terça-feira, 28 de junho de 2011

O grande mapa mundi de notícias

Maria Aparecida Pinto

Abro o jornal e suas folhas encobrem-me de informações sobre várias localidades. Falam-me das tecnologias do Japão, dos conflitos árabes, das revoltas gregas, da bolsa de valores de Londres, dos invasores de sistemas de informática internacionais...

Não posso fazer uma viagem de 80 ou 90 dias pelo globo terrestre, mas posso sentar-me e ler o jornal matinal, assistir ao telejornal vespertino ou mesmo navegar nos portais de notícias pela madrugada. Uma volta ao mundo em, vamos colocar, 50 minutos. Uma parada em cada estação de informação com direito a guia, acompanhante (opcional), um pouco da criatividade publicitária:

“Informativo das onze. Esta é a hora da notícia. Um oferecimento das lojas Orvalho as melhores formas de pagamento e...”

A informação é um passaporte. Por meio dela podemos conhecer outras realidades que não as da rua de nossa casa, ou aquelas cerceadas pelas paredes do quarto de dormir.
Por isto quando o jornal informa que oito pessoas morreram na guerra contra o tráfico na cidade maravilhosa há um embarque.

Do mesmo modo, quando se informa a vitória de um time de futebol brasileiro em uma competição de relevância há um embarque.

O que os jornais informam sobre o Japão? O que os periódicos fornecem como dados sobre os EUA? E sobre a Itália?

Talvez não seja preciso perguntar sobre o que informam os jornais acerca dos países árabes.

O problema não é o que se informa, mas como se informa. Porque é através da forma que chegamos ao nosso destino de viagem. No mundo da informação, em que o noticiário refrata mais do que reflete a realidade, mundos imaginários e ideológicos podem ser facilmente visitados e conhecidos como se fossem reais.

O globo terrestre rodopia, o jornal amassa-se e o noticiário das seis desliga-se a tomada, mas pode-se muito bem correr o mundo, sem saber de que mundo se trata. E quando se retoma as perguntas anteriormente enfatizadas pode-se parafrasear o já questionado em: O que os astros revelam a você?

A partir do momento em que nos informamos podemos, agora sim, conhecer maravilhosos mundos imaginários e oníricos (não tão diferentes da realidade firmada como tal), pois sabemos que tudo está bem (foi noticiado).

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