segunda-feira, 9 de maio de 2011

Há notícia

Maria Aparecida Pinto

Qual é a tênue diferença entre o jornalismo humanizado e o jornalismo sensacionalista?
Ambos desejam comover, não é mesmo?
Ambos desejam provocar afloração de sentimentos.
A diferença não e tão tênue.
Talvez não se possa compará-los.
Comove ver a luta de um menino contra a leucemia.
Comove ver seu desejo de vida, seu esforço e incansável sorriso.

A criança é a boa vítima?
É sim.
Mas, desta vez, os monstros salvam-na (de alguma forma).
Isto pode ser um começo da desconstrução da polaridade herói/vilão, tão prezada pelos vigilantes?
Vigilantes, vingadores, defensores da justiça, cães de guarda...temas que se confundem ...
...termos que se confundem ...
práticas que se confundem.
Os monstros possuem duas faces.
Os heróis possuem duas faces.
Humanização e sensacionalismo são duas faces? Duas faces de quê?
O tocante.
O jornalismo informa. Mas sobretudo forma.
Forma cidadãos. É um dos seus deveres.
O jornalismo pode ter ou não música tema.
Mas, possui vários superpoderes.
Com os poderes vem a responsabilidade.
Não se pode salvar todos.
Alguns teóricos falam que o jornalismo é o termômetro da sociedade.
Então qual é a tênue diferença entre o jornalismo humanizado e o jornalismo sensacionalista?

O humanizado precisa de um “gancho”: algum aspecto que o justifique como notícia no momento presente.
O humanizado precisa de uma linguagem poética , literária (o New Journalism).
O humanizado não se condiciona por números.
O humanizado não pode estandartizar a situação.

E o sensacionalista ?
O sensacionalista é uma trama.
O sensacionalista é um drama.
O sensacionalista é uma redundância.
O sensacionalista projeta a voz para assustar, chocar, gerar consternação.

A diferença não é tão tênue, mesmo em um mundo globalizado em que limites de tempo e espaço encontram -se es espaço encontram se diluídos por talheres tecnológicos.
Em que a América respira aliviada , pausadamente e feliz.
O passado é importante mas, o futuro depende de nós.
Lutando contra monstros que construímos e que nos ajudam a sobreviver.
Sem heróis, sem vilões, sem monstros ,sem mocinhos o que há?
Com certeza não há notícia.

Crônica inspirada no jornal Bom Dia Brasil edição de 09 de maio de 2011 exibido pela TV Globo.

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