Maria Aparecida Pinto
Quando se fala em cultura, no que você pensa imediatamente? Talvez não seja na secção pipoca da TV aberta, ou nas tirinhas que enfeitam os muros e passarelas. Talvez, mas, só talvez, pense nas grades dos museus de arte contemporânea, nos seguranças dos de arte clássica, nas encadernações de capa dura tão caras aos colecionadores sofisticados...
E, então, você para e olha para aquela massa cinza e disforme que se amontoano seu sótão, com letra de excrementos de mosquito, como guardar aquilo? Como colecionar aquilo? E o pior e mais relevante, como lembrar daquilo? Das linhaças de cinza.
Linhaças de cinza. Boa metáfora, não concorda?
Adoro as editorias nobres porque elas por si só já carregam o título, já ostentam os louros que não lhes são de direito. Além do mais, tudo o que produzem já é arte, uma vez que tratam de arte...
Parece um raciocínio pequeno, ou no mínimo ingênuo e equivocado, mas é real. Mesmo quando se fala de ficção. Não se pode dizer que está tudo azul no caderno literato, mas espere pode ser que haja ainda uma ponta de esperança porque a luz no fim do túnel é, ora pois, é vermelha.
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