da noite. A própria linguagem nos conduz com seu humilde, mas sensato requentar e servir.
Há indicativos que nos dizem que o jornalismo é muito mais do que um pequeno Guinness. Mas, outros indicativos fortes nos conduzem a doce ilusão da indústria do entretenimento: massa de pão e pão de circo.
A maior edificação do mundo (será construída por uma família. Adivinhem... Adivinhem por qual. É... vocês realmente não poderiam adivinhar, mas a família havia se desligado dele antes dos atentados...); o “calote” mais esperado da história mundial, tão esperado “que não se deu por vias de fato”; pode-se dizer o maior número de “demissões” de políticos brasileiros de forma sucessiva... Estas são apenas algumas das várias notícias com as quais se tem contato por aí.
O maior e o menor do mundo, da nação, da cidade. O maior e o menor são dados curiosos, relativos e prestes a serem superados. O livro de recordes nunca saiu de moda. Nunca perde, portanto, a sua atualidade, mas nada pode ser mais tradicional (no jornalismo) do que o fait diver.
O maior e o menor. O que importam? A conjectura que constroem, que (e) molduram (ou não). Necessitam de argumentos e de implicações mais bem humorados e sorridentes durante o almoço e mais sérios e, como se diz mesmo? Compromissados e circunspectos no jornal diário da noite. A própria linguagem nos conduz com seu humilde, mas sensato requentar e servir.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
músicas baianas, depreciação de mulheres e lei
Ouvi no Fantástico que uma deputada baiana vai apresentar uma lei que proíbe que bandas que depreciem as mulheres em suas composições de se apresentarem em eventos pagos com dinheiro público.
Sinceramente, faz já algum tempo que ne preocupo com letras que tratam as mulheres como objetos sexuais ou coisas piores mas sempre fui questionada. Dando-se voz aos compositores e vocalistas, ouvi aquilo que sempre ouvi de muitas pessoas ao meu redor: se as próprias mulherea "curtem", "aderem" à moda, porque eles deixariam de compor o que o povo gosta? Além de cantarem, elas treinam coreografias que insinuam o sexo (livre) e nestas parecem teatralizar o jogo da sedução nos palcos ou em quaisquer outros lugares onde as bandas se apresentem.
Há pouco tempo, em uma festa junina, não ouvi música junina mas esses tipos de composições e os duplos sentidos deixavam as pessoas mais velhas confusas e horrorizadas. Até mesmo as crianças coreografavam o que era cantado "sem vergonha e sem juízo" o que comprova a tese de que absorvermos o produto mas sequer analisamos o que absorvemos.
Mulheres tratadas como cadelas, potrancas, prostitutas, vadias se tornam musas. Deixaram elas de serem humanas? Mas as mulheres vibram e dançam sem parar como se aquilo em nada as ofendesse.
Lutou-se tanto tempo para que elas, pelo menos, chegassem perto do nível alcançado pelos homens e tudo volta às origens e elas aceitam sem questionar. O sexo, antigamente considerado algo solene entre um homem e uma mulher, profanizou-se entre as canções e desde "vai descendo na boquinha da garrafa" até as atuais composições em que a própria relação sexual é comandada pelo homem que dissemina palavrões e propõe seus métodos, se consolidou na coreografia e nas letras. Alguém pode argumentar que tudo é apenas brincadeira, "brincadeiragem" conforme um antropólogo na mesma notícia usou e definiu : "brincadeiragem é a forma baiana de unir brincadeira com libertagen" .
Qualquer dia vamos aceitar que nos puxem os cabelos e nos levem para qualquer lugar e depois nos abandonem dizendo que somos sub-espécies e cúmplices do retrocesso em que vivemos. Ainda bem que o programa questionou internautas se eles eram a favor ou contra as letras que difamam as mulheres e os que eram contra venceram. Ainda bem que uma mulher interrrogada disse que os músicos e compositores tinham mãe ( o que infere também esposas, irmãs, primas).
Postado por Elisabeth Maria de Souza Camilo
Sinceramente, faz já algum tempo que ne preocupo com letras que tratam as mulheres como objetos sexuais ou coisas piores mas sempre fui questionada. Dando-se voz aos compositores e vocalistas, ouvi aquilo que sempre ouvi de muitas pessoas ao meu redor: se as próprias mulherea "curtem", "aderem" à moda, porque eles deixariam de compor o que o povo gosta? Além de cantarem, elas treinam coreografias que insinuam o sexo (livre) e nestas parecem teatralizar o jogo da sedução nos palcos ou em quaisquer outros lugares onde as bandas se apresentem.
Há pouco tempo, em uma festa junina, não ouvi música junina mas esses tipos de composições e os duplos sentidos deixavam as pessoas mais velhas confusas e horrorizadas. Até mesmo as crianças coreografavam o que era cantado "sem vergonha e sem juízo" o que comprova a tese de que absorvermos o produto mas sequer analisamos o que absorvemos.
Mulheres tratadas como cadelas, potrancas, prostitutas, vadias se tornam musas. Deixaram elas de serem humanas? Mas as mulheres vibram e dançam sem parar como se aquilo em nada as ofendesse.
Lutou-se tanto tempo para que elas, pelo menos, chegassem perto do nível alcançado pelos homens e tudo volta às origens e elas aceitam sem questionar. O sexo, antigamente considerado algo solene entre um homem e uma mulher, profanizou-se entre as canções e desde "vai descendo na boquinha da garrafa" até as atuais composições em que a própria relação sexual é comandada pelo homem que dissemina palavrões e propõe seus métodos, se consolidou na coreografia e nas letras. Alguém pode argumentar que tudo é apenas brincadeira, "brincadeiragem" conforme um antropólogo na mesma notícia usou e definiu : "brincadeiragem é a forma baiana de unir brincadeira com libertagen" .
Qualquer dia vamos aceitar que nos puxem os cabelos e nos levem para qualquer lugar e depois nos abandonem dizendo que somos sub-espécies e cúmplices do retrocesso em que vivemos. Ainda bem que o programa questionou internautas se eles eram a favor ou contra as letras que difamam as mulheres e os que eram contra venceram. Ainda bem que uma mulher interrrogada disse que os músicos e compositores tinham mãe ( o que infere também esposas, irmãs, primas).
Postado por Elisabeth Maria de Souza Camilo
Assinar:
Comentários (Atom)