quarta-feira, 4 de maio de 2011

As epidemias e o mar

Maria Aparecida Pinto

Pelas ruas do Oriente Médio não há posicionamento sobre a morte do terrorista. Uns comemoram. Outros choram. Aqueles se sentem apáticos.
Pelas ruas da Europa não se comemora. Apenas os líderes europeus manifestam se com cautela em seus recintos por medo de retalias.
Pelas ruas da América comemora se há dois ou três dias. Pelas ruas norte-americanas comemora se a morte do terrorista.

O terrorista “não era nada” afirma o noticiário: era um líder sem seguidores. Um endereço sem rua. Mera figura simbólica... Mas, o sociólogo corrige a tempo: figura simbólica e prática, não dois lados da moeda: mas faces que compõem o todo.

O terrorista não era nada: ele desejava restituir a Idade Média, “em que as pestes assolavam os feudos e não havia cultura”. Feudos, localidades que se limitavam por tênues limites concretos e imaginários.

Os concretos, as muralhas. O local para pilhagem de corpos insepultos (não se pode falar em corpos insepultos) era atrás das muralhas, atrás dos limites das cidades ou no mar.
Pelas ruas do Brasil não se comemora. É preciso buscar a comoção nacional.
As ruas sempre disseram muitas coisas sobre vilões e sobre mocinhos.

Os EUA, os famosos Estados Unidos da América vestem sua capa vermelha e azul colocam seus aparatos retóricos, argumentativos (fortemente armados e teleguiados) e sua máscara.
Os EUA caminham pelas RUAS relatando as comemorações.
A morte do terrorista não se resume às comemorações ou não comemorações. O jornalismo não deve pautar se por comemorações e não comemorações. Comemorações, este foi o termo da noite.
Comemorações, comoções: tudo isto não informa. E enquanto se comemora baixa-se a guarda.

Certos super-heróis andam pedindo novas nacionalidades... É o que também se comemora por aí.
Certos cães de guarda andam guardando mais a casa do que o dono da casa. Andam também unindo Oriente Médio em bloco único: um bloco de religião, petróleo e perigo constante.


Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas:
Jornal da Globo exibido no dia 02 de maio de 2011,
Edição de 03 de maio dos jornais Estado de Minas e Hoje Em Dia.

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