Maria Aparecida Pinto
Cláudio não precisa nem abrir o jornal para se espantar: há a manchete.
A manchete que chama as lágrimas nacionais para um pranto conjunto e comovente. A manchete que enobrece, que aproxima o mal sofrido pelo outro do mal que nos aflige todos os dias. A manchete é importantíssima. Ela é o farol. E ela também vende jornal. Sim, é ela que nos convida à leitura, que nos afaga com curiosidade e nos relembra dos grandes ou pequenos momentos noticiáveis.
Sai pelas ruas a gritar com suas letras já não tão garrafais. Claro! Existem outros recursos: modernos e dinâmicos, mais atraentes e envolventes. Mas, é bom que seja escrito: nada supera uma boa manchete.
O mesmo se diz do jogo das palavras. Como já dito: as palavras revelam muito sobre...Sobre tudo, afinal. Neste sentido, a falta de palavras ou a omissão de algumas figurinhas carimbadas com as quais nos acostumamos aflige o coração e pode gerar más interpretações.
Quando uma pessoa erra ela fica sem pátria, sem uma nação que ceda um ombro amigo? Mas, há que se notar que somente se noticiam os feitos heroicos dos nacionalizados, ou seja, daqueles que possuem um país que bata palmas perante o seu acerto. Pois, estes quando deslizam perdem a mãe pátria que somente reconhece seus filhos na vitória ou na possibilidade da mesma.
Assim, passados alguns dias de suspense e medo aterrador, Cláudio sente seu coração aliviado, não perdemos mais um brasileiro!
Leia, mude, faça suas sugestões, crie uma nova crônica sobre o tema, interaja. Somos Elisabeth Camilo,Maria Aparecida Pinto e Marcela Servano, alunas do curso de jornalismo da UFOP
sábado, 23 de julho de 2011
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Como as palavras dizem sobre o jornalismo
Maria Aparecida Pinto
E vovô abre a revista e percorre as páginas com seus olhos de bom mineiro ressabiado. O que está acontecendo mesmo com a Europa? Senhor Alceu não sabe bem ao certo. Não é um expert em finanças ou em economia. Não entende, por isto, a crise do euro.
Mas, vamos ser sinceros. Há uma perspectiva de que os leitores de jornais e revistas, mais de jornais do que de revistas, não entendem muito bem as coisas. Por isto, dizem que há a necessidade de se mastigar para a “massa”. Como nos vemos como nação emancipada, não podemos usar a metáfora polêmica de Homer Simpson, para o conhecido homem médio. E nem seria sensato ou ético, não é mesmo? Por causa do hoje tão em voga politicamente correto. Somente alguns semideuses impassíveis das leis humanas fomentam a mídia, ou constroem-na retirando ou ignorando “polidamente” este pilar do arquétipo social.
O que é mesmo um homem médio? Vovô não sabe ao certo. Senhor Alceu não possui pós-doutorado em antropologia, sociologia ou mesmo em qualquer outra humanas. Também não possui graduações em exatas. Pobre vovô. Pobre “massa” desamparada pelas coberturas que ao mesmo tempo desdenham e superestimam a sua inteligência e o seu poder crítico. Pobre vovô. Nos seus tempos áureos era mais fácil, não é mesmo vovô?!
E agora vovô? O que lhe dizem tantas palavras de agência. Não se trata mais de uma escrita telegráfica, não é?! Mas, não se pode dizer com absoluta certeza que não pertença a esta ordem.
Palavras tais como default. Tais como rating. Expressões como “default seletivo”. Adam de mãos dadas com vocábulos mais conhecidos, mas ainda enigmáticos como situação, deteriora, alarma, vizinhos, assim como os termos cúpula, emergencial, moratória, contágio, agência, urgência, diplomata, autoridades, uma fonte, euro, nó seria um nó de marinheiro, górdio, é este mesmo o termo?). Além deste ditado, há ainda posição, frisou, vencimentos, rolar, progresso, hipóteses, questionado e mercados financeiros. Ainda bem que de mãos dadas elas formam uma ciranda. Seria esta de pedra?
É... Como as palavras dizem sobre o jornalismo, não é mesmo pai do meu pai? Então como nos alerta uma canção: CUIDADO!
Crônica inspirada na matéria “Situação grega se deteriora rapidamente e alarma vizinhos europeus” publicada, em 12 de julho de 2011, por Redação do jornal Correio do Brasil, com agências internacionais - de Bruxelas. Acesso em http://correiodobrasil.com.br/situacao-grega-se-deteriora-rapidamente-e-alarma-vizinhos-europeus/267690/.
