Maria Aparecida Pinto
O jovem, que espera estar com o futuro nas mãos e renega seu passado, entra na sala e se depara com a claridade provocada pela quantidade de janelas abertas. Senta-se. Ao longe,se escuta, de forma estafante, o som de um noticiário que narra as últimas catástrofes como um timoneiro antigo e experiente. Como fala com vontade e desenvoltura. Pode falar de tudo e de todos a todo e em qualquer momento.
A pequena porta fria abre-se:
- O doutor vai atendê-lo em dez minutos.
Dez minutos. Quanto tempo! A vida corre lá fora em manchetes de jornais e eu resisto a dez minutos de espera.
Não chegara cedo, estava na hora como sempre.
A luz é ofuscada pela doçura de uma senhora. Poderia carregar os filhos de seus netos e relembrar (ou melhor, inventar coisas sobre) a infância.
Senta-se perto do jovem. Olha-o com boa vontade ou apenas com um sorriso de tartaruga e afirma com convicção:
- Bom Dia!
- Bom Dia.
Caminhando nas ruas o jovem se questionava o que a senhora quis dizer com aquela saudação. BOM DIA! Não era na verdade uma saudação. Era um comprimento, um gesto de educação, de polidez.
Como havia sido imaturo e frio com tal criatura inofensiva e boa. O som do noticiário ao fundo havia lhe confundido as ideias? O que há por trás disto, daquilo... Meu Deus! No fim das contas, não é nada e não se sabe mais de nada. Não se confia mais em nada. Fulano disse isto para dizer aquilo e... Aí se constrói toda uma trama de teorias e de conjecturas... Próprias... Jornalísticas.
Bom Dia!? Sorri, maliciosamente, a senhora, depois que o jovem sai da sala de espera. Repete com brandura, Bom Dia! E o mundo está sendo destruído lá fora. Abre a bolsa e afaga seu radinho de pilha.
Leia, mude, faça suas sugestões, crie uma nova crônica sobre o tema, interaja. Somos Elisabeth Camilo,Maria Aparecida Pinto e Marcela Servano, alunas do curso de jornalismo da UFOP
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Sinônimos
Maria Aparecida Pinto
Quando se fala em cultura, no que você pensa imediatamente? Talvez não seja na secção pipoca da TV aberta, ou nas tirinhas que enfeitam os muros e passarelas. Talvez, mas, só talvez, pense nas grades dos museus de arte contemporânea, nos seguranças dos de arte clássica, nas encadernações de capa dura tão caras aos colecionadores sofisticados...
E, então, você para e olha para aquela massa cinza e disforme que se amontoano seu sótão, com letra de excrementos de mosquito, como guardar aquilo? Como colecionar aquilo? E o pior e mais relevante, como lembrar daquilo? Das linhaças de cinza.
Linhaças de cinza. Boa metáfora, não concorda?
Adoro as editorias nobres porque elas por si só já carregam o título, já ostentam os louros que não lhes são de direito. Além do mais, tudo o que produzem já é arte, uma vez que tratam de arte...
Parece um raciocínio pequeno, ou no mínimo ingênuo e equivocado, mas é real. Mesmo quando se fala de ficção. Não se pode dizer que está tudo azul no caderno literato, mas espere pode ser que haja ainda uma ponta de esperança porque a luz no fim do túnel é, ora pois, é vermelha.
Quando se fala em cultura, no que você pensa imediatamente? Talvez não seja na secção pipoca da TV aberta, ou nas tirinhas que enfeitam os muros e passarelas. Talvez, mas, só talvez, pense nas grades dos museus de arte contemporânea, nos seguranças dos de arte clássica, nas encadernações de capa dura tão caras aos colecionadores sofisticados...
E, então, você para e olha para aquela massa cinza e disforme que se amontoano seu sótão, com letra de excrementos de mosquito, como guardar aquilo? Como colecionar aquilo? E o pior e mais relevante, como lembrar daquilo? Das linhaças de cinza.
