quarta-feira, 15 de junho de 2011

Era uma vez, no país do futebol

Era uma vez um país do futebol. Futebol era tudo para aquele povo feliz. Em dia de jogo, o país parava e todos vibravam porque futebol era arte, era entretenimento e era amor à nação e à camisa. Um dia chegou a bruxa má e amaldiçoou aquele país com a praga mais terrível que ela podia: disseminou o pó da corrupção em vento própício para que ele chegasse em todos os âmbitos.
Aprendeu-se a lavar dinheiro com a compra e avenda de craques, que viraram literalmente "cracks" porque aceitaram as propinas e sabendo do pó que se escondia sob o tapete verde dos gramados, ficaram calados e, assim, admitiram o feitiço.
Não falo de um Adriano, imperador, que saiu da Europa com o honroso título de pior jogador da temporada e nem de Ronaldo e sua triste história com os travestis. Não, não falo de Edmundo, com prisão preventiva por causa de crime do passado e nem mesmo pronho uma discussão sob o enriquecimento da família Perrela. Vou falar de maldição mais séria, de vodus trágicos, de trabalho de magia negra da pesada, envolvendo um dos times mais amados do Brasil, um lá de São Paulo, que tem como chefe Andres Sanchez.
É de estarrecer qualquer brsileiro saber o que esta pessoa faz e fez para se transformar no homem daquele time. Suas palavras não foram infelizes, foram capazes de condenar toda a história do time paulista porque coloca em cheque, inclusive, contratações e resultados de campeonatos anteriores, o que pode também anexar compras de juízes e manipulação de resultados.
Quem se envolve com gângsters pode tudo mas passa também a fazer parte do clube. Ele é amigo do Ricardo Teixeira e da Globo, que segundo ele mesmo, são gângster e ele pode tudo por causa dessas amizades.
Quando eu era uma criança, ensinaram-me algo muito importante que até hoje levo muito a sério. Disseram-me que há três coisas que não podem ser recuperadas: a pedra atirada, a palavrada dita e o tempo perdido. Andres atirou a pedra, falou a palavra e mostrou para o povo brasileiro ( e também estrangeiro) que o mantém-se no Brasil são as ideologias do Brasil Colonial onde vence quem manda e quem tem poder.
Globo, por favor, repense sobre quem você chama de amigo e CBF, comece a procurar um advogado que não seja da máfia.
No país que amava futebol, agora o que se ouve são histórias de corrupção em Comitês Olímpicos, de propostas indecentes para construção de estádio para um time em crise com dinheiro público ( neste momento em que saúde, educação e segurança pedem socorro no Brasil, vamos Liberar hum bilhão para um time de futebol, usando palavras que mudem o viés da coisa para que os menos analíticos achem que tudo está certo) tudo porque a velha brincadeira infantil também retornou ao cenário:
- Faremos tudo que o mestre mandar - faremos tudo
- e se não fizermos, ganharemos um bolo ( castigo com palmatória - metaforizada em assistência precária em todos os serviços prestados pelo Governo).
Sei que um dos motivos que levou a Record a colocar no ar a reportagem sobre o Estádio do Coríntians e o poder absoluto de Andres Sanchez tinha outro fundamento ( Globo) mas que valeu a pena mostrar para o povo brasileiro que ele é o cego para coisas básicas, ah, isso valeu!
Elisabeth Maria de Souza Camilo

segunda-feira, 13 de junho de 2011

“Alguma coisa está fora da (nova) ordem mundial”

Maria Aparecida Pinto

Uma das coisas que Ícaro aprendera na velha escola de jornalismo fora a respeito da ordem das coisas. “Agora está tudo mudado, a ordem pejorou-se nariz de cera!” Vá direto diz a placa de trânsito, mas também é o que diz o Manual de Redação.

Então Ícaro, como fazemos?

Sejamos objetivos, sejamos concisos, nada de supérfluo, gente! E a dona construção textual que vá chorar suas mazelas em outra soleira. Mas lembrem-se, não sejam telegráficos, antipáticos, apáticos e principalmente parciais. Quais as bocas objetivas e não telegráficas que sussurram?

Cai em prantos agora a senhorita subjetividade. Corre histérica e some... Como mágica! Como se nunca existira. Quais são estes olhos que veem o sumiço da subjetividade? Quais mãos informam sobre este repente?

É Ícaro... Agora, tudo mudado está. Mas, não fique triste ainda há narizes de cera, talvez maiores do que os de outrora. Mesmo Veríssimo, não pode brincar com a exterioridade da cavidade nasal. Algumas produções jornalísticas são noventa por cento de estória. Guardem o suspense (ao invés de outra qualquer coisa), mantenham o suspense como Hitchcock, até o final, pois isto também mantém a expectativa de alguma informação para a última linha diagramada.

É que na verdade, trata-se de uma questão menos médica e mais comercial. Menos médica e mais diplomática. Trata-se de falar de ditaduras e de ditaduras, no barril, oh desculpe-me quis dizer Brasil, não se fala. Ou fala-se apenas no final quando muitos já saíram do recinto ou derreteram o nariz de cera com notícia e tudo.