E vovô abre a revista e percorre as páginas com seus olhos de bom mineiro ressabiado. O que está acontecendo mesmo com a Europa? Senhor Alceu não sabe bem ao certo. Não é um expert em finanças ou em economia. Não entende, por isto, a crise do euro.
Mas, vamos ser sinceros. Há uma perspectiva de que os leitores de jornais e revistas, mais de jornais do que de revistas, não entendem muito bem as coisas. Por isto, dizem que há a necessidade de se mastigar para a “massa”. Como nos vemos como nação emancipada, não podemos usar a metáfora polêmica de Homer Simpson, para o conhecido homem médio. E nem seria sensato ou ético, não é mesmo? Por causa do hoje tão em voga politicamente correto. Somente alguns semideuses impassíveis das leis humanas fomentam a mídia, ou constroem-na retirando ou ignorando “polidamente” este pilar do arquétipo social.
O que é mesmo um homem médio? Vovô não sabe ao certo. Senhor Alceu não possui pós-doutorado em antropologia, sociologia ou mesmo em qualquer outra humanas. Também não possui graduações em exatas. Pobre vovô. Pobre “massa” desamparada pelas coberturas que ao mesmo tempo desdenham e superestimam a sua inteligência e o seu poder crítico. Pobre vovô. Nos seus tempos áureos era mais fácil, não é mesmo vovô?!
E agora vovô? O que lhe dizem tantas palavras de agência. Não se trata mais de uma escrita telegráfica, não é?! Mas, não se pode dizer com absoluta certeza que não pertença a esta ordem.
Palavras tais como default. Tais como rating. Expressões como “default seletivo”. Adam de mãos dadas com vocábulos mais conhecidos, mas ainda enigmáticos como situação, deteriora, alarma, vizinhos, assim como os termos cúpula, emergencial, moratória, contágio, agência, urgência, diplomata, autoridades, uma fonte, euro, nó seria um nó de marinheiro, górdio, é este mesmo o termo?). Além deste ditado, há ainda posição, frisou, vencimentos, rolar, progresso, hipóteses, questionado e mercados financeiros. Ainda bem que de mãos dadas elas formam uma ciranda. Seria esta de pedra?
É... Como as palavras dizem sobre o jornalismo, não é mesmo pai do meu pai? Então como nos alerta uma canção: CUIDADO!
Crônica inspirada na matéria “Situação grega se deteriora rapidamente e alarma vizinhos europeus” publicada, em 12 de julho de 2011, por Redação do jornal Correio do Brasil, com agências internacionais - de Bruxelas. Acesso em http://correiodobrasil.com.br/situacao-grega-se-deteriora-rapidamente-e-alarma-vizinhos-europeus/267690/.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O mito da morte
Maria Aparecida Pinto
_ Oi, pai. Seu Calisto saiu no jornal.
_ Ai, meu Deus! Meu pai morreu. Vamos Pedro, vamos, mas para aonde? Eu não sei o que fazer meu Deus do céu, ontem mesmo pai estava aqui no churrasco e agora se encontra desfalecido.
_ Ai... O que faço? Agora o que faço?
_ José, mas que alvoroço é esse?
_ Pai morreu.
_ Morreu como? Onde? Por quê? Com quais desdobramentos? Quais são as fontes?
_ Não sei Carola, mas está no jornal.
_ No jornal?
_ Olhe há uma linha do tempo, um infográfico, um caderno especial...
_ Meu Deus ele realmente deve estar morto. Quando será o sepultamento?
_ Não diz.
_ Como assim não diz?
_ Mas é sabido que é grande a comoção popular. Mas é sabido que o cortejo fúnebre será transmitido pela TV local. Mas é sabido que se receberam 100 coroas de flores e que se forma fila enorme de condolências em frente à residência do presidente da associação de moradores de bairro que há a cinco anos presta grandes serviços à comunidade.
_ Pai, pai, quantas pessoas estão na porta de casa!
_ Eu não posso crer.
_ Bom dia a todos, o que está acontecendo? É muito barulho, aí fora.
_ Pai!
_ Vô!
_ Senhor Mauricio, mas como? O senhor não estava morto?
_ Morto? Eu? Como?
_ Olhe o jornal.
_ Ahh... Renunciei ontem, já tarde da noite.
_ Oi, pai. Seu Calisto saiu no jornal.
_ Ai, meu Deus! Meu pai morreu. Vamos Pedro, vamos, mas para aonde? Eu não sei o que fazer meu Deus do céu, ontem mesmo pai estava aqui no churrasco e agora se encontra desfalecido.
_ Ai... O que faço? Agora o que faço?
