quarta-feira, 22 de junho de 2011

Olhar para o céu

Maria Aparecida Pinto

A abóbada celeste, desde tempos remotos, contemplada não só por “leigos”, mas por intelectuais, cientistas e poetas encontra-se frequentemente nas páginas dos jornais, na home dos portais de notícias, nas produções dos jornais televisivos.
Você me diz que não pode ser possível. Você me diz que “está por dentro de tudo que rola nas mídias” e, principalmente, do que é noticiado pelas instituições responsáveis.
Mas, aí você se lembra e afirma satisfeito: Não... É verdade, o céu esteve mesmo em pauta, na verdade, não foi o céu propriamente dito, foi a lua, ou mais especificamente o eclipse.
Isto é verdade. Afirmo com certo vagar. Mas, também pode não ser.
O céu está sempre em pauta, ora. Ele é a abóbada. Ele é o manto. Na verdade, “na linguagem jornalística”, ele é o contexto. Informar não é fornecer números soltos, citações de especialistas, de cidadãos comuns e de órgãos do governo editadas e costuradas em um texto que trata de situações episódicas e pontuais.
Informar é construir uma realidade social e uma realidade social não se constrói pela simples justaposição de fatos episódicos. Fatos estes que cumprem um círculo de continuidade de cinco em cinco anos, de quinze em quinze anos, ou como no bom jornalismo, de minuto a minuto. Fatos que lançam sombras mais do que luz.
Você olha para o céu e me diz satisfeito: Então, nunca foi o céu, não é?
Percebo que a crônica estava “encerrada”.

Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas realizadas sobre o eclipse lunar que aconteceu em 15 de junho de 2011.

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