Maria Aparecida Pinto
Abro o jornal e suas folhas encobrem-me de informações sobre várias localidades. Falam-me das tecnologias do Japão, dos conflitos árabes, das revoltas gregas, da bolsa de valores de Londres, dos invasores de sistemas de informática internacionais...
Não posso fazer uma viagem de 80 ou 90 dias pelo globo terrestre, mas posso sentar-me e ler o jornal matinal, assistir ao telejornal vespertino ou mesmo navegar nos portais de notícias pela madrugada. Uma volta ao mundo em, vamos colocar, 50 minutos. Uma parada em cada estação de informação com direito a guia, acompanhante (opcional), um pouco da criatividade publicitária:
“Informativo das onze. Esta é a hora da notícia. Um oferecimento das lojas Orvalho as melhores formas de pagamento e...”
A informação é um passaporte. Por meio dela podemos conhecer outras realidades que não as da rua de nossa casa, ou aquelas cerceadas pelas paredes do quarto de dormir.
Por isto quando o jornal informa que oito pessoas morreram na guerra contra o tráfico na cidade maravilhosa há um embarque.
Do mesmo modo, quando se informa a vitória de um time de futebol brasileiro em uma competição de relevância há um embarque.
O que os jornais informam sobre o Japão? O que os periódicos fornecem como dados sobre os EUA? E sobre a Itália?
Talvez não seja preciso perguntar sobre o que informam os jornais acerca dos países árabes.
O problema não é o que se informa, mas como se informa. Porque é através da forma que chegamos ao nosso destino de viagem. No mundo da informação, em que o noticiário refrata mais do que reflete a realidade, mundos imaginários e ideológicos podem ser facilmente visitados e conhecidos como se fossem reais.
O globo terrestre rodopia, o jornal amassa-se e o noticiário das seis desliga-se a tomada, mas pode-se muito bem correr o mundo, sem saber de que mundo se trata. E quando se retoma as perguntas anteriormente enfatizadas pode-se parafrasear o já questionado em: O que os astros revelam a você?
A partir do momento em que nos informamos podemos, agora sim, conhecer maravilhosos mundos imaginários e oníricos (não tão diferentes da realidade firmada como tal), pois sabemos que tudo está bem (foi noticiado).
Leia, mude, faça suas sugestões, crie uma nova crônica sobre o tema, interaja. Somos Elisabeth Camilo,Maria Aparecida Pinto e Marcela Servano, alunas do curso de jornalismo da UFOP
terça-feira, 28 de junho de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Alguns minutos de fama
O garotinho aparece no noticiário, sendo preso porque mantinha em casa alguma droga ilícita. O repórter não suporta sua curiosidade e questiona, até mesmo para sacudir o emocional e a curiosidade do telespectador, ele quer saber por que o adolescente trafica A resposta do menino é imediata, ele quer ficar rico...
Bem, ele sabe que traficantes são ricos, que moram em mansões, que possuem SPAs em casa, que podem tudo que querem. Ele sabe porque a mídia mostrou com detalhes, quando invadiu a favela paulista e a carioca ou mesmo quando decide mostrar em documentário a dicotomia entre as vidas dos que usam a droga e dos que vendem a mesma. Então, o menino, que é pobre, tem razão, traficante é rico e ele também quer sair da vida da pobreza.
Vemos todos os dias, de alguma forma, a exaltação dos maus em detrimento dos que são bons. O cara bêbado que atropelou e matou e que aparece na TV, rindo da polícia, afirmando categoricamente que a impunidade libera quem tem dinheiro para pagar a fiança. Aquele indivíduo de carteira de motorista caçada, que bebeu, bebeu, bebeu e que novamente bebeu e novamente provocou um acidente, no foco da câmera, saindo livre da bagunça em que se envolveu...
