Vamos comprar a geladeira em promoção mas logo deparamos com um cartaz onde se pode ler que aquela loja não recebe cheque em hipótese alguma. A curiosidade sempre me persegue e antes de ir ao banco sacar a grana para comprar a geladeira visitei pelo menos mais dez lojas e o aviso era o mesmo: cheque não entra aqui.
Abandonei meu talão no fundo de um velho baú e decidi usar cartão de débito e, em caso de precisar pagar uma dívida no crédito, peço logo os boletos de banco.
Já faz algum tempo que as folhas de cheque passaram a ser discriminadas no país, principalmente as das pessoas físicas. Entretanto, na semana do casamento real, a mídia liberou a informação e poucos prestaram atenção ao que ela dizia: novas regras para o uso do cheque foram negociadas entre o Banco Central e os bancos, de forma que agora, as folhas tão discriminadas terão prazo de validade e seus donos terão que fazer novos cadastros nas agências em que possuem contas. Os caloteiros não podem mais sustar cheques e um sistema, parecido com o SPC, será criado para proteger quem recebe as notas de crédito.
Parei para pensar porque fiquei intrigada com a notícia. Se cheque praticamente está em extinção para os plebeus financeiros, por que tanto trabalho para reformular um sistema e por que tanto gasto para criar novas leis para seu uso?
As notícias foram rápidas na TV e nos impressos ganharam as primeiras páginas de alguns jornais mas não vi economistas comentando o assunto para explicar para todos nós a razão de tanto esforço burocrático para um documento em extinção. Sinceramente, o que li e ouvi foi o quanto a família real gastou devido ao casamento do príncipe e quanto pretendia receber com a venda de copos, pratos, bandeiras, anéis, toalhas de mesas além de todas as outras bugingangas vendidas para ver se a estrutura financeira britânica se recupera da crise em que está imersa. Enquanto isso, no Brasil, quando os brasileiros se deliciavam com a pompa real, alguém tentava ressuscitar o chequinho tão magrinho, acuado no fundo do baú, negligenciado, esquecido, excluído economicamente de nossos shoppings, lojas, bares, mercearias e outros lugares onde outrora podia ser usado até pré-datado...
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