Marcela Servano
- Oi, Carol, tudo bem?
- Não, Marcela, está tudo péssimo
-Por què?
- Marcela, você que faz jornalismo não sabe da tragédia
- Que tragédia?
-Como, você não sabe
- Tinha um mar de jornalistas lá, cobrindo todo o fato. Era gente de tudo quanto é lugar, da Globo, Folha, Uol, um batalhão de fotógrafos
- Carol, não faço a mínima ideia do que você está falando...
- Estou falando que o Neymar vai ser papai!!!
- Ah, então era essa a tragédia
- Olha só: a mídia fazendo coberturas importantíssimas novamente.
- O Neymar, Marcela, para sua informação, é importante sim!
Ele foi eleito pela Revista Época o homem do ano em 2010.
Você, que faz jornalismo, deveria saber disso!
- Eu sei que ele foi eleito o homem do ano. E sei que ele também foi responsável pela saída do técnico do Santos porque o mesmo o reprendeu por indisciplina.
Ele, inclusive, se tornou um dos trending mais comentados do Twitter devido a isto.
- Devo concordar contigo ,que isso aconteceu mesmo, mas, em uma entrevista ao Globo Esporte, ele pediu desculpa,e até chorou. E o Thiago Leifert fala sempre que ele é um bom menino.
- Carol, mais eu nunca falei que o Neymar é uma má pessoa.
- Ah, Marcela, mais você também nem pode fazer isto!
-Por que eu não posso?
- Porque eu li no Yahoo que o Neymar,,Thiago Leifert e Luciano Huck fazem parte do movimento do bom mocinhos. São pessoas de quem não se pode falar mal, pois se tornaram os queridinhos da mídia.
- Carol, então essas pessoas são bons moços?
- Para a mídia eles são bonzinhos ,sim!
- Nossa, que legal. É ótimo ver como a mídia pauta as pessoas e escolhe modelos de certo e errado!
- Não seja irônica!
- Eu, irônica Só questiono o fato de seu queridinho Neymar ter engravidado uma menor de 17 anos e a mídia tratar o caso como um "Parabéns para o Papai" . Não questiono o homem do ano porque ele não tomou os devidos cuidados.
- Para você ver, Marcelinha, como o Neymar é querido.
- Você sabia que mesmo o Neymar, sendo pai, será o garoto propaganda da campanha contra a Aids no Brasil, vai pedir para a galera usar camisinha, saiu no jornal.
- É parece que todo mundo, Carolzinha gosta do Neymar mesmo!
- Marcela, ele está acima do bem e do mal.
- Mas, Carol, você sabe por que gostam tanto dele?
Ele é o fantoche da vez. O brinquedinho a ser usado e depois jogado fora pelo meios de comunicação. O Neymar não passa de um produto para eles.
- È mentira isto que você está falando. Ele é querido.
- É claro que ele é querido, é um produto de venda. Para a mídia o verbo "vender" tornou-se importantíssimo. E é justamente esse verbo que atrapalha o bom jornalismo.
- Ah, Marcela, então se está dizendo que falar mal do Neymar é fazer bom jornalismo?
- Nem de longe estou falando isto. Mas questionar o bom moço sobre algumas atitudes que ele tem é fundamental para o exercício da profissão.
- A imprensa não questiona o garoto.
-Sabe Marcela, você ficou muito chata depois que começou a fazer jornalismo.
Eu fui, tchau, beijos.
- Eu acredito na mídia e no que eles dizem.
- Você, Carol, ainda é nova e vai perceber como as coisas funcionam; nem tudo o que você vê é a verdade.
- Há setores da imprensa que funcionam como um Show, armam o espetáculo em que a gente é a plateia. Só que algumas pessoas veem tudo passivamente. Outros preferem analisar o show, papel este que cabe ao jornalista.
- E por isso, querida irmã, que não podemos ser pautados, entre bem e mal.
- Questionar a mídia também faz parte do nosso show.
- Pense nisso, Carol, beijos , te amo!