Nao há o que dizer para os nossos meninos e para os desesperados sem dinheiro e sem emprego... Eles já elegeram seus heróis e seus heróis são aqueles que ganharam alguns minutos de fama aparecendo na telinha ou registrados nas primeiras páginas dos jornais. Foi com algum susto que ouvi há algum tempo, no Fantástico, numa enquete sobre " quem você gostaria de ser" um menino responder que gostaria de ser o Fernandinho Beira Mar porque ele passeia de avião...
Sei que o papel da mídia é informar mas não precisa ficar quinze minutos falando do bandido porque isso incita quem não é a ser.
Está passando da hora de a gente dar um jeito nisso, ou seja, mostrar o vilâo sem torná-lo figura famosa...
Bem, ele sabe que traficantes são ricos, que moram em mansões, que possuem SPAs em casa, que podem tudo que querem. Ele sabe porque a mídia mostrou com detalhes, quando invadiu a favela paulista e a carioca ou mesmo quando decide mostrar em documentário a dicotomia entre as vidas dos que usam a droga e dos que vendem a mesma. Então, o menino, que é pobre, tem razão, traficante é rico e ele também quer sair da vida da pobreza.
Vemos todos os dias, de alguma forma, a exaltação dos maus em detrimento dos que são bons. O cara bêbado que atropelou e matou e que aparece na TV, rindo da polícia, afirmando categoricamente que a impunidade libera quem tem dinheiro para pagar a fiança. Aquele indivíduo de carteira de motorista caçada, que bebeu, bebeu, bebeu e que novamente bebeu e novamente provocou um acidente, no foco da câmera, saindo livre da bagunça em que se envolveu...
Nao há o que dizer para os nossos meninos e para os desesperados sem dinheiro e sem emprego... Eles já elegeram seus heróis e seus heróis são aqueles que ganharam alguns minutos de fama aparecendo na telinha ou registrados nas primeiras páginas dos jornais. Foi com algum susto que ouvi há algum tempo, no Fantástico, numa enquete sobre " quem você gostaria de ser" um menino responder que gostaria de ser o Fernandinho Beira Mar porque ele passeia de avião...
Sei que o papel da mídia é informar mas não precisa ficar quinze minutos falando do bandido porque isso incita quem não é a ser.
Está passando da hora de a gente dar um jeito nisso, ou seja, mostrar o vilâo sem torná-lo figura famosa...
Olhar para o céu
Maria Aparecida Pinto
A abóbada celeste, desde tempos remotos, contemplada não só por “leigos”, mas por intelectuais, cientistas e poetas encontra-se frequentemente nas páginas dos jornais, na home dos portais de notícias, nas produções dos jornais televisivos.
Você me diz que não pode ser possível. Você me diz que “está por dentro de tudo que rola nas mídias” e, principalmente, do que é noticiado pelas instituições responsáveis.
Mas, aí você se lembra e afirma satisfeito: Não... É verdade, o céu esteve mesmo em pauta, na verdade, não foi o céu propriamente dito, foi a lua, ou mais especificamente o eclipse.
Isto é verdade. Afirmo com certo vagar. Mas, também pode não ser.
O céu está sempre em pauta, ora. Ele é a abóbada. Ele é o manto. Na verdade, “na linguagem jornalística”, ele é o contexto. Informar não é fornecer números soltos, citações de especialistas, de cidadãos comuns e de órgãos do governo editadas e costuradas em um texto que trata de situações episódicas e pontuais.
Informar é construir uma realidade social e uma realidade social não se constrói pela simples justaposição de fatos episódicos. Fatos estes que cumprem um círculo de continuidade de cinco em cinco anos, de quinze em quinze anos, ou como no bom jornalismo, de minuto a minuto. Fatos que lançam sombras mais do que luz.
Você olha para o céu e me diz satisfeito: Então, nunca foi o céu, não é?
Percebo que a crônica estava “encerrada”.
Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas realizadas sobre o eclipse lunar que aconteceu em 15 de junho de 2011.
