segunda-feira, 30 de maio de 2011

Gavetas

Maria Aparecida Pinto

Muitas pessoas opõem Jornalismo a História. Outros ainda, distanciam o Jornalismo da Literatura, ignorando totalmente o que se convencionou chamar de NewJornoulism. Parece debate de teórico empático, não é?!

Talvez seja. Mas, a verdade é que o Jornalismo não se distancia nem da História e nem da Literatura.

Lê-se na manchete de primeira página “Berlusconi comete nova gafe e envergonha italianos”.

Conta uma novidade!

A gaveta faz parte do folclore literário. Dizia certo escritor que se você quisesse saber se um texto em prosa ou em verso era bom, ou seja, se era realmente Literatura, bastava deixa-lo guardado em uma gaveta, por cinco ou seis anos. Deixar que o tempo imprimisse suas pisadas.

Depois deste período de espera, se você lese a produção e achasse que ela valia a pena realmente esta era e é literatura. Trata-se de um conceito clássico.

O Jornalismo faz o mesmo: “nova gafe” pressupõe uma trilogia.

E Berlusconi?

Uma foto abaixo da manchete. O político com as mãos voltadas para cima. A expressão fácil clichê “de como assim?” ou “necessito explicações”.

A partir de enfoques conferidos às situações passadas, que povoam o imaginário popular como fábulas e contos (o Jornalismo possui certo viés de cartilha), torna-se possível falar de uma nova gafe que provavelmente não será a última, apenas a mais recente. O Jornalismo diz:
- Esperemos...

É singular esta relação entre o jornal, o livro e o relógio porque, na verdade, todos estes marcam o tempo, são marcos do antes e do depois.

O Jornalismo é assim: alimente-se de história e tenta fazer literatura.


Crônica inspirada na matéria “Nova gafe de Berlusconi deixa italianos envergonhados” publicada em 27 de maio de 2011 às 12h55min por redação, do Jornal Correio do Brasil. Acesso em 27 de maio de 2011 em:
http://correiodobrasil.com.br/italianos-se-envergonham-com-gafedeberlusconi/246104/.

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