Leia, mude, faça suas sugestões, crie uma nova crônica sobre o tema, interaja. Somos Elisabeth Camilo,Maria Aparecida Pinto e Marcela Servano, alunas do curso de jornalismo da UFOP
terça-feira, 24 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
Cultura dinâmica e convergente
Maria Aparecida Pinto
Vovô, vovô já sei o que quero de presente de aniversário!
Pode dizer, Miguel.
Então, quero uma Smart TV.
Por que tenho que comprar uma TV em uma cadeia de estabelecimentos comerciais especifica?
Não vô, o senhor não entendeu. Esta TV conecta-se à internet, assim posso acessar as redes sociais e até ler uns jornais virtuais ou notícias em tempo real presentes em portais para depois contar tudo para o senhor.
Miguel...
É vovô, é triste vê-lo sentado aí com enormes trambolhos de papel, ou mesmo zapeando freneticamente pelos canais.
Miguel...
Sim vô.
Qual é a relação entre Smart TV e Bom Jornalismo?
Há vô, não sei bem ao certo, mas hoje as redes sociais são constantemente temas para os jornais. Sabe o namorado da minha irmã, Gustavo. Ele está no terceiro ano de jornalismo. E diz que as redes sociais podem ... como é mesmo a palavra? Pautar o jornalismo. O termo certo é pautar!
É verdade?
Sim. Segundo o Tavo, a comunicação e a informação estão mais acessíveis e com isto facilitam a vida social.
E o que são redes sociais?
A vô, como posso explicar... Sabe quando o senhor “joga conversa fora” com seus amigos ou então vai à reunião da Associação de Bairro para informar-se sobre o que esta acontecendo? É como se o senhor fizesse isto pela internet, sem sair de casa.
Ou seja, falar dos outros com outros sem sair de casa ou informar-se sobre os outros por meio de outros sem sair de casa?
É vovô, o senhor entendeu...
O jornal faz isto meu neto. A TV e o rádio também.
Mas, na internet há mais espaço, mais velocidade. É mais “convergente”.
“Convergente”?
Sim , sabe integrar diversos recursos como som , imagem e texto por exemplo.
Miguel, o que estes jornalistas da Smart TV fazem é depender de fontes, apurar os dados, preparar e construir as notícias, não é?
É, mas de forma mais dinâmica.
Vou pensar Miguel...
Toda esta conversa... Vou ver ... Este jornal tem uma versão on-line, como dizem. Deixe-me ver... Cultura! É uma boa!
“CANTOR OFENDE MULHERES E MÚSICOS EM REDE SOCIAL”.
É ... Estão fazendo isto de forma mais dinâmica.
Crônica inspirada na matéria “Ed Motta ofende mulheres e músicos e cria polêmica no Facebook” Por Marcus Preto de 13/05/2011.Acessível em:http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/915375-ed-motta-ofende-mulheres-e-musicos-e-cria-polemica-no-facebook.shtml
Vovô, vovô já sei o que quero de presente de aniversário!
Pode dizer, Miguel.
Então, quero uma Smart TV.
Por que tenho que comprar uma TV em uma cadeia de estabelecimentos comerciais especifica?
Não vô, o senhor não entendeu. Esta TV conecta-se à internet, assim posso acessar as redes sociais e até ler uns jornais virtuais ou notícias em tempo real presentes em portais para depois contar tudo para o senhor.
Miguel...
É vovô, é triste vê-lo sentado aí com enormes trambolhos de papel, ou mesmo zapeando freneticamente pelos canais.
Miguel...
Sim vô.
Qual é a relação entre Smart TV e Bom Jornalismo?
Há vô, não sei bem ao certo, mas hoje as redes sociais são constantemente temas para os jornais. Sabe o namorado da minha irmã, Gustavo. Ele está no terceiro ano de jornalismo. E diz que as redes sociais podem ... como é mesmo a palavra? Pautar o jornalismo. O termo certo é pautar!
É verdade?
Sim. Segundo o Tavo, a comunicação e a informação estão mais acessíveis e com isto facilitam a vida social.
E o que são redes sociais?