Linhaças de cinza. Boa metáfora, não concorda?
Adoro as editorias nobres porque elas por si só já carregam o título, já ostentam os louros que não lhes são de direito. Além do mais, tudo o que produzem já é arte, uma vez que tratam de arte...
Parece um raciocínio pequeno, ou no mínimo ingênuo e equivocado, mas é real. Mesmo quando se fala de ficção. Não se pode dizer que está tudo azul no caderno literato, mas espere pode ser que haja ainda uma ponta de esperança porque a luz no fim do túnel é, ora pois, é vermelha.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Requentar e Servir?
Maria Aparecida Pinto
Há indicativos que nos dizem que o jornalismo é muito mais do que um pequeno Guinness. Mas, outros indicativos fortes nos conduzem a doce ilusão da indústria do entretenimento: massa de pão e pão de circo.
A maior edificação do mundo (será construída por uma família. Adivinhem... Adivinhem por qual. É... vocês realmente não poderiam adivinhar, mas a família havia se desligado dele antes dos atentados...); o “calote” mais esperado da história mundial, tão esperado “que não se deu por vias de fato”; pode-se dizer o maior número de “demissões” de políticos brasileiros de forma sucessiva... Estas são apenas algumas das várias notícias com as quais se tem contato por aí.
O maior e o menor do mundo, da nação, da cidade. O maior e o menor são dados curiosos, relativos e prestes a serem superados. O livro de recordes nunca saiu de moda. Nunca perde, portanto, a sua atualidade, mas nada pode ser mais tradicional (no jornalismo) do que o fait diver.
O maior e o menor. O que importam? A conjectura que constroem, que (e) molduram (ou não). Necessitam de argumentos e de implicações mais bem humorados e sorridentes durante o almoço e mais sérios e, como se diz mesmo? Compromissados e circunspectos no jornal diário da noite. A própria linguagem nos conduz com seu humilde, mas sensato requentar e servir.
Há indicativos que nos dizem que o jornalismo é muito mais do que um pequeno Guinness. Mas, outros indicativos fortes nos conduzem a doce ilusão da indústria do entretenimento: massa de pão e pão de circo.
A maior edificação do mundo (será construída por uma família. Adivinhem... Adivinhem por qual. É... vocês realmente não poderiam adivinhar, mas a família havia se desligado dele antes dos atentados...); o “calote” mais esperado da história mundial, tão esperado “que não se deu por vias de fato”; pode-se dizer o maior número de “demissões” de políticos brasileiros de forma sucessiva... Estas são apenas algumas das várias notícias com as quais se tem contato por aí.
O maior e o menor do mundo, da nação, da cidade. O maior e o menor são dados curiosos, relativos e prestes a serem superados. O livro de recordes nunca saiu de moda. Nunca perde, portanto, a sua atualidade, mas nada pode ser mais tradicional (no jornalismo) do que o fait diver.
O maior e o menor. O que importam? A conjectura que constroem, que (e) molduram (ou não). Necessitam de argumentos e de implicações mais bem humorados e sorridentes durante o almoço e mais sérios e, como se diz mesmo? Compromissados e circunspectos no jornal diário da noite. A própria linguagem nos conduz com seu humilde, mas sensato requentar e servir.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
músicas baianas, depreciação de mulheres e lei
Ouvi no Fantástico que uma deputada baiana vai apresentar uma lei que proíbe que bandas que depreciem as mulheres em suas composições de se apresentarem em eventos pagos com dinheiro público.
Sinceramente, faz já algum tempo que ne preocupo com letras que tratam as mulheres como objetos sexuais ou coisas piores mas sempre fui questionada. Dando-se voz aos compositores e vocalistas, ouvi aquilo que sempre ouvi de muitas pessoas ao meu redor: se as próprias mulherea "curtem", "aderem" à moda, porque eles deixariam de compor o que o povo gosta? Além de cantarem, elas treinam coreografias que insinuam o sexo (livre) e nestas parecem teatralizar o jogo da sedução nos palcos ou em quaisquer outros lugares onde as bandas se apresentem.
