quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tenda

Maria Aparecida Pinto

E multicolorida aparece inflando-se de ar e de vento. O vento se esvai e fica somente o ar. Aquele mesmo ar que apontou figuras e espiou portas é o mesmo ar que faz ruflar a imensa tenda.

O cenário é de domingo e tarde de sol, mas pode ser de céu nublado com possibilidades de chuvas e risco de trovoadas. Na verdade, quem garante não se encontra no recinto. E o mundo acaba tornando-se o mundo das notícias. O mundo das opiniões e ameaças de notícias. O mundo das quedas e conquistas já anunciadas sempre como um gancho. Como um alfinete, à moda antiga.

Mas se trata de uma nova versão. Em que os ventos uivantes continuam a exercer o seu papel... O de encher tendas... O de reconhecer multidões convulsas... O de dividir aliados e não aliados e avaliar...

O mais impressionante é o barulho do inflar-se. Aquele sopro de exaustor de máquina. E quando se olha em volta, não é que todos são crianças esperando as boas novas?

- Ei moço, tem pipoca?

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