A vô, como posso explicar... Sabe quando o senhor “joga conversa fora” com seus amigos ou então vai à reunião da Associação de Bairro para informar-se sobre o que esta acontecendo? É como se o senhor fizesse isto pela internet, sem sair de casa.
Ou seja, falar dos outros com outros sem sair de casa ou informar-se sobre os outros por meio de outros sem sair de casa?
É vovô, o senhor entendeu...
O jornal faz isto meu neto. A TV e o rádio também.
Mas, na internet há mais espaço, mais velocidade. É mais “convergente”.
“Convergente”?
Sim , sabe integrar diversos recursos como som , imagem e texto por exemplo.
Miguel, o que estes jornalistas da Smart TV fazem é depender de fontes, apurar os dados, preparar e construir as notícias, não é?
É, mas de forma mais dinâmica.
Vou pensar Miguel...
Toda esta conversa... Vou ver ... Este jornal tem uma versão on-line, como dizem. Deixe-me ver... Cultura! É uma boa!
“CANTOR OFENDE MULHERES E MÚSICOS EM REDE SOCIAL”.
É ... Estão fazendo isto de forma mais dinâmica.
Crônica inspirada na matéria “Ed Motta ofende mulheres e músicos e cria polêmica no Facebook” Por Marcus Preto de 13/05/2011.Acessível em:http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/915375-ed-motta-ofende-mulheres-e-musicos-e-cria-polemica-no-facebook.shtml
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Há notícia
Maria Aparecida Pinto
Qual é a tênue diferença entre o jornalismo humanizado e o jornalismo sensacionalista?
Ambos desejam comover, não é mesmo?
Ambos desejam provocar afloração de sentimentos.
A diferença não e tão tênue.
Talvez não se possa compará-los.
Comove ver a luta de um menino contra a leucemia.
Comove ver seu desejo de vida, seu esforço e incansável sorriso.
A criança é a boa vítima?
É sim.
Mas, desta vez, os monstros salvam-na (de alguma forma).
Isto pode ser um começo da desconstrução da polaridade herói/vilão, tão prezada pelos vigilantes?
Vigilantes, vingadores, defensores da justiça, cães de guarda...temas que se confundem ...
...termos que se confundem ...
práticas que se confundem.
Os monstros possuem duas faces.
Os heróis possuem duas faces.
Humanização e sensacionalismo são duas faces? Duas faces de quê?
O tocante.
O jornalismo informa. Mas sobretudo forma.
Forma cidadãos. É um dos seus deveres.
O jornalismo pode ter ou não música tema.
Mas, possui vários superpoderes.
Com os poderes vem a responsabilidade.
Não se pode salvar todos.
Alguns teóricos falam que o jornalismo é o termômetro da sociedade.
Então qual é a tênue diferença entre o jornalismo humanizado e o jornalismo sensacionalista?
O humanizado precisa de um “gancho”: algum aspecto que o justifique como notícia no momento presente.
O humanizado precisa de uma linguagem poética , literária (o New Journalism).
O humanizado não se condiciona por números.
O humanizado não pode estandartizar a situação.
E o sensacionalista ?
O sensacionalista é uma trama.
O sensacionalista é um drama.
O sensacionalista é uma redundância.
O sensacionalista projeta a voz para assustar, chocar, gerar consternação.
A diferença não é tão tênue, mesmo em um mundo globalizado em que limites de tempo e espaço encontram -se es espaço encontram se diluídos por talheres tecnológicos.
Em que a América respira aliviada , pausadamente e feliz.
O passado é importante mas, o futuro depende de nós.
Lutando contra monstros que construímos e que nos ajudam a sobreviver.
Sem heróis, sem vilões, sem monstros ,sem mocinhos o que há?
Com certeza não há notícia.
Crônica inspirada no jornal Bom Dia Brasil edição de 09 de maio de 2011 exibido pela TV Globo.
Qual é a tênue diferença entre o jornalismo humanizado e o jornalismo sensacionalista?
Ambos desejam comover, não é mesmo?
Ambos desejam provocar afloração de sentimentos.
A diferença não e tão tênue.
Talvez não se possa compará-los.
Comove ver a luta de um menino contra a leucemia.