A abóbada celeste, desde tempos remotos, contemplada não só por “leigos”, mas por intelectuais, cientistas e poetas encontra-se frequentemente nas páginas dos jornais, na home dos portais de notícias, nas produções dos jornais televisivos.
Você me diz que não pode ser possível. Você me diz que “está por dentro de tudo que rola nas mídias” e, principalmente, do que é noticiado pelas instituições responsáveis.
Mas, aí você se lembra e afirma satisfeito: Não... É verdade, o céu esteve mesmo em pauta, na verdade, não foi o céu propriamente dito, foi a lua, ou mais especificamente o eclipse.
Isto é verdade. Afirmo com certo vagar. Mas, também pode não ser.
O céu está sempre em pauta, ora. Ele é a abóbada. Ele é o manto. Na verdade, “na linguagem jornalística”, ele é o contexto. Informar não é fornecer números soltos, citações de especialistas, de cidadãos comuns e de órgãos do governo editadas e costuradas em um texto que trata de situações episódicas e pontuais.
Informar é construir uma realidade social e uma realidade social não se constrói pela simples justaposição de fatos episódicos. Fatos estes que cumprem um círculo de continuidade de cinco em cinco anos, de quinze em quinze anos, ou como no bom jornalismo, de minuto a minuto. Fatos que lançam sombras mais do que luz.
Você olha para o céu e me diz satisfeito: Então, nunca foi o céu, não é?
Percebo que a crônica estava “encerrada”.
Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas realizadas sobre o eclipse lunar que aconteceu em 15 de junho de 2011.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
sinceridade e jornalismo
Em tempos em que discussão de ética e de outras normas de conduta permeiam os estudos do jornalismo, acabo de ler no jornal "Hoje em Dia" de 12 de junho de 2011 uma notícia que me faz refletir sobre o verdadeiro papel do jornalista. A matéria " Jornalista encara a tarefa de ser sinceto" (Mosaico Saer pg 12) coloca em dúvida se as fontes oficiais e os fatos noticiados são ou não confiáveis, já que um repórter alemão escreveu um livro ( relato de experiência) mostrando como foi difícil ser sincero durante 40 dias. O jornal defende a obra como divertida e inusitada mas podemos inferir da mesma que alguns jornalistas mentem para os usuários da informação.
O autor sugere que " a mentira é inerente ao homem" e, de alguma forma, diz que a sinceridade tem que imperar no mundo do jornalismo, mas fica aqui o meu questionamento: devemos ou não repensar a questão da ética dentro do que chamamos de "quarto poder".
O autor sugere que " a mentira é inerente ao homem" e, de alguma forma, diz que a sinceridade tem que imperar no mundo do jornalismo, mas fica aqui o meu questionamento: devemos ou não repensar a questão da ética dentro do que chamamos de "quarto poder".
Era uma vez, no país do futebol
Era uma vez um país do futebol. Futebol era tudo para aquele povo feliz. Em dia de jogo, o país parava e todos vibravam porque futebol era arte, era entretenimento e era amor à nação e à camisa. Um dia chegou a bruxa má e amaldiçoou aquele país com a praga mais terrível que ela podia: disseminou o pó da corrupção em vento própício para que ele chegasse em todos os âmbitos.
Aprendeu-se a lavar dinheiro com a compra e avenda de craques, que viraram literalmente "cracks" porque aceitaram as propinas e sabendo do pó que se escondia sob o tapete verde dos gramados, ficaram calados e, assim, admitiram o feitiço.
Não falo de um Adriano, imperador, que saiu da Europa com o honroso título de pior jogador da temporada e nem de Ronaldo e sua triste história com os travestis. Não, não falo de Edmundo, com prisão preventiva por causa de crime do passado e nem mesmo pronho uma discussão sob o enriquecimento da família Perrela. Vou falar de maldição mais séria, de vodus trágicos, de trabalho de magia negra da pesada, envolvendo um dos times mais amados do Brasil, um lá de São Paulo, que tem como chefe Andres Sanchez.