_ José, mas que alvoroço é esse?
_ Pai morreu.
_ Morreu como? Onde? Por quê? Com quais desdobramentos? Quais são as fontes?
_ Não sei Carola, mas está no jornal.
_ No jornal?
_ Olhe há uma linha do tempo, um infográfico, um caderno especial...
_ Meu Deus ele realmente deve estar morto. Quando será o sepultamento?
_ Não diz.
_ Como assim não diz?
_ Mas é sabido que é grande a comoção popular. Mas é sabido que o cortejo fúnebre será transmitido pela TV local. Mas é sabido que se receberam 100 coroas de flores e que se forma fila enorme de condolências em frente à residência do presidente da associação de moradores de bairro que há a cinco anos presta grandes serviços à comunidade.
_ Pai, pai, quantas pessoas estão na porta de casa!
_ Eu não posso crer.
_ Bom dia a todos, o que está acontecendo? É muito barulho, aí fora.
_ Pai!
_ Vô!
_ Senhor Mauricio, mas como? O senhor não estava morto?
_ Morto? Eu? Como?
_ Olhe o jornal.
_ Ahh... Renunciei ontem, já tarde da noite.
terça-feira, 28 de junho de 2011
O grande mapa mundi de notícias
Maria Aparecida Pinto
Abro o jornal e suas folhas encobrem-me de informações sobre várias localidades. Falam-me das tecnologias do Japão, dos conflitos árabes, das revoltas gregas, da bolsa de valores de Londres, dos invasores de sistemas de informática internacionais...
Não posso fazer uma viagem de 80 ou 90 dias pelo globo terrestre, mas posso sentar-me e ler o jornal matinal, assistir ao telejornal vespertino ou mesmo navegar nos portais de notícias pela madrugada. Uma volta ao mundo em, vamos colocar, 50 minutos. Uma parada em cada estação de informação com direito a guia, acompanhante (opcional), um pouco da criatividade publicitária:
“Informativo das onze. Esta é a hora da notícia. Um oferecimento das lojas Orvalho as melhores formas de pagamento e...”
A informação é um passaporte. Por meio dela podemos conhecer outras realidades que não as da rua de nossa casa, ou aquelas cerceadas pelas paredes do quarto de dormir.
Por isto quando o jornal informa que oito pessoas morreram na guerra contra o tráfico na cidade maravilhosa há um embarque.
Do mesmo modo, quando se informa a vitória de um time de futebol brasileiro em uma competição de relevância há um embarque.
O que os jornais informam sobre o Japão? O que os periódicos fornecem como dados sobre os EUA? E sobre a Itália?
Talvez não seja preciso perguntar sobre o que informam os jornais acerca dos países árabes.
O problema não é o que se informa, mas como se informa. Porque é através da forma que chegamos ao nosso destino de viagem. No mundo da informação, em que o noticiário refrata mais do que reflete a realidade, mundos imaginários e ideológicos podem ser facilmente visitados e conhecidos como se fossem reais.
O globo terrestre rodopia, o jornal amassa-se e o noticiário das seis desliga-se a tomada, mas pode-se muito bem correr o mundo, sem saber de que mundo se trata. E quando se retoma as perguntas anteriormente enfatizadas pode-se parafrasear o já questionado em: O que os astros revelam a você?
A partir do momento em que nos informamos podemos, agora sim, conhecer maravilhosos mundos imaginários e oníricos (não tão diferentes da realidade firmada como tal), pois sabemos que tudo está bem (foi noticiado).
Abro o jornal e suas folhas encobrem-me de informações sobre várias localidades. Falam-me das tecnologias do Japão, dos conflitos árabes, das revoltas gregas, da bolsa de valores de Londres, dos invasores de sistemas de informática internacionais...
Não posso fazer uma viagem de 80 ou 90 dias pelo globo terrestre, mas posso sentar-me e ler o jornal matinal, assistir ao telejornal vespertino ou mesmo navegar nos portais de notícias pela madrugada. Uma volta ao mundo em, vamos colocar, 50 minutos. Uma parada em cada estação de informação com direito a guia, acompanhante (opcional), um pouco da criatividade publicitária:
“Informativo das onze. Esta é a hora da notícia. Um oferecimento das lojas Orvalho as melhores formas de pagamento e...”
A informação é um passaporte. Por meio dela podemos conhecer outras realidades que não as da rua de nossa casa, ou aquelas cerceadas pelas paredes do quarto de dormir.
Por isto quando o jornal informa que oito pessoas morreram na guerra contra o tráfico na cidade maravilhosa há um embarque.