Comove ver seu desejo de vida, seu esforço e incansável sorriso.
A criança é a boa vítima?
É sim.
Mas, desta vez, os monstros salvam-na (de alguma forma).
Isto pode ser um começo da desconstrução da polaridade herói/vilão, tão prezada pelos vigilantes?
Vigilantes, vingadores, defensores da justiça, cães de guarda...temas que se confundem ...
...termos que se confundem ...
práticas que se confundem.
Os monstros possuem duas faces.
Os heróis possuem duas faces.
Humanização e sensacionalismo são duas faces? Duas faces de quê?
O tocante.
O jornalismo informa. Mas sobretudo forma.
Forma cidadãos. É um dos seus deveres.
O jornalismo pode ter ou não música tema.
Mas, possui vários superpoderes.
Com os poderes vem a responsabilidade.
Não se pode salvar todos.
Alguns teóricos falam que o jornalismo é o termômetro da sociedade.
Então qual é a tênue diferença entre o jornalismo humanizado e o jornalismo sensacionalista?
O humanizado precisa de um “gancho”: algum aspecto que o justifique como notícia no momento presente.
O humanizado precisa de uma linguagem poética , literária (o New Journalism).
O humanizado não se condiciona por números.
O humanizado não pode estandartizar a situação.
E o sensacionalista ?
O sensacionalista é uma trama.
O sensacionalista é um drama.
O sensacionalista é uma redundância.
O sensacionalista projeta a voz para assustar, chocar, gerar consternação.
A diferença não é tão tênue, mesmo em um mundo globalizado em que limites de tempo e espaço encontram -se es espaço encontram se diluídos por talheres tecnológicos.
Em que a América respira aliviada , pausadamente e feliz.
O passado é importante mas, o futuro depende de nós.
Lutando contra monstros que construímos e que nos ajudam a sobreviver.
Sem heróis, sem vilões, sem monstros ,sem mocinhos o que há?
Com certeza não há notícia.
Crônica inspirada no jornal Bom Dia Brasil edição de 09 de maio de 2011 exibido pela TV Globo.
mídia criticando mídia - o caso do Globo Rural
Bem cedo,Globo Rural de segunda-feira, sete horas da manhã do dia 09 de maio. O editorial me chamou a atenção.
O jornalista falou em tom pausado, ofereceu um clima solene para suas palavras e eu pude escutar: não interessa ao Brasil a beatificação de um novo santo nem um casamento real nem mesmo se um terrorista foi morto ou não. Temos, entre tantos problemas, dois que nos chamam a atenção e que a mídia quase não fala sobre eles, a saber, a delimitação da área verde para proteção de nossas nascentes e rios e a própria discussão sobre o novo código florestal.
A partir daí, me prendi ao programa porque vi crítica de mídia feita por um jornalista que trabalha na Globo declarando que pouco se fala na Globo e em outras empresas sobre o tema.
Minha mente viajou e percebi que é preciso beatificar nossos recursos fluviais e nossas florestas e matas, que devemos combater o terrorismo da violência contra as mulheres, contra as crianças, contra os jovens, contra os animais, contra as plantas e contra as águas. Devemos casar a TV e a imprensa em geral com temas que nos dizem respeito e são tão importantes quanto a morte de um terrorista e que somos nós quem direciona a mídia e não a mídia que manda em nós. Essa ideia surgiu do fato de logo em seguida ele ler cartas dos leitores preocupados em como combater um pulgão sem danificar o ambiente e como cuidar de animais de corte sem impor a eles o sofrimento e o stress. Levantei-me mais feliz porque descobri que ainda há algum resíduo de bom jornalismo no Brasil
O jornalista falou em tom pausado, ofereceu um clima solene para suas palavras e eu pude escutar: não interessa ao Brasil a beatificação de um novo santo nem um casamento real nem mesmo se um terrorista foi morto ou não. Temos, entre tantos problemas, dois que nos chamam a atenção e que a mídia quase não fala sobre eles, a saber, a delimitação da área verde para proteção de nossas nascentes e rios e a própria discussão sobre o novo código florestal.