É de estarrecer qualquer brsileiro saber o que esta pessoa faz e fez para se transformar no homem daquele time. Suas palavras não foram infelizes, foram capazes de condenar toda a história do time paulista porque coloca em cheque, inclusive, contratações e resultados de campeonatos anteriores, o que pode também anexar compras de juízes e manipulação de resultados.
Quem se envolve com gângsters pode tudo mas passa também a fazer parte do clube. Ele é amigo do Ricardo Teixeira e da Globo, que segundo ele mesmo, são gângster e ele pode tudo por causa dessas amizades.
Quando eu era uma criança, ensinaram-me algo muito importante que até hoje levo muito a sério. Disseram-me que há três coisas que não podem ser recuperadas: a pedra atirada, a palavrada dita e o tempo perdido. Andres atirou a pedra, falou a palavra e mostrou para o povo brasileiro ( e também estrangeiro) que o mantém-se no Brasil são as ideologias do Brasil Colonial onde vence quem manda e quem tem poder.
Globo, por favor, repense sobre quem você chama de amigo e CBF, comece a procurar um advogado que não seja da máfia.
No país que amava futebol, agora o que se ouve são histórias de corrupção em Comitês Olímpicos, de propostas indecentes para construção de estádio para um time em crise com dinheiro público ( neste momento em que saúde, educação e segurança pedem socorro no Brasil, vamos Liberar hum bilhão para um time de futebol, usando palavras que mudem o viés da coisa para que os menos analíticos achem que tudo está certo) tudo porque a velha brincadeira infantil também retornou ao cenário:
- Faremos tudo que o mestre mandar - faremos tudo
- e se não fizermos, ganharemos um bolo ( castigo com palmatória - metaforizada em assistência precária em todos os serviços prestados pelo Governo).
Sei que um dos motivos que levou a Record a colocar no ar a reportagem sobre o Estádio do Coríntians e o poder absoluto de Andres Sanchez tinha outro fundamento ( Globo) mas que valeu a pena mostrar para o povo brasileiro que ele é o cego para coisas básicas, ah, isso valeu!
Elisabeth Maria de Souza Camilo
Aprendeu-se a lavar dinheiro com a compra e avenda de craques, que viraram literalmente "cracks" porque aceitaram as propinas e sabendo do pó que se escondia sob o tapete verde dos gramados, ficaram calados e, assim, admitiram o feitiço.
Não falo de um Adriano, imperador, que saiu da Europa com o honroso título de pior jogador da temporada e nem de Ronaldo e sua triste história com os travestis. Não, não falo de Edmundo, com prisão preventiva por causa de crime do passado e nem mesmo pronho uma discussão sob o enriquecimento da família Perrela. Vou falar de maldição mais séria, de vodus trágicos, de trabalho de magia negra da pesada, envolvendo um dos times mais amados do Brasil, um lá de São Paulo, que tem como chefe Andres Sanchez.
É de estarrecer qualquer brsileiro saber o que esta pessoa faz e fez para se transformar no homem daquele time. Suas palavras não foram infelizes, foram capazes de condenar toda a história do time paulista porque coloca em cheque, inclusive, contratações e resultados de campeonatos anteriores, o que pode também anexar compras de juízes e manipulação de resultados.
Quem se envolve com gângsters pode tudo mas passa também a fazer parte do clube. Ele é amigo do Ricardo Teixeira e da Globo, que segundo ele mesmo, são gângster e ele pode tudo por causa dessas amizades.
Quando eu era uma criança, ensinaram-me algo muito importante que até hoje levo muito a sério. Disseram-me que há três coisas que não podem ser recuperadas: a pedra atirada, a palavrada dita e o tempo perdido. Andres atirou a pedra, falou a palavra e mostrou para o povo brasileiro ( e também estrangeiro) que o mantém-se no Brasil são as ideologias do Brasil Colonial onde vence quem manda e quem tem poder.