Há pouco tempo, em uma festa junina, não ouvi música junina mas esses tipos de composições e os duplos sentidos deixavam as pessoas mais velhas confusas e horrorizadas. Até mesmo as crianças coreografavam o que era cantado "sem vergonha e sem juízo" o que comprova a tese de que absorvermos o produto mas sequer analisamos o que absorvemos.
Mulheres tratadas como cadelas, potrancas, prostitutas, vadias se tornam musas. Deixaram elas de serem humanas? Mas as mulheres vibram e dançam sem parar como se aquilo em nada as ofendesse.
Lutou-se tanto tempo para que elas, pelo menos, chegassem perto do nível alcançado pelos homens e tudo volta às origens e elas aceitam sem questionar. O sexo, antigamente considerado algo solene entre um homem e uma mulher, profanizou-se entre as canções e desde "vai descendo na boquinha da garrafa" até as atuais composições em que a própria relação sexual é comandada pelo homem que dissemina palavrões e propõe seus métodos, se consolidou na coreografia e nas letras. Alguém pode argumentar que tudo é apenas brincadeira, "brincadeiragem" conforme um antropólogo na mesma notícia usou e definiu : "brincadeiragem é a forma baiana de unir brincadeira com libertagen" .
Qualquer dia vamos aceitar que nos puxem os cabelos e nos levem para qualquer lugar e depois nos abandonem dizendo que somos sub-espécies e cúmplices do retrocesso em que vivemos. Ainda bem que o programa questionou internautas se eles eram a favor ou contra as letras que difamam as mulheres e os que eram contra venceram. Ainda bem que uma mulher interrrogada disse que os músicos e compositores tinham mãe ( o que infere também esposas, irmãs, primas).
Postado por Elisabeth Maria de Souza Camilo
Sinceramente, faz já algum tempo que ne preocupo com letras que tratam as mulheres como objetos sexuais ou coisas piores mas sempre fui questionada. Dando-se voz aos compositores e vocalistas, ouvi aquilo que sempre ouvi de muitas pessoas ao meu redor: se as próprias mulherea "curtem", "aderem" à moda, porque eles deixariam de compor o que o povo gosta? Além de cantarem, elas treinam coreografias que insinuam o sexo (livre) e nestas parecem teatralizar o jogo da sedução nos palcos ou em quaisquer outros lugares onde as bandas se apresentem.
Há pouco tempo, em uma festa junina, não ouvi música junina mas esses tipos de composições e os duplos sentidos deixavam as pessoas mais velhas confusas e horrorizadas. Até mesmo as crianças coreografavam o que era cantado "sem vergonha e sem juízo" o que comprova a tese de que absorvermos o produto mas sequer analisamos o que absorvemos.
Mulheres tratadas como cadelas, potrancas, prostitutas, vadias se tornam musas. Deixaram elas de serem humanas? Mas as mulheres vibram e dançam sem parar como se aquilo em nada as ofendesse.
Lutou-se tanto tempo para que elas, pelo menos, chegassem perto do nível alcançado pelos homens e tudo volta às origens e elas aceitam sem questionar. O sexo, antigamente considerado algo solene entre um homem e uma mulher, profanizou-se entre as canções e desde "vai descendo na boquinha da garrafa" até as atuais composições em que a própria relação sexual é comandada pelo homem que dissemina palavrões e propõe seus métodos, se consolidou na coreografia e nas letras. Alguém pode argumentar que tudo é apenas brincadeira, "brincadeiragem" conforme um antropólogo na mesma notícia usou e definiu : "brincadeiragem é a forma baiana de unir brincadeira com libertagen" .
Qualquer dia vamos aceitar que nos puxem os cabelos e nos levem para qualquer lugar e depois nos abandonem dizendo que somos sub-espécies e cúmplices do retrocesso em que vivemos. Ainda bem que o programa questionou internautas se eles eram a favor ou contra as letras que difamam as mulheres e os que eram contra venceram. Ainda bem que uma mulher interrrogada disse que os músicos e compositores tinham mãe ( o que infere também esposas, irmãs, primas).