A partir daí, me prendi ao programa porque vi crítica de mídia feita por um jornalista que trabalha na Globo declarando que pouco se fala na Globo e em outras empresas sobre o tema.
Minha mente viajou e percebi que é preciso beatificar nossos recursos fluviais e nossas florestas e matas, que devemos combater o terrorismo da violência contra as mulheres, contra as crianças, contra os jovens, contra os animais, contra as plantas e contra as águas. Devemos casar a TV e a imprensa em geral com temas que nos dizem respeito e são tão importantes quanto a morte de um terrorista e que somos nós quem direciona a mídia e não a mídia que manda em nós. Essa ideia surgiu do fato de logo em seguida ele ler cartas dos leitores preocupados em como combater um pulgão sem danificar o ambiente e como cuidar de animais de corte sem impor a eles o sofrimento e o stress. Levantei-me mais feliz porque descobri que ainda há algum resíduo de bom jornalismo no Brasil
quarta-feira, 4 de maio de 2011
As epidemias e o mar
Maria Aparecida Pinto
Pelas ruas do Oriente Médio não há posicionamento sobre a morte do terrorista. Uns comemoram. Outros choram. Aqueles se sentem apáticos.
Pelas ruas da Europa não se comemora. Apenas os líderes europeus manifestam se com cautela em seus recintos por medo de retalias.
Pelas ruas da América comemora se há dois ou três dias. Pelas ruas norte-americanas comemora se a morte do terrorista.
O terrorista “não era nada” afirma o noticiário: era um líder sem seguidores. Um endereço sem rua. Mera figura simbólica... Mas, o sociólogo corrige a tempo: figura simbólica e prática, não dois lados da moeda: mas faces que compõem o todo.
O terrorista não era nada: ele desejava restituir a Idade Média, “em que as pestes assolavam os feudos e não havia cultura”. Feudos, localidades que se limitavam por tênues limites concretos e imaginários.
Os concretos, as muralhas. O local para pilhagem de corpos insepultos (não se pode falar em corpos insepultos) era atrás das muralhas, atrás dos limites das cidades ou no mar.
Pelas ruas do Brasil não se comemora. É preciso buscar a comoção nacional.
As ruas sempre disseram muitas coisas sobre vilões e sobre mocinhos.
Os EUA, os famosos Estados Unidos da América vestem sua capa vermelha e azul colocam seus aparatos retóricos, argumentativos (fortemente armados e teleguiados) e sua máscara.
Os EUA caminham pelas RUAS relatando as comemorações.
A morte do terrorista não se resume às comemorações ou não comemorações. O jornalismo não deve pautar se por comemorações e não comemorações. Comemorações, este foi o termo da noite.
Comemorações, comoções: tudo isto não informa. E enquanto se comemora baixa-se a guarda.
Certos super-heróis andam pedindo novas nacionalidades... É o que também se comemora por aí.
Certos cães de guarda andam guardando mais a casa do que o dono da casa. Andam também unindo Oriente Médio em bloco único: um bloco de religião, petróleo e perigo constante.
Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas:
Jornal da Globo exibido no dia 02 de maio de 2011,
Edição de 03 de maio dos jornais Estado de Minas e Hoje Em Dia.
Pelas ruas do Oriente Médio não há posicionamento sobre a morte do terrorista. Uns comemoram. Outros choram. Aqueles se sentem apáticos.
Pelas ruas da Europa não se comemora. Apenas os líderes europeus manifestam se com cautela em seus recintos por medo de retalias.
Pelas ruas da América comemora se há dois ou três dias. Pelas ruas norte-americanas comemora se a morte do terrorista.
O terrorista “não era nada” afirma o noticiário: era um líder sem seguidores. Um endereço sem rua. Mera figura simbólica... Mas, o sociólogo corrige a tempo: figura simbólica e prática, não dois lados da moeda: mas faces que compõem o todo.
O terrorista não era nada: ele desejava restituir a Idade Média, “em que as pestes assolavam os feudos e não havia cultura”. Feudos, localidades que se limitavam por tênues limites concretos e imaginários.