Globo, por favor, repense sobre quem você chama de amigo e CBF, comece a procurar um advogado que não seja da máfia.
No país que amava futebol, agora o que se ouve são histórias de corrupção em Comitês Olímpicos, de propostas indecentes para construção de estádio para um time em crise com dinheiro público ( neste momento em que saúde, educação e segurança pedem socorro no Brasil, vamos Liberar hum bilhão para um time de futebol, usando palavras que mudem o viés da coisa para que os menos analíticos achem que tudo está certo) tudo porque a velha brincadeira infantil também retornou ao cenário:
- Faremos tudo que o mestre mandar - faremos tudo
- e se não fizermos, ganharemos um bolo ( castigo com palmatória - metaforizada em assistência precária em todos os serviços prestados pelo Governo).
Sei que um dos motivos que levou a Record a colocar no ar a reportagem sobre o Estádio do Coríntians e o poder absoluto de Andres Sanchez tinha outro fundamento ( Globo) mas que valeu a pena mostrar para o povo brasileiro que ele é o cego para coisas básicas, ah, isso valeu!
Elisabeth Maria de Souza Camilo
segunda-feira, 13 de junho de 2011
“Alguma coisa está fora da (nova) ordem mundial”
Maria Aparecida Pinto
Uma das coisas que Ícaro aprendera na velha escola de jornalismo fora a respeito da ordem das coisas. “Agora está tudo mudado, a ordem pejorou-se nariz de cera!” Vá direto diz a placa de trânsito, mas também é o que diz o Manual de Redação.
Então Ícaro, como fazemos?
Sejamos objetivos, sejamos concisos, nada de supérfluo, gente! E a dona construção textual que vá chorar suas mazelas em outra soleira. Mas lembrem-se, não sejam telegráficos, antipáticos, apáticos e principalmente parciais. Quais as bocas objetivas e não telegráficas que sussurram?
Cai em prantos agora a senhorita subjetividade. Corre histérica e some... Como mágica! Como se nunca existira. Quais são estes olhos que veem o sumiço da subjetividade? Quais mãos informam sobre este repente?
É Ícaro... Agora, tudo mudado está. Mas, não fique triste ainda há narizes de cera, talvez maiores do que os de outrora. Mesmo Veríssimo, não pode brincar com a exterioridade da cavidade nasal. Algumas produções jornalísticas são noventa por cento de estória. Guardem o suspense (ao invés de outra qualquer coisa), mantenham o suspense como Hitchcock, até o final, pois isto também mantém a expectativa de alguma informação para a última linha diagramada.
É que na verdade, trata-se de uma questão menos médica e mais comercial. Menos médica e mais diplomática. Trata-se de falar de ditaduras e de ditaduras, no barril, oh desculpe-me quis dizer Brasil, não se fala. Ou fala-se apenas no final quando muitos já saíram do recinto ou derreteram o nariz de cera com notícia e tudo.
Crônica inspirada na matéria “Chávez passa por cirurgia de emergência em Cuba” publicada na edição de 11 de junho de 2011 do jornal Correio do Brasil por redação com BBC. Acessível em http://correiodobrasil.com.br/chavez-passa-por-cirurgia-de-emergencia-em-cuba/253114/
Uma das coisas que Ícaro aprendera na velha escola de jornalismo fora a respeito da ordem das coisas. “Agora está tudo mudado, a ordem pejorou-se nariz de cera!” Vá direto diz a placa de trânsito, mas também é o que diz o Manual de Redação.
Então Ícaro, como fazemos?
Sejamos objetivos, sejamos concisos, nada de supérfluo, gente! E a dona construção textual que vá chorar suas mazelas em outra soleira. Mas lembrem-se, não sejam telegráficos, antipáticos, apáticos e principalmente parciais. Quais as bocas objetivas e não telegráficas que sussurram?