Postado por Elisabeth Maria de Souza Camilo
sábado, 23 de julho de 2011
Estes brasileiros
Maria Aparecida Pinto
Cláudio não precisa nem abrir o jornal para se espantar: há a manchete.
A manchete que chama as lágrimas nacionais para um pranto conjunto e comovente. A manchete que enobrece, que aproxima o mal sofrido pelo outro do mal que nos aflige todos os dias. A manchete é importantíssima. Ela é o farol. E ela também vende jornal. Sim, é ela que nos convida à leitura, que nos afaga com curiosidade e nos relembra dos grandes ou pequenos momentos noticiáveis.
Sai pelas ruas a gritar com suas letras já não tão garrafais. Claro! Existem outros recursos: modernos e dinâmicos, mais atraentes e envolventes. Mas, é bom que seja escrito: nada supera uma boa manchete.
O mesmo se diz do jogo das palavras. Como já dito: as palavras revelam muito sobre...Sobre tudo, afinal. Neste sentido, a falta de palavras ou a omissão de algumas figurinhas carimbadas com as quais nos acostumamos aflige o coração e pode gerar más interpretações.
Quando uma pessoa erra ela fica sem pátria, sem uma nação que ceda um ombro amigo? Mas, há que se notar que somente se noticiam os feitos heroicos dos nacionalizados, ou seja, daqueles que possuem um país que bata palmas perante o seu acerto. Pois, estes quando deslizam perdem a mãe pátria que somente reconhece seus filhos na vitória ou na possibilidade da mesma.
Assim, passados alguns dias de suspense e medo aterrador, Cláudio sente seu coração aliviado, não perdemos mais um brasileiro!
Cláudio não precisa nem abrir o jornal para se espantar: há a manchete.
A manchete que chama as lágrimas nacionais para um pranto conjunto e comovente. A manchete que enobrece, que aproxima o mal sofrido pelo outro do mal que nos aflige todos os dias. A manchete é importantíssima. Ela é o farol. E ela também vende jornal. Sim, é ela que nos convida à leitura, que nos afaga com curiosidade e nos relembra dos grandes ou pequenos momentos noticiáveis.
Sai pelas ruas a gritar com suas letras já não tão garrafais. Claro! Existem outros recursos: modernos e dinâmicos, mais atraentes e envolventes. Mas, é bom que seja escrito: nada supera uma boa manchete.
O mesmo se diz do jogo das palavras. Como já dito: as palavras revelam muito sobre...Sobre tudo, afinal. Neste sentido, a falta de palavras ou a omissão de algumas figurinhas carimbadas com as quais nos acostumamos aflige o coração e pode gerar más interpretações.
Quando uma pessoa erra ela fica sem pátria, sem uma nação que ceda um ombro amigo? Mas, há que se notar que somente se noticiam os feitos heroicos dos nacionalizados, ou seja, daqueles que possuem um país que bata palmas perante o seu acerto. Pois, estes quando deslizam perdem a mãe pátria que somente reconhece seus filhos na vitória ou na possibilidade da mesma.
Assim, passados alguns dias de suspense e medo aterrador, Cláudio sente seu coração aliviado, não perdemos mais um brasileiro!
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Como as palavras dizem sobre o jornalismo
Maria Aparecida Pinto
E vovô abre a revista e percorre as páginas com seus olhos de bom mineiro ressabiado. O que está acontecendo mesmo com a Europa? Senhor Alceu não sabe bem ao certo. Não é um expert em finanças ou em economia. Não entende, por isto, a crise do euro.