Os concretos, as muralhas. O local para pilhagem de corpos insepultos (não se pode falar em corpos insepultos) era atrás das muralhas, atrás dos limites das cidades ou no mar.
Pelas ruas do Brasil não se comemora. É preciso buscar a comoção nacional.
As ruas sempre disseram muitas coisas sobre vilões e sobre mocinhos.
Os EUA, os famosos Estados Unidos da América vestem sua capa vermelha e azul colocam seus aparatos retóricos, argumentativos (fortemente armados e teleguiados) e sua máscara.
Os EUA caminham pelas RUAS relatando as comemorações.
A morte do terrorista não se resume às comemorações ou não comemorações. O jornalismo não deve pautar se por comemorações e não comemorações. Comemorações, este foi o termo da noite.
Comemorações, comoções: tudo isto não informa. E enquanto se comemora baixa-se a guarda.
Certos super-heróis andam pedindo novas nacionalidades... É o que também se comemora por aí.
Certos cães de guarda andam guardando mais a casa do que o dono da casa. Andam também unindo Oriente Médio em bloco único: um bloco de religião, petróleo e perigo constante.
Crônica inspirada nas coberturas jornalísticas:
Jornal da Globo exibido no dia 02 de maio de 2011,
Edição de 03 de maio dos jornais Estado de Minas e Hoje Em Dia.
terça-feira, 3 de maio de 2011
sobre um tema em extinção
Vamos comprar a geladeira em promoção mas logo deparamos com um cartaz onde se pode ler que aquela loja não recebe cheque em hipótese alguma. A curiosidade sempre me persegue e antes de ir ao banco sacar a grana para comprar a geladeira visitei pelo menos mais dez lojas e o aviso era o mesmo: cheque não entra aqui.
Abandonei meu talão no fundo de um velho baú e decidi usar cartão de débito e, em caso de precisar pagar uma dívida no crédito, peço logo os boletos de banco.
Já faz algum tempo que as folhas de cheque passaram a ser discriminadas no país, principalmente as das pessoas físicas. Entretanto, na semana do casamento real, a mídia liberou a informação e poucos prestaram atenção ao que ela dizia: novas regras para o uso do cheque foram negociadas entre o Banco Central e os bancos, de forma que agora, as folhas tão discriminadas terão prazo de validade e seus donos terão que fazer novos cadastros nas agências em que possuem contas. Os caloteiros não podem mais sustar cheques e um sistema, parecido com o SPC, será criado para proteger quem recebe as notas de crédito.
Parei para pensar porque fiquei intrigada com a notícia. Se cheque praticamente está em extinção para os plebeus financeiros, por que tanto trabalho para reformular um sistema e por que tanto gasto para criar novas leis para seu uso?
As notícias foram rápidas na TV e nos impressos ganharam as primeiras páginas de alguns jornais mas não vi economistas comentando o assunto para explicar para todos nós a razão de tanto esforço burocrático para um documento em extinção. Sinceramente, o que li e ouvi foi o quanto a família real gastou devido ao casamento do príncipe e quanto pretendia receber com a venda de copos, pratos, bandeiras, anéis, toalhas de mesas além de todas as outras bugingangas vendidas para ver se a estrutura financeira britânica se recupera da crise em que está imersa. Enquanto isso, no Brasil, quando os brasileiros se deliciavam com a pompa real, alguém tentava ressuscitar o chequinho tão magrinho, acuado no fundo do baú, negligenciado, esquecido, excluído economicamente de nossos shoppings, lojas, bares, mercearias e outros lugares onde outrora podia ser usado até pré-datado...
Abandonei meu talão no fundo de um velho baú e decidi usar cartão de débito e, em caso de precisar pagar uma dívida no crédito, peço logo os boletos de banco.
Já faz algum tempo que as folhas de cheque passaram a ser discriminadas no país, principalmente as das pessoas físicas. Entretanto, na semana do casamento real, a mídia liberou a informação e poucos prestaram atenção ao que ela dizia: novas regras para o uso do cheque foram negociadas entre o Banco Central e os bancos, de forma que agora, as folhas tão discriminadas terão prazo de validade e seus donos terão que fazer novos cadastros nas agências em que possuem contas. Os caloteiros não podem mais sustar cheques e um sistema, parecido com o SPC, será criado para proteger quem recebe as notas de crédito.