Do mesmo modo, quando se informa a vitória de um time de futebol brasileiro em uma competição de relevância há um embarque.
O que os jornais informam sobre o Japão? O que os periódicos fornecem como dados sobre os EUA? E sobre a Itália?
Talvez não seja preciso perguntar sobre o que informam os jornais acerca dos países árabes.
O problema não é o que se informa, mas como se informa. Porque é através da forma que chegamos ao nosso destino de viagem. No mundo da informação, em que o noticiário refrata mais do que reflete a realidade, mundos imaginários e ideológicos podem ser facilmente visitados e conhecidos como se fossem reais.
O globo terrestre rodopia, o jornal amassa-se e o noticiário das seis desliga-se a tomada, mas pode-se muito bem correr o mundo, sem saber de que mundo se trata. E quando se retoma as perguntas anteriormente enfatizadas pode-se parafrasear o já questionado em: O que os astros revelam a você?
A partir do momento em que nos informamos podemos, agora sim, conhecer maravilhosos mundos imaginários e oníricos (não tão diferentes da realidade firmada como tal), pois sabemos que tudo está bem (foi noticiado).
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Alguns minutos de fama
O garotinho aparece no noticiário, sendo preso porque mantinha em casa alguma droga ilícita. O repórter não suporta sua curiosidade e questiona, até mesmo para sacudir o emocional e a curiosidade do telespectador, ele quer saber por que o adolescente trafica A resposta do menino é imediata, ele quer ficar rico...
Bem, ele sabe que traficantes são ricos, que moram em mansões, que possuem SPAs em casa, que podem tudo que querem. Ele sabe porque a mídia mostrou com detalhes, quando invadiu a favela paulista e a carioca ou mesmo quando decide mostrar em documentário a dicotomia entre as vidas dos que usam a droga e dos que vendem a mesma. Então, o menino, que é pobre, tem razão, traficante é rico e ele também quer sair da vida da pobreza.
Vemos todos os dias, de alguma forma, a exaltação dos maus em detrimento dos que são bons. O cara bêbado que atropelou e matou e que aparece na TV, rindo da polícia, afirmando categoricamente que a impunidade libera quem tem dinheiro para pagar a fiança. Aquele indivíduo de carteira de motorista caçada, que bebeu, bebeu, bebeu e que novamente bebeu e novamente provocou um acidente, no foco da câmera, saindo livre da bagunça em que se envolveu...
Nao há o que dizer para os nossos meninos e para os desesperados sem dinheiro e sem emprego... Eles já elegeram seus heróis e seus heróis são aqueles que ganharam alguns minutos de fama aparecendo na telinha ou registrados nas primeiras páginas dos jornais. Foi com algum susto que ouvi há algum tempo, no Fantástico, numa enquete sobre " quem você gostaria de ser" um menino responder que gostaria de ser o Fernandinho Beira Mar porque ele passeia de avião...
Sei que o papel da mídia é informar mas não precisa ficar quinze minutos falando do bandido porque isso incita quem não é a ser.
Está passando da hora de a gente dar um jeito nisso, ou seja, mostrar o vilâo sem torná-lo figura famosa...
Bem, ele sabe que traficantes são ricos, que moram em mansões, que possuem SPAs em casa, que podem tudo que querem. Ele sabe porque a mídia mostrou com detalhes, quando invadiu a favela paulista e a carioca ou mesmo quando decide mostrar em documentário a dicotomia entre as vidas dos que usam a droga e dos que vendem a mesma. Então, o menino, que é pobre, tem razão, traficante é rico e ele também quer sair da vida da pobreza.
Vemos todos os dias, de alguma forma, a exaltação dos maus em detrimento dos que são bons. O cara bêbado que atropelou e matou e que aparece na TV, rindo da polícia, afirmando categoricamente que a impunidade libera quem tem dinheiro para pagar a fiança. Aquele indivíduo de carteira de motorista caçada, que bebeu, bebeu, bebeu e que novamente bebeu e novamente provocou um acidente, no foco da câmera, saindo livre da bagunça em que se envolveu...
Nao há o que dizer para os nossos meninos e para os desesperados sem dinheiro e sem emprego... Eles já elegeram seus heróis e seus heróis são aqueles que ganharam alguns minutos de fama aparecendo na telinha ou registrados nas primeiras páginas dos jornais. Foi com algum susto que ouvi há algum tempo, no Fantástico, numa enquete sobre " quem você gostaria de ser" um menino responder que gostaria de ser o Fernandinho Beira Mar porque ele passeia de avião...
