quinta-feira, 14 de julho de 2011

Como as palavras dizem sobre o jornalismo

Maria Aparecida Pinto

E vovô abre a revista e percorre as páginas com seus olhos de bom mineiro ressabiado. O que está acontecendo mesmo com a Europa? Senhor Alceu não sabe bem ao certo. Não é um expert em finanças ou em economia. Não entende, por isto, a crise do euro.

Mas, vamos ser sinceros. Há uma perspectiva de que os leitores de jornais e revistas, mais de jornais do que de revistas, não entendem muito bem as coisas. Por isto, dizem que há a necessidade de se mastigar para a “massa”. Como nos vemos como nação emancipada, não podemos usar a metáfora polêmica de Homer Simpson, para o conhecido homem médio. E nem seria sensato ou ético, não é mesmo? Por causa do hoje tão em voga politicamente correto. Somente alguns semideuses impassíveis das leis humanas fomentam a mídia, ou constroem-na retirando ou ignorando “polidamente” este pilar do arquétipo social.

O que é mesmo um homem médio? Vovô não sabe ao certo. Senhor Alceu não possui pós-doutorado em antropologia, sociologia ou mesmo em qualquer outra humanas. Também não possui graduações em exatas. Pobre vovô. Pobre “massa” desamparada pelas coberturas que ao mesmo tempo desdenham e superestimam a sua inteligência e o seu poder crítico. Pobre vovô. Nos seus tempos áureos era mais fácil, não é mesmo vovô?!

E agora vovô? O que lhe dizem tantas palavras de agência. Não se trata mais de uma escrita telegráfica, não é?! Mas, não se pode dizer com absoluta certeza que não pertença a esta ordem.

Palavras tais como default. Tais como rating. Expressões como “default seletivo”. Adam de mãos dadas com vocábulos mais conhecidos, mas ainda enigmáticos como situação, deteriora, alarma, vizinhos, assim como os termos cúpula, emergencial, moratória, contágio, agência, urgência, diplomata, autoridades, uma fonte, euro, nó seria um nó de marinheiro, górdio, é este mesmo o termo?). Além deste ditado, há ainda posição, frisou, vencimentos, rolar, progresso, hipóteses, questionado e mercados financeiros. Ainda bem que de mãos dadas elas formam uma ciranda. Seria esta de pedra?

É... Como as palavras dizem sobre o jornalismo, não é mesmo pai do meu pai? Então como nos alerta uma canção: CUIDADO!


Crônica inspirada na matéria “Situação grega se deteriora rapidamente e alarma vizinhos europeus” publicada, em 12 de julho de 2011, por Redação do jornal Correio do Brasil, com agências internacionais - de Bruxelas. Acesso em http://correiodobrasil.com.br/situacao-grega-se-deteriora-rapidamente-e-alarma-vizinhos-europeus/267690/.

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