Cai em prantos agora a senhorita subjetividade. Corre histérica e some... Como mágica! Como se nunca existira. Quais são estes olhos que veem o sumiço da subjetividade? Quais mãos informam sobre este repente?
É Ícaro... Agora, tudo mudado está. Mas, não fique triste ainda há narizes de cera, talvez maiores do que os de outrora. Mesmo Veríssimo, não pode brincar com a exterioridade da cavidade nasal. Algumas produções jornalísticas são noventa por cento de estória. Guardem o suspense (ao invés de outra qualquer coisa), mantenham o suspense como Hitchcock, até o final, pois isto também mantém a expectativa de alguma informação para a última linha diagramada.
É que na verdade, trata-se de uma questão menos médica e mais comercial. Menos médica e mais diplomática. Trata-se de falar de ditaduras e de ditaduras, no barril, oh desculpe-me quis dizer Brasil, não se fala. Ou fala-se apenas no final quando muitos já saíram do recinto ou derreteram o nariz de cera com notícia e tudo.
Crônica inspirada na matéria “Chávez passa por cirurgia de emergência em Cuba” publicada na edição de 11 de junho de 2011 do jornal Correio do Brasil por redação com BBC. Acessível em http://correiodobrasil.com.br/chavez-passa-por-cirurgia-de-emergencia-em-cuba/253114/
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Mortes na floresta
Maria Aparecida Pinto
Os noticiários alertam para mais um corpo que cai. Mandaram uma força tarefa. Muitos outros corpos já caíram. A floresta está cheia de corpos. Caídos ou prestes a cair.
- Se uma árvore cair e não houver ninguém para escutar, ela faz barulho?
- Como isto se relaciona com o jornalismo?
- Não sei, só estava pensando.
Mais um corpo cai. São todos corpos. Sem nome, sem idade, sem família. Informar é dar números. Informar é dizer quantos corpos caem. Porque os corpos que caem são retratados pelos que se mantém, são identificados como corpos caídos pelos que se mantém, são lidos pelos corpos que se mantém.
Mais um corpo que cai. Na verdade os corpos não caem sozinhos, por si só, na maior parte das vezes. Quando corpos caem sozinhos não há alerta para mais um corpo que cai.
- Interesse humano...
- Como isto se relaciona com o jornalismo?
- Não sei, só estava pensando.
- Como se relaciona com o jornalismo!
Crônica inspirada na matéria “Força-tarefa vai atuar contra mortes no campo” veiculada no dia 03 de junho de 2011 no jornal Correio do Brasil acessível em http://correiodobrasil.com.br/forca-tarefa-vai-atuar-contra-mortes-no-campo/249315/
Os noticiários alertam para mais um corpo que cai. Mandaram uma força tarefa. Muitos outros corpos já caíram. A floresta está cheia de corpos. Caídos ou prestes a cair.
- Se uma árvore cair e não houver ninguém para escutar, ela faz barulho?
- Como isto se relaciona com o jornalismo?
- Não sei, só estava pensando.
Mais um corpo cai. São todos corpos. Sem nome, sem idade, sem família. Informar é dar números. Informar é dizer quantos corpos caem. Porque os corpos que caem são retratados pelos que se mantém, são identificados como corpos caídos pelos que se mantém, são lidos pelos corpos que se mantém.
Mais um corpo que cai. Na verdade os corpos não caem sozinhos, por si só, na maior parte das vezes. Quando corpos caem sozinhos não há alerta para mais um corpo que cai.
- Interesse humano...
- Como isto se relaciona com o jornalismo?
- Não sei, só estava pensando.
- Como se relaciona com o jornalismo!
Crônica inspirada na matéria “Força-tarefa vai atuar contra mortes no campo” veiculada no dia 03 de junho de 2011 no jornal Correio do Brasil acessível em http://correiodobrasil.com.br/forca-tarefa-vai-atuar-contra-mortes-no-campo/249315/
Assinar:
Comentários (Atom)