Sei que o papel da mídia é informar mas não precisa ficar quinze minutos falando do bandido porque isso incita quem não é a ser.
Está passando da hora de a gente dar um jeito nisso, ou seja, mostrar o vilâo sem torná-lo figura famosa...
Olhar para o céu
Maria Aparecida Pinto
A abóbada celeste, desde tempos remotos, contemplada não só por “leigos”, mas por intelectuais, cientistas e poetas encontra-se frequentemente nas páginas dos jornais, na home dos portais de notícias, nas produções dos jornais televisivos.
Você me diz que não pode ser possível. Você me diz que “está por dentro de tudo que rola nas mídias” e, principalmente, do que é noticiado pelas instituições responsáveis.
Mas, aí você se lembra e afirma satisfeito: Não... É verdade, o céu esteve mesmo em pauta, na verdade, não foi o céu propriamente dito, foi a lua, ou mais especificamente o eclipse.
Isto é verdade. Afirmo com certo vagar. Mas, também pode não ser.
O céu está sempre em pauta, ora. Ele é a abóbada. Ele é o manto. Na verdade, “na linguagem jornalística”, ele é o contexto. Informar não é fornecer números soltos, citações de especialistas, de cidadãos comuns e de órgãos do governo editadas e costuradas em um texto que trata de situações episódicas e pontuais.
Informar é construir uma realidade social e uma realidade social não se constrói pela simples justaposição de fatos episódicos. Fatos estes que cumprem um círculo de continuidade de cinco em cinco anos, de quinze em quinze anos, ou como no bom jornalismo, de minuto a minuto. Fatos que lançam sombras mais do que luz.
Você olha para o céu e me diz satisfeito: Então, nunca foi o céu, não é?
Percebo que a crônica estava “encerrada”.
Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas realizadas sobre o eclipse lunar que aconteceu em 15 de junho de 2011.
A abóbada celeste, desde tempos remotos, contemplada não só por “leigos”, mas por intelectuais, cientistas e poetas encontra-se frequentemente nas páginas dos jornais, na home dos portais de notícias, nas produções dos jornais televisivos.
Você me diz que não pode ser possível. Você me diz que “está por dentro de tudo que rola nas mídias” e, principalmente, do que é noticiado pelas instituições responsáveis.
Mas, aí você se lembra e afirma satisfeito: Não... É verdade, o céu esteve mesmo em pauta, na verdade, não foi o céu propriamente dito, foi a lua, ou mais especificamente o eclipse.
Isto é verdade. Afirmo com certo vagar. Mas, também pode não ser.
O céu está sempre em pauta, ora. Ele é a abóbada. Ele é o manto. Na verdade, “na linguagem jornalística”, ele é o contexto. Informar não é fornecer números soltos, citações de especialistas, de cidadãos comuns e de órgãos do governo editadas e costuradas em um texto que trata de situações episódicas e pontuais.
Informar é construir uma realidade social e uma realidade social não se constrói pela simples justaposição de fatos episódicos. Fatos estes que cumprem um círculo de continuidade de cinco em cinco anos, de quinze em quinze anos, ou como no bom jornalismo, de minuto a minuto. Fatos que lançam sombras mais do que luz.
Você olha para o céu e me diz satisfeito: Então, nunca foi o céu, não é?
Percebo que a crônica estava “encerrada”.
Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas realizadas sobre o eclipse lunar que aconteceu em 15 de junho de 2011.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
sinceridade e jornalismo
Em tempos em que discussão de ética e de outras normas de conduta permeiam os estudos do jornalismo, acabo de ler no jornal "Hoje em Dia" de 12 de junho de 2011 uma notícia que me faz refletir sobre o verdadeiro papel do jornalista. A matéria " Jornalista encara a tarefa de ser sinceto" (Mosaico Saer pg 12) coloca em dúvida se as fontes oficiais e os fatos noticiados são ou não confiáveis, já que um repórter alemão escreveu um livro ( relato de experiência) mostrando como foi difícil ser sincero durante 40 dias. O jornal defende a obra como divertida e inusitada mas podemos inferir da mesma que alguns jornalistas mentem para os usuários da informação.
O autor sugere que " a mentira é inerente ao homem" e, de alguma forma, diz que a sinceridade tem que imperar no mundo do jornalismo, mas fica aqui o meu questionamento: devemos ou não repensar a questão da ética dentro do que chamamos de "quarto poder".
O autor sugere que " a mentira é inerente ao homem" e, de alguma forma, diz que a sinceridade tem que imperar no mundo do jornalismo, mas fica aqui o meu questionamento: devemos ou não repensar a questão da ética dentro do que chamamos de "quarto poder".
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