segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mortes na floresta

Maria Aparecida Pinto

Os noticiários alertam para mais um corpo que cai. Mandaram uma força tarefa. Muitos outros corpos já caíram. A floresta está cheia de corpos. Caídos ou prestes a cair.

- Se uma árvore cair e não houver ninguém para escutar, ela faz barulho?

- Como isto se relaciona com o jornalismo?

- Não sei, só estava pensando.

Mais um corpo cai. São todos corpos. Sem nome, sem idade, sem família. Informar é dar números. Informar é dizer quantos corpos caem. Porque os corpos que caem são retratados pelos que se mantém, são identificados como corpos caídos pelos que se mantém, são lidos pelos corpos que se mantém.

Mais um corpo que cai. Na verdade os corpos não caem sozinhos, por si só, na maior parte das vezes. Quando corpos caem sozinhos não há alerta para mais um corpo que cai.

- Interesse humano...

- Como isto se relaciona com o jornalismo?

- Não sei, só estava pensando.

- Como se relaciona com o jornalismo!

Crônica inspirada na matéria “Força-tarefa vai atuar contra mortes no campo” veiculada no dia 03 de junho de 2011 no jornal Correio do Brasil acessível em http://correiodobrasil.com.br/forca-tarefa-vai-atuar-contra-mortes-no-campo/249315/

Nenhum comentário:

Postar um comentário