Parei para pensar porque fiquei intrigada com a notícia. Se cheque praticamente está em extinção para os plebeus financeiros, por que tanto trabalho para reformular um sistema e por que tanto gasto para criar novas leis para seu uso?
As notícias foram rápidas na TV e nos impressos ganharam as primeiras páginas de alguns jornais mas não vi economistas comentando o assunto para explicar para todos nós a razão de tanto esforço burocrático para um documento em extinção. Sinceramente, o que li e ouvi foi o quanto a família real gastou devido ao casamento do príncipe e quanto pretendia receber com a venda de copos, pratos, bandeiras, anéis, toalhas de mesas além de todas as outras bugingangas vendidas para ver se a estrutura financeira britânica se recupera da crise em que está imersa. Enquanto isso, no Brasil, quando os brasileiros se deliciavam com a pompa real, alguém tentava ressuscitar o chequinho tão magrinho, acuado no fundo do baú, negligenciado, esquecido, excluído economicamente de nossos shoppings, lojas, bares, mercearias e outros lugares onde outrora podia ser usado até pré-datado...
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O casamento é real, mas a festa é da mídia
As câmeras estão voltadas para a Abadia de Westminster pois um casamento mexe com o imaginário dos paparazzi de plantão.
Estima-se que dois bilhões de pessoas em todo mundo viram a união do Príncipe William ,herdeiro do trono da Grã- Bretanha, e de Catherine Elizabeth Middleton, que aconteceu na última sexta-feira, dia 29 de abril, em Londres.
Como não poderia ser diferente de qualquer evento que envolve celebridades, “Show e Circo “ midiático foi armado. A imprensa tentava adivinhar qual seria o modelo do vestido da noiva, como seriam os docinhos do casamento e outras banalidades, fatos que ela , a imprensa, tratou como algo essencial para a sociedade em geral.
Um dia antes da cerimonia, o jornal “The Sun” ,que se orgulha por ter sido o primeiro a divulgar uma fotografia da futura princesa, lançou uma aposta, a saber, quem seria o primeiro convidado a chorar no casamento real. E os jornalistas ofereceram opções como a mãe da noiva, Elton John, que sempre chora em cerimônias na Abadia ou Tony Blair ou Gordon Brown que não foram convidados para o evento.
O casamento foi um espetáculo com direito a transmissão ao vivo pela internet e pela TV, participações especiais de consultores de moda e etiqueta, presença maciça de populares que não tinham nada a ver com o assunto. E os jornalistas não deixavam de exaltar as figuras de William e Kate.
Diante de tanto sensacionalismo e exibicionismo, será que a união dos noivos sobreviverá a uma mídia que sempre clamará por notícias sobre os dois como se fez para os pais do noivo? Para a mídia, Kate não se casou apenas com o Príncipe William, mas com todo e qualquer mecanismo midiático também. Os jornalistas, os repórteres, os caçadores de notícias serão os súditos das realeza que seguram câmeras fotográficas e microfones nas mãos em espera de algo espetacular.
Está na hora de pensarmos sobre o papel do jornalismo como algo sério e capaz de fazer com que criemos uma consciência crítica sobre os fatos que ocorrem ao nosso redor. Pão e circo cabem exatamente dentro do contexto do casamento real: somos alimentados por imagens, fantasias, sonhos, contos de fada e, ao mesmo tempo, nos entretemos diante da TV e da Internet, não nos cansando de ver o anel que a Kate recebeu do noivo e correndo até o camelô mais próximo para adquirir um ou indo à loja do shopping para não perdermos a chance de termos no nosso guarda-roupa um vestido qualquer que a noiva usou durante a repercussão do noivado.