Mas, vamos ser sinceros. Há uma perspectiva de que os leitores de jornais e revistas, mais de jornais do que de revistas, não entendem muito bem as coisas. Por isto, dizem que há a necessidade de se mastigar para a “massa”. Como nos vemos como nação emancipada, não podemos usar a metáfora polêmica de Homer Simpson, para o conhecido homem médio. E nem seria sensato ou ético, não é mesmo? Por causa do hoje tão em voga politicamente correto. Somente alguns semideuses impassíveis das leis humanas fomentam a mídia, ou constroem-na retirando ou ignorando “polidamente” este pilar do arquétipo social.
O que é mesmo um homem médio? Vovô não sabe ao certo. Senhor Alceu não possui pós-doutorado em antropologia, sociologia ou mesmo em qualquer outra humanas. Também não possui graduações em exatas. Pobre vovô. Pobre “massa” desamparada pelas coberturas que ao mesmo tempo desdenham e superestimam a sua inteligência e o seu poder crítico. Pobre vovô. Nos seus tempos áureos era mais fácil, não é mesmo vovô?!
E agora vovô? O que lhe dizem tantas palavras de agência. Não se trata mais de uma escrita telegráfica, não é?! Mas, não se pode dizer com absoluta certeza que não pertença a esta ordem.
Palavras tais como default. Tais como rating. Expressões como “default seletivo”. Adam de mãos dadas com vocábulos mais conhecidos, mas ainda enigmáticos como situação, deteriora, alarma, vizinhos, assim como os termos cúpula, emergencial, moratória, contágio, agência, urgência, diplomata, autoridades, uma fonte, euro, nó seria um nó de marinheiro, górdio, é este mesmo o termo?). Além deste ditado, há ainda posição, frisou, vencimentos, rolar, progresso, hipóteses, questionado e mercados financeiros. Ainda bem que de mãos dadas elas formam uma ciranda. Seria esta de pedra?
É... Como as palavras dizem sobre o jornalismo, não é mesmo pai do meu pai? Então como nos alerta uma canção: CUIDADO!
Crônica inspirada na matéria “Situação grega se deteriora rapidamente e alarma vizinhos europeus” publicada, em 12 de julho de 2011, por Redação do jornal Correio do Brasil, com agências internacionais - de Bruxelas. Acesso em http://correiodobrasil.com.br/situacao-grega-se-deteriora-rapidamente-e-alarma-vizinhos-europeus/267690/.
E vovô abre a revista e percorre as páginas com seus olhos de bom mineiro ressabiado. O que está acontecendo mesmo com a Europa? Senhor Alceu não sabe bem ao certo. Não é um expert em finanças ou em economia. Não entende, por isto, a crise do euro.
Mas, vamos ser sinceros. Há uma perspectiva de que os leitores de jornais e revistas, mais de jornais do que de revistas, não entendem muito bem as coisas. Por isto, dizem que há a necessidade de se mastigar para a “massa”. Como nos vemos como nação emancipada, não podemos usar a metáfora polêmica de Homer Simpson, para o conhecido homem médio. E nem seria sensato ou ético, não é mesmo? Por causa do hoje tão em voga politicamente correto. Somente alguns semideuses impassíveis das leis humanas fomentam a mídia, ou constroem-na retirando ou ignorando “polidamente” este pilar do arquétipo social.
O que é mesmo um homem médio? Vovô não sabe ao certo. Senhor Alceu não possui pós-doutorado em antropologia, sociologia ou mesmo em qualquer outra humanas. Também não possui graduações em exatas. Pobre vovô. Pobre “massa” desamparada pelas coberturas que ao mesmo tempo desdenham e superestimam a sua inteligência e o seu poder crítico. Pobre vovô. Nos seus tempos áureos era mais fácil, não é mesmo vovô?!
E agora vovô? O que lhe dizem tantas palavras de agência. Não se trata mais de uma escrita telegráfica, não é?! Mas, não se pode dizer com absoluta certeza que não pertença a esta ordem.
