quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sinônimos

Maria Aparecida Pinto

Quando se fala em cultura, no que você pensa imediatamente? Talvez não seja na secção pipoca da TV aberta, ou nas tirinhas que enfeitam os muros e passarelas. Talvez, mas, só talvez, pense nas grades dos museus de arte contemporânea, nos seguranças dos de arte clássica, nas encadernações de capa dura tão caras aos colecionadores sofisticados...

E, então, você para e olha para aquela massa cinza e disforme que se amontoano seu sótão, com letra de excrementos de mosquito, como guardar aquilo? Como colecionar aquilo? E o pior e mais relevante, como lembrar daquilo? Das linhaças de cinza.

Linhaças de cinza. Boa metáfora, não concorda?

Adoro as editorias nobres porque elas por si só já carregam o título, já ostentam os louros que não lhes são de direito. Além do mais, tudo o que produzem já é arte, uma vez que tratam de arte...

Parece um raciocínio pequeno, ou no mínimo ingênuo e equivocado, mas é real. Mesmo quando se fala de ficção. Não se pode dizer que está tudo azul no caderno literato, mas espere pode ser que haja ainda uma ponta de esperança porque a luz no fim do túnel é, ora pois, é vermelha.

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