Crônica inspirada na matéria “Chávez passa por cirurgia de emergência em Cuba” publicada na edição de 11 de junho de 2011 do jornal Correio do Brasil por redação com BBC. Acessível em http://correiodobrasil.com.br/chavez-passa-por-cirurgia-de-emergencia-em-cuba/253114/

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mortes na floresta

Maria Aparecida Pinto

Os noticiários alertam para mais um corpo que cai. Mandaram uma força tarefa. Muitos outros corpos já caíram. A floresta está cheia de corpos. Caídos ou prestes a cair.

- Se uma árvore cair e não houver ninguém para escutar, ela faz barulho?

- Como isto se relaciona com o jornalismo?

- Não sei, só estava pensando.

Mais um corpo cai. São todos corpos. Sem nome, sem idade, sem família. Informar é dar números. Informar é dizer quantos corpos caem. Porque os corpos que caem são retratados pelos que se mantém, são identificados como corpos caídos pelos que se mantém, são lidos pelos corpos que se mantém.

Mais um corpo que cai. Na verdade os corpos não caem sozinhos, por si só, na maior parte das vezes. Quando corpos caem sozinhos não há alerta para mais um corpo que cai.

- Interesse humano...

- Como isto se relaciona com o jornalismo?

- Não sei, só estava pensando.

- Como se relaciona com o jornalismo!

Crônica inspirada na matéria “Força-tarefa vai atuar contra mortes no campo” veiculada no dia 03 de junho de 2011 no jornal Correio do Brasil acessível em http://correiodobrasil.com.br/forca-tarefa-vai-atuar-contra-mortes-no-campo/249315/

terça-feira, 31 de maio de 2011

padrinhos e madrinhas

Não quero um discurso de cunho moral, quero um discurso que fale de identidade...
Identidade de um povo, de uma nação, de um gigante...
Em Carnavais, Malandros e Heróis, ele está lá com seu traço identitário.
Em O QUE FAZ BRASIL BRAZIL também, com sua folgada risada, sua forma cheia de fé, crédulo, acreditando que tudo um dia vai dar certo...
Nativismo? Não sei... Só sei que brasileiros são um povo lindo, gostam de praia, de calor, de um bom jogo de baralho, de amor... e de votar em troca de qualquer coisa, mesmo que seja apenas para dizer que foi às urnas.
Palocci foi ao banheiro e não deu descarga mas o próximo que entrou ali achou que tudo estava bem. O mau menino que sujou a casa voltou a ela sem castigo e agora o brasileiro está de novo dividido... Quem está errado: o denunciador ou o denunciado... A gente acha que o denunciado já fez muita coisa errada mas também a gente acha que há muito sensacionalismo em cima de um tema já tão debatido - corrupção, Palocci...
Ele entrou no banheiro e não deu descarga... Ensine para o menino as boas normas, a honestidade...
Votamos de novo nele e nem sabemos porque o fizemos...
E diga-se batendo-se no peito - mea culpa...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Gavetas

Maria Aparecida Pinto

Muitas pessoas opõem Jornalismo a História. Outros ainda, distanciam o Jornalismo da Literatura, ignorando totalmente o que se convencionou chamar de NewJornoulism. Parece debate de teórico empático, não é?!

Talvez seja. Mas, a verdade é que o Jornalismo não se distancia nem da História e nem da Literatura.

Lê-se na manchete de primeira página “Berlusconi comete nova gafe e envergonha italianos”.

Conta uma novidade!

A gaveta faz parte do folclore literário. Dizia certo escritor que se você quisesse saber se um texto em prosa ou em verso era bom, ou seja, se era realmente Literatura, bastava deixa-lo guardado em uma gaveta, por cinco ou seis anos. Deixar que o tempo imprimisse suas pisadas.

Depois deste período de espera, se você lese a produção e achasse que ela valia a pena realmente esta era e é literatura. Trata-se de um conceito clássico.

O Jornalismo faz o mesmo: “nova gafe” pressupõe uma trilogia.

E Berlusconi?

Uma foto abaixo da manchete. O político com as mãos voltadas para cima. A expressão fácil clichê “de como assim?” ou “necessito explicações”.

A partir de enfoques conferidos às situações passadas, que povoam o imaginário popular como fábulas e contos (o Jornalismo possui certo viés de cartilha), torna-se possível falar de uma nova gafe que provavelmente não será a última, apenas a mais recente. O Jornalismo diz:
- Esperemos...

É singular esta relação entre o jornal, o livro e o relógio porque, na verdade, todos estes marcam o tempo, são marcos do antes e do depois.

O Jornalismo é assim: alimente-se de história e tenta fazer literatura.


Crônica inspirada na matéria “Nova gafe de Berlusconi deixa italianos envergonhados” publicada em 27 de maio de 2011 às 12h55min por redação, do Jornal Correio do Brasil. Acesso em 27 de maio de 2011 em:
http://correiodobrasil.com.br/italianos-se-envergonham-com-gafedeberlusconi/246104/.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Desabafo de uma classe

Maria Aparecida Pinto

Paulo saiu da redação. A pauta realmente era boa.