Palavras tais como default. Tais como rating. Expressões como “default seletivo”. Adam de mãos dadas com vocábulos mais conhecidos, mas ainda enigmáticos como situação, deteriora, alarma, vizinhos, assim como os termos cúpula, emergencial, moratória, contágio, agência, urgência, diplomata, autoridades, uma fonte, euro, nó seria um nó de marinheiro, górdio, é este mesmo o termo?). Além deste ditado, há ainda posição, frisou, vencimentos, rolar, progresso, hipóteses, questionado e mercados financeiros. Ainda bem que de mãos dadas elas formam uma ciranda. Seria esta de pedra?
É... Como as palavras dizem sobre o jornalismo, não é mesmo pai do meu pai? Então como nos alerta uma canção: CUIDADO!
Crônica inspirada na matéria “Situação grega se deteriora rapidamente e alarma vizinhos europeus” publicada, em 12 de julho de 2011, por Redação do jornal Correio do Brasil, com agências internacionais - de Bruxelas. Acesso em http://correiodobrasil.com.br/situacao-grega-se-deteriora-rapidamente-e-alarma-vizinhos-europeus/267690/.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O mito da morte
Maria Aparecida Pinto
_ Oi, pai. Seu Calisto saiu no jornal.
_ Ai, meu Deus! Meu pai morreu. Vamos Pedro, vamos, mas para aonde? Eu não sei o que fazer meu Deus do céu, ontem mesmo pai estava aqui no churrasco e agora se encontra desfalecido.
_ Ai... O que faço? Agora o que faço?
_ José, mas que alvoroço é esse?
_ Pai morreu.
_ Morreu como? Onde? Por quê? Com quais desdobramentos? Quais são as fontes?
_ Não sei Carola, mas está no jornal.
_ No jornal?
_ Olhe há uma linha do tempo, um infográfico, um caderno especial...
_ Meu Deus ele realmente deve estar morto. Quando será o sepultamento?
_ Não diz.
_ Como assim não diz?
_ Mas é sabido que é grande a comoção popular. Mas é sabido que o cortejo fúnebre será transmitido pela TV local. Mas é sabido que se receberam 100 coroas de flores e que se forma fila enorme de condolências em frente à residência do presidente da associação de moradores de bairro que há a cinco anos presta grandes serviços à comunidade.
_ Pai, pai, quantas pessoas estão na porta de casa!
_ Eu não posso crer.
_ Bom dia a todos, o que está acontecendo? É muito barulho, aí fora.
_ Pai!
_ Vô!
_ Senhor Mauricio, mas como? O senhor não estava morto?
_ Morto? Eu? Como?
_ Olhe o jornal.
_ Ahh... Renunciei ontem, já tarde da noite.
_ Oi, pai. Seu Calisto saiu no jornal.
_ Ai, meu Deus! Meu pai morreu. Vamos Pedro, vamos, mas para aonde? Eu não sei o que fazer meu Deus do céu, ontem mesmo pai estava aqui no churrasco e agora se encontra desfalecido.
_ Ai... O que faço? Agora o que faço?
_ José, mas que alvoroço é esse?
_ Pai morreu.
_ Morreu como? Onde? Por quê? Com quais desdobramentos? Quais são as fontes?
_ Não sei Carola, mas está no jornal.
_ No jornal?
_ Olhe há uma linha do tempo, um infográfico, um caderno especial...
_ Meu Deus ele realmente deve estar morto. Quando será o sepultamento?
_ Não diz.
_ Como assim não diz?
_ Mas é sabido que é grande a comoção popular. Mas é sabido que o cortejo fúnebre será transmitido pela TV local. Mas é sabido que se receberam 100 coroas de flores e que se forma fila enorme de condolências em frente à residência do presidente da associação de moradores de bairro que há a cinco anos presta grandes serviços à comunidade.
_ Pai, pai, quantas pessoas estão na porta de casa!
_ Eu não posso crer.
_ Bom dia a todos, o que está acontecendo? É muito barulho, aí fora.
_ Pai!
_ Vô!
_ Senhor Mauricio, mas como? O senhor não estava morto?
_ Morto? Eu? Como?
_ Olhe o jornal.
_ Ahh... Renunciei ontem, já tarde da noite.
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