Debord já falava da sociedade do espetáculo em que tudo vira razão para festa mas sabemos que isso é um mito. Enquanto o mundo se robotizava diante do evento ( incluindo os britânicos que invadiram Londres só para ver a noiva passar seguida pelo séquito real), gente morria nas guerras no Oriente Médio, políticos brasileiros dirigiam com carteira vencida, promotora pagava caro para um psicólogo ensinar a ela como simular os sintomas de um transtorno bipolar e a gasolina subia terrivelmente nas bombas dos postos de combustível. Ainda não sabemos se a mídia beijou os lábios das cinderelas , das belas adormecidas, para que elas se despertem para a vida real, no sentido verdadeiro da palavra. O jornalismo precisa ser o príncipe e não o bruxo que joga areia em nossos olhos e só permite que sonhemos com carruagens e noivas encantadas enquanto em torno de nós apenas os vilões se sobressaem.
Marcela Servano
Estima-se que dois bilhões de pessoas em todo mundo viram a união do Príncipe William ,herdeiro do trono da Grã- Bretanha, e de Catherine Elizabeth Middleton, que aconteceu na última sexta-feira, dia 29 de abril, em Londres.
Como não poderia ser diferente de qualquer evento que envolve celebridades, “Show e Circo “ midiático foi armado. A imprensa tentava adivinhar qual seria o modelo do vestido da noiva, como seriam os docinhos do casamento e outras banalidades, fatos que ela , a imprensa, tratou como algo essencial para a sociedade em geral.
Um dia antes da cerimonia, o jornal “The Sun” ,que se orgulha por ter sido o primeiro a divulgar uma fotografia da futura princesa, lançou uma aposta, a saber, quem seria o primeiro convidado a chorar no casamento real. E os jornalistas ofereceram opções como a mãe da noiva, Elton John, que sempre chora em cerimônias na Abadia ou Tony Blair ou Gordon Brown que não foram convidados para o evento.
O casamento foi um espetáculo com direito a transmissão ao vivo pela internet e pela TV, participações especiais de consultores de moda e etiqueta, presença maciça de populares que não tinham nada a ver com o assunto. E os jornalistas não deixavam de exaltar as figuras de William e Kate.
Diante de tanto sensacionalismo e exibicionismo, será que a união dos noivos sobreviverá a uma mídia que sempre clamará por notícias sobre os dois como se fez para os pais do noivo? Para a mídia, Kate não se casou apenas com o Príncipe William, mas com todo e qualquer mecanismo midiático também. Os jornalistas, os repórteres, os caçadores de notícias serão os súditos das realeza que seguram câmeras fotográficas e microfones nas mãos em espera de algo espetacular.
Está na hora de pensarmos sobre o papel do jornalismo como algo sério e capaz de fazer com que criemos uma consciência crítica sobre os fatos que ocorrem ao nosso redor. Pão e circo cabem exatamente dentro do contexto do casamento real: somos alimentados por imagens, fantasias, sonhos, contos de fada e, ao mesmo tempo, nos entretemos diante da TV e da Internet, não nos cansando de ver o anel que a Kate recebeu do noivo e correndo até o camelô mais próximo para adquirir um ou indo à loja do shopping para não perdermos a chance de termos no nosso guarda-roupa um vestido qualquer que a noiva usou durante a repercussão do noivado.
Debord já falava da sociedade do espetáculo em que tudo vira razão para festa mas sabemos que isso é um mito. Enquanto o mundo se robotizava diante do evento ( incluindo os britânicos que invadiram Londres só para ver a noiva passar seguida pelo séquito real), gente morria nas guerras no Oriente Médio, políticos brasileiros dirigiam com carteira vencida, promotora pagava caro para um psicólogo ensinar a ela como simular os sintomas de um transtorno bipolar e a gasolina subia terrivelmente nas bombas dos postos de combustível. Ainda não sabemos se a mídia beijou os lábios das cinderelas , das belas adormecidas, para que elas se despertem para a vida real, no sentido verdadeiro da palavra. O jornalismo precisa ser o príncipe e não o bruxo que joga areia em nossos olhos e só permite que sonhemos com carruagens e noivas encantadas enquanto em torno de nós apenas os vilões se sobressaem.
Marcela Servano
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