Ouvi no Fantástico que uma deputada baiana vai apresentar uma lei que proíbe que bandas que depreciem as mulheres em suas composições de se apresentarem em eventos pagos com dinheiro público.
Sinceramente, faz já algum tempo que ne preocupo com letras que tratam as mulheres como objetos sexuais ou coisas piores mas sempre fui questionada. Dando-se voz aos compositores e vocalistas, ouvi aquilo que sempre ouvi de muitas pessoas ao meu redor: se as próprias mulherea "curtem", "aderem" à moda, porque eles deixariam de compor o que o povo gosta? Além de cantarem, elas treinam coreografias que insinuam o sexo (livre) e nestas parecem teatralizar o jogo da sedução nos palcos ou em quaisquer outros lugares onde as bandas se apresentem.
Há pouco tempo, em uma festa junina, não ouvi música junina mas esses tipos de composições e os duplos sentidos deixavam as pessoas mais velhas confusas e horrorizadas. Até mesmo as crianças coreografavam o que era cantado "sem vergonha e sem juízo" o que comprova a tese de que absorvermos o produto mas sequer analisamos o que absorvemos.
Mulheres tratadas como cadelas, potrancas, prostitutas, vadias se tornam musas. Deixaram elas de serem humanas? Mas as mulheres vibram e dançam sem parar como se aquilo em nada as ofendesse.
Lutou-se tanto tempo para que elas, pelo menos, chegassem perto do nível alcançado pelos homens e tudo volta às origens e elas aceitam sem questionar. O sexo, antigamente considerado algo solene entre um homem e uma mulher, profanizou-se entre as canções e desde "vai descendo na boquinha da garrafa" até as atuais composições em que a própria relação sexual é comandada pelo homem que dissemina palavrões e propõe seus métodos, se consolidou na coreografia e nas letras. Alguém pode argumentar que tudo é apenas brincadeira, "brincadeiragem" conforme um antropólogo na mesma notícia usou e definiu : "brincadeiragem é a forma baiana de unir brincadeira com libertagen" .
Qualquer dia vamos aceitar que nos puxem os cabelos e nos levem para qualquer lugar e depois nos abandonem dizendo que somos sub-espécies e cúmplices do retrocesso em que vivemos. Ainda bem que o programa questionou internautas se eles eram a favor ou contra as letras que difamam as mulheres e os que eram contra venceram. Ainda bem que uma mulher interrrogada disse que os músicos e compositores tinham mãe ( o que infere também esposas, irmãs, primas).
Postado por Elisabeth Maria de Souza Camilo