O que é uma pauta boa? O que é uma pauta? Um dos primeiros conceitos aprendidos na Universidade, assim como, os conceitos de cidadania, ética e valor social. “A pauta é a receita para o fazer jornalístico”. Mesmo porque, o objetivo é ir além dela. Ou mesmo, até questioná-la.

Questioná-la?

Não é possível. Dizem muitos. Mas, isto é o jornalismo. O jornalismo questiona. Mas, informa. Informar é construir uma possiblidade de questionamento.

Paulo pensou, então, vou sondar, vou averiguar. Sair às ruas. Correr as alamedas.
O telefone toca: “Paulo, manda o seu material pelo e-mail, da rua mesmo, se houver algum imprevisto. Isto ganha mais tempo”.

Ok.

É aquela escola. É um prédio alto. As pombas voam. Não há umbrais.

Converso com as professoras, com os professores e informo-me na diretoria.
Atravesso a cidade. Entro em contato com mais três instituições de ensino. Entrevisto um economista, um sociólogo, e um representante dos órgãos competentes (não necessariamente nesta ordem). Agenor havia agendado as entrevistas.

O telefone não toca: PAULO, COMO ANDA AÍ?

TUDO BEM!

Chego à redação. O que escrevo não é mera pauta. Vai além de um vídeo que retrata o desabafo de um educador. O texto escrito contextualiza, traz informações importantes sobre a constituição da educação no Brasil, ou seja, a sua “institucionalização” no país. Por quê? Porque a pauta instiga. Fornece um start, mas a realidade é constituída desde Dom Pedro, desde a infância, desde a literatura da professorinha (este professorinha não se refere a um aspecto pejorativo, mas ao termo colonial carinhoso).

O texto está pronto. O debate está marcado. A arena de palavrinhas.

Cumpro a pauta. Toda fala é um discurso. Toda fala é um ato persuasivo.

“Paulo, a pauta caiu”- diz a chefe, depois de ler a reportagem.

“Por quê?”

“Você não cumpriu a pauta e ela caiu.”

“Não cumpri a pauta?”

“Você cita o vídeo e somente neste ponto cumpre a pauta”

“O vídeo é o ‘início’... há todo um contexto, um desenvolvimento, um questionamento, uma informação e uma formação”.

“Paulo, a pauta caiu”.

A pauta nunca caiu. Ela nunca existiu. Não “receita” para o fazer jornalístico. Robozinhos engravatados e embonecados que cantam as notícias? O jornalismo é diálogo. O diálogo pauta, assim como a educação. Talvez, mas apenas talvez, seria necessário saber o que está em pauta.




Crônica inspirada na edição de 23 de maio de 2011 do Jornal da Cultura. No que se refere à questão da educação no Brasil.

Os livros ou os livro?

A história do livro admitido como didático no Rio de Janeiro para a disciplina de Português devia ser mais veiculada para o público em vez de ficar restrita aos meios acadêmicos propriamente ditos. O tema é importante e ataca diretamente a questão da cidadania porque se refere à nossa língua... Se nos preocupamos tanto em aprender outro idioma, por que não aprender corretamente o nosso? A imprensa se limita a relatar a polêmica entre os dois lados diretamente interessados no assunto, a saber, os puristas do português e os que veem no internetês e em outras variantes linguísticas uma alternativa para se fugir do sagrado dever de se aprender o idioma.
Entre todas as discussões, principalmente as veiculadas em blogs e portais da Internet, percebe-se claramente o embate entre os linguistas e os professores de português. Certo é que há uma vertente linguística que aceita que , se a mensagem foi veiculada e compreendida, a missão da língua se fez. Mas nenhum linguista admite que o aprendizado da língua formal deve ser negligenciado.
Para escrever esse comentário, li a obra intitulada " Doa-se lindos filhotes de Poodle", cuja temática é exatamente o preconceito linguístico. Errar o uso do pronome se apassivador ou perder-se em algum caso de regência ou concordância é normal. Anormal é admitir que dizer " os livro" é uma forma correta de se escrever a expressão; digo escrever por na linguagem falada isso pode ocorrer. Os próprios jornalistas cometem esses erros de vez em quando e estou cansada de ler legendas com erros graves. Se o jornalista comete o erro, vejo como problema a falta de atenção do mesmo mas se o erro aparece na legenda, o réu é o revisor. Nos impressos é normal encontrar erros de português, sejam ortográficos sejam sintáticos. Mas o que me incitou a postar essa crônica é a negligência como o fato tem sido tratado pela mídia em si. Ela devia, inclusive promover debates para se evitar a má informação de que qualquer forma que se escrever uma palavra é válida. Enquanto falamos, podemos cometer lapsos, afinal não há perfeitos falantes de portuguès devido à sua própria estrutura. Escrever é outra história e amanhã, na redação do vestibular ou na entrevista para o emprego, o cidadão mal informado culpará a própria imprensa de não tê-lo avisado